Meu espaço Conversar com o CVV · 188

Cuidado · Mente · De volta para a vida

Plano de segurança: passo a passo para momentos de crise

O modelo Stanley-Brown em seis etapas, para preencher com calma e ter à mão quando a dor apertar.

Publicado28 out 2026
Leitura5 min
Plano de segurança: passo a passo para momentos de crise
Resposta direta

Um plano de segurança é uma lista escrita, feita com calma, do que fazer numa crise: sinais pessoais, distrações, pessoas, serviços e como deixar o ambiente mais seguro. Num estudo de 2018 com 1.640 pessoas, o plano com ligações de acompanhamento se associou a 45% menos comportamentos suicidas em 6 meses.

Neste texto

  1. Por que ter um plano escrito
  2. O que o estudo mostrou
  3. Seu plano em seis etapas
  4. Como usar o plano
  5. O plano é um começo, não o fim
  6. Onde buscar ajuda no Brasil
  7. Perguntas frequentes
  8. Fontes

Por que ter um plano escrito

Se você está pensando em morrer, você não precisa passar por isso sozinho. Ligue 188, do CVV: atende 24 horas, a ligação é sem custo e a conversa é sigilosa. Também dá para conversar pelo chat em cvv.org.br. Se for uma urgência agora, ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro ou à UPA mais próxima.

No meio de uma crise, pensar com clareza fica difícil. Por isso, profissionais de saúde mental recomendam preparar, num momento mais calmo, um plano de segurança: uma lista curta, pessoal e prática do que fazer quando a dor apertar. É como um mapa para quando a neblina chega.

O modelo mais usado foi criado pelos psicólogos Barbara Stanley e Gregory Brown, nos Estados Unidos. Ele é simples, cabe numa folha ou no bloco de notas do celular, e é melhor ainda quando feito junto com um profissional ou com alguém de confiança.

O que o estudo mostrou

Em 2018, a JAMA Psychiatry publicou um estudo com 1.640 pessoas atendidas em 9 serviços de emergência por crise suicida. Em 5 deles, as pessoas saíam com um plano de segurança feito na hora e recebiam pelo menos duas ligações de acompanhamento. Nos outros 4, recebiam o cuidado usual.

O desenho foi uma comparação entre serviços, não um ensaio sorteado, e isso limita as conclusões. Mas o achado conversa com uma metanálise de 2020, com 14 estudos e 4.270 pessoas, em que intervenções breves desse tipo se associaram a menos tentativas e a três vezes mais vínculo com o cuidado.

Seu plano em seis etapas

Copie o modelo abaixo e preencha com as suas palavras. Não precisa ficar perfeito. Pode ser feito aos poucos.

1. Meus sinais de que uma crise está chegando

Pensamentos, sentimentos, situações ou comportamentos que aparecem antes dos momentos difíceis. Exemplos: "fico sem dormir", "começo a me isolar", "penso que sou um peso", "domingo à noite sozinho".

2. O que eu posso fazer sozinho para me acalmar

Atividades que distraem ou acalmam, sem precisar de ninguém. Exemplos: tomar um banho morno, caminhar no quarteirão, ouvir uma música específica, respirar soltando o ar devagar, cuidar de um animal, rezar ou meditar.

3. Pessoas e lugares que me ajudam a mudar o foco

Gente e ambientes que trazem distração, mesmo sem falar da crise. Exemplos: o café da esquina, a casa da tia, um amigo para ver um jogo, um grupo da igreja ou da comunidade.

4. Pessoas a quem posso pedir ajuda

Nomes e telefones de duas ou três pessoas de confiança com quem você pode falar abertamente que não está bem.

5. Profissionais e serviços

6. Como deixar o meu ambiente mais seguro

Combine com alguém de confiança como reduzir o acesso a qualquer coisa que você poderia usar para se machucar nos momentos de crise, por exemplo, pedindo que essa pessoa guarde ou leve embora. Você não precisa detalhar nada aqui, só registrar o combinado. Afastar os meios nas horas difíceis é uma das medidas de prevenção com mais evidência, segundo revisão sistemática de 2021.

Extra: o que me faz querer viver

Uma linha só. Pode ser uma pessoa, um animal, um projeto, um lugar que você quer conhecer, uma lembrança. Ela ajuda a lembrar o que a dor esconde.

Como usar o plano

Se você quer ajuda para conversar com alguém sobre o plano, veja como pedir ajuda. Se é você quem quer apoiar uma pessoa, leia como ajudar alguém com pensamentos de morte.

O plano é um começo, não o fim

O plano de segurança ajuda a atravessar crises, mas não trata o que está por trás delas. Ele funciona melhor ao lado de acompanhamento: terapia, consulta médica, tratamento de depressão, ansiedade, uso de álcool ou problemas de sono. Para ver o que acontece com quem recebe esse cuidado, leia recuperação e esperança: o que a ciência mostra.

Onde buscar ajuda no Brasil

Pedir ajuda é um passo de cuidado, e ele funciona. Estes são os caminhos:

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Não interrompa nem altere medicamentos sem orientação do seu médico. Se você está em sofrimento agora, ligue 188 ou 192. Crises passam, e existe ajuda que funciona.

Perguntas frequentes

O que é um plano de segurança?

É uma lista escrita, feita com calma, do que fazer numa crise: seus sinais, o que acalma, pessoas, serviços e como deixar o ambiente mais seguro. O modelo mais usado é o de Stanley e Brown.

Plano de segurança funciona?

Num estudo de 2018 com 1.640 pessoas, o plano com ligações de acompanhamento se associou a 45% menos comportamentos suicidas em 6 meses e a mais vínculo com o tratamento.

Posso fazer o plano sozinho?

Pode começar sozinho, mas ele fica mais forte quando feito ou revisado com um profissional ou alguém de confiança. Leve o plano à sua próxima consulta.

Plano de segurança é o mesmo que contrato de não suicídio?

Não. O plano não é uma promessa. É uma lista de estratégias e contatos para usar em ordem quando a crise chega, sem culpa se precisar de ajuda.

Onde guardar o plano?

Num lugar fácil de achar: foto no celular, cópia na carteira e outra com uma pessoa de confiança. Revise sempre que algo mudar.

Fontes

  1. Stanley B, Brown GK et al. Comparison of the Safety Planning Intervention With Follow-up vs Usual Care of Suicidal Patients Treated in the Emergency Department. JAMA Psychiatry, 2018;75(9):894-900. doi.org/10.1001/jamapsychiatry.2018.1776 · Evidência B
  2. Doupnik SK et al. Association of Suicide Prevention Interventions With Subsequent Suicide Attempts, Linkage to Follow-up Care, and Depression Symptoms for Acute Care Settings: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Psychiatry, 2020;77(10):1021-30. doi.org/10.1001/jamapsychiatry.2020.1586 · Evidência A
  3. Mann JJ, Michel CA, Auerbach RP. Improving Suicide Prevention Through Evidence-Based Strategies: A Systematic Review. American Journal of Psychiatry, 2021;178(7):611-24. doi.org/10.1176/appi.ajp.2020.20060864 · Evidência A
  4. Ministério da Saúde. Suicídio: prevenção. Página oficial com sinais, orientações e onde buscar ajuda. www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/suicidio-prevencao · Evidência A

Leia também

27 out 2026Pensamentos de morte: o que fazer agoraPassos simples para os próximos minutos e os próximos dias, com ajuda real no Brasil e o que a ciência mostra.26 out 2026Como pedir ajuda: o que dizer, para quem e ondeFrases prontas, os serviços do SUS e o CVV, e o que esperar quando você dá o primeiro passo.29 out 2026Recuperação e esperança: o que a ciência mostraPessoas atravessam crises e voltam a viver. Os estudos de seguimento, as terapias que funcionam e o poder dos pequenos contatos.