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Pensamentos de morte: o que fazer agora
Passos simples para os próximos minutos e os próximos dias, com ajuda real no Brasil e o que a ciência mostra.

Se você tem pensamentos de morte agora, ligue 188 (CVV, 24 horas, sem custo) ou 192 se for uma urgência, e não fique sozinho. Esses pensamentos mudam de intensidade em poucas horas, mostrou um estudo de 2017 no Journal of Abnormal Psychology. Conversar, se afastar do que pode machucar e buscar o CAPS ou a UBS ajuda.
Neste texto
- Primeiro: você não está sozinho
- O que fazer nos próximos minutos
- Esses pensamentos mudam, e a ciência mostra isso
- O que dizer quando você ligar
- Os próximos dias
- Se é outra pessoa que está em crise
- Onde buscar ajuda no Brasil
- Perguntas frequentes
- Fontes
Primeiro: você não está sozinho
Se você está pensando em morrer, você não precisa passar por isso sozinho. Ligue 188, do CVV: atende 24 horas, a ligação é sem custo e a conversa é sigilosa. Também dá para conversar pelo chat em cvv.org.br. Se for uma urgência agora, ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro ou à UPA mais próxima.
Se você chegou até aqui, talvez esteja num momento muito difícil. Talvez a dor pareça grande demais, ou a vida pareça pesada de um jeito que não dá para explicar. Sentir isso não faz de você uma pessoa fraca ou estranha. Muita gente já passou por pensamentos de morte e hoje vive bem, com dias bons e dias comuns.
Este texto é curto de propósito. Ele mostra o que fazer agora, nos próximos minutos, e o que fazer depois, nos próximos dias. Você não precisa ler tudo. Se puder, ligue para o 188 enquanto lê.
O que fazer nos próximos minutos
- Fale com alguém agora. Ligue 188. Quem atende é um voluntário treinado para ouvir, sem julgamento. Se for uma urgência agora, ligue 192 ou vá ao pronto-socorro.
- Não fique sozinho. Chame uma pessoa de confiança para ficar com você, mesmo que por telefone. Pode ser alguém da família, um amigo, um vizinho. Você pode dizer apenas: "Não estou bem e preciso de companhia agora".
- Afaste-se do que poderia te machucar. Se houver por perto algo que você pense em usar contra si, peça para alguém guardar, ou vá para outro lugar. Criar distância nas horas mais difíceis é uma das medidas de proteção com mais evidência.
- Vá para um lugar com gente. A casa de alguém, uma sala com a família, um lugar movimentado e calmo. Estar perto de pessoas ajuda a atravessar a onda.
- Adie qualquer decisão. Diga a si mesmo: "Hoje eu não decido nada. Hoje eu só atravesso". Decisões tomadas no pico da dor não refletem quem você é nos outros dias.
- Cuide do corpo por alguns minutos. Beba água, sente-se, respire devagar, solte o ar mais longo do que puxou. Não é cura, é um jeito de baixar a intensidade enquanto a ajuda chega.
Se você já tem um plano de segurança, pegue-o agora e siga os passos. Se não tem, veja como montar o seu em plano de segurança passo a passo, com calma, num momento mais tranquilo.
Esses pensamentos mudam, e a ciência mostra isso
No pico da crise, parece que a dor vai durar para sempre. Os dados mostram outra coisa. Em 2017, pesquisadores de Harvard acompanharam pelo celular, várias vezes por dia, pessoas que tinham passado por uma crise suicida recente. Em mais de um quarto das medições, a intensidade dos pensamentos de morte tinha mudado bastante em relação à medição feita poucas horas antes. Quase todos os participantes viveram essas variações.
Na prática, isso quer dizer que o pior momento costuma ser uma onda. Ela sobe, mas também desce. O objetivo agora não é resolver a vida inteira. É atravessar as próximas horas com segurança e com companhia.
Ligar para uma linha de apoio também tem efeito medido. Um estudo com 1.085 pessoas em crise que ligaram para centros de apoio nos Estados Unidos encontrou queda do sofrimento já durante a ligação, e redução da desesperança e da dor psicológica nas semanas seguintes.
O que dizer quando você ligar
Não existe frase certa. Você pode começar assim:
"Estou tendo pensamentos de morte e não sei o que fazer."
Ou, se for difícil falar disso diretamente: "Não estou bem e precisava conversar com alguém". A pessoa do outro lado vai conduzir a conversa com você. Você pode chorar, ficar em silêncio, desligar e ligar de novo. Mais ideias em como pedir ajuda.
Os próximos dias
Depois de atravessar a crise, vale cuidar do que está por trás dela. Pensamentos de morte costumam aparecer junto com depressão, ansiedade intensa, transtorno bipolar, uso de álcool, solidão ou noites mal dormidas. Todas essas condições têm tratamento.
- Procure o CAPS ou a UBS. O CAPS funciona em porta aberta: você pode ir sem marcar consulta para o primeiro acolhimento. A UBS também acolhe e encaminha.
- Monte um plano de segurança. Num estudo com 1.640 pessoas atendidas em 9 serviços de emergência, quem saiu com um plano de segurança e recebeu ligações de acompanhamento teve 45% menos comportamentos suicidas em 6 meses e mais que o dobro de chance de ir a uma consulta de saúde mental.
- Combine o plano com alguém. Diga a uma pessoa de confiança como ela pode ajudar se a crise voltar.
- Aceite o acompanhamento. Uma metanálise de 14 estudos mostrou que intervenções breves, feitas num único encontro, se associaram a menos tentativas depois e a três vezes mais chance de a pessoa seguir no cuidado.
Para entender melhor o que você está sentindo, leia quando a vida pesa demais. E para ver o que acontece com quem recebe ajuda, recuperação e esperança.
Se é outra pessoa que está em crise
Se alguém próximo falou em morrer, leve a sério e fique por perto. Perguntar diretamente sobre pensamentos de suicídio não aumenta o risco, e pode aliviar. Não deixe a pessoa sozinha se houver urgência, ligue 192 e acompanhe até a ajuda. O passo a passo está em como ajudar alguém com pensamentos de morte.
Onde buscar ajuda no Brasil
Pedir ajuda é um passo de cuidado, e ele funciona. Estes são os caminhos:
- CVV, 188. Apoio emocional 24 horas, ligação sem custo de qualquer telefone, com sigilo. Há também chat em cvv.org.br, em horários definidos no site.
- SAMU, 192. Se for uma urgência agora, ligue 192 ou vá ao pronto-socorro ou à UPA mais próxima.
- CAPS. Os Centros de Atenção Psicossocial do SUS funcionam em porta aberta: não é preciso marcar consulta para o primeiro acolhimento. Veja como funcionam no site do Ministério da Saúde.
- UBS. A Unidade Básica de Saúde perto de você pode acolher, avaliar e encaminhar.
- Dúvidas. Para perguntas sobre saúde mental, use o Pergunte ao Especialista. Ele não substitui atendimento de urgência.
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação profissional. Não interrompa nem altere medicamentos sem orientação do seu médico. Se você está em sofrimento agora, ligue 188 ou 192. Crises passam, e existe ajuda que funciona.
Perguntas frequentes
O que fazer quando vêm pensamentos de morte?
Ligue 188 (CVV, 24 horas) ou 192 se for uma urgência. Chame alguém para ficar com você, afaste-se do que poderia te machucar e adie qualquer decisão. Depois, procure o CAPS ou a UBS.
Ter pensamentos de morte significa que vou fazer algo?
Não necessariamente. Pensamentos de morte são um sinal de sofrimento intenso que merece cuidado. Eles mudam de intensidade ao longo do dia e respondem a ajuda e tratamento.
O CVV é gratuito e sigiloso?
Sim. A ligação para o 188 é sem custo de qualquer telefone, funciona 24 horas e o atendimento é sigiloso. Há também chat em cvv.org.br, em horários definidos no site.
Preciso de encaminhamento para ir ao CAPS?
Não. O CAPS funciona em porta aberta, e você pode ir sem marcar consulta para o primeiro acolhimento. A UBS também pode acolher e encaminhar.
E se eu não quiser falar com ninguém da família?
Tudo bem. Você pode começar pelo CVV, que é anônimo, ou ir direto ao CAPS, à UBS ou ao pronto-socorro. O importante é não atravessar a crise sozinho.
Fontes
- Kleiman EM et al. Examination of real-time fluctuations in suicidal ideation and its risk factors: results from two ecological momentary assessment studies. Journal of Abnormal Psychology, 2017;126(6):726-38. doi.org/10.1037/abn0000273 · Evidência B
- Gould MS, Kalafat J, Harrismunfakh JL, Kleinman M. An evaluation of crisis hotline outcomes. Part 2: Suicidal callers. Suicide and Life-Threatening Behavior, 2007;37(3):338-52. doi.org/10.1521/suli.2007.37.3.338 · Evidência B
- Stanley B, Brown GK et al. Comparison of the Safety Planning Intervention With Follow-up vs Usual Care of Suicidal Patients Treated in the Emergency Department. JAMA Psychiatry, 2018;75(9):894-900. doi.org/10.1001/jamapsychiatry.2018.1776 · Evidência B
- Doupnik SK et al. Association of Suicide Prevention Interventions With Subsequent Suicide Attempts, Linkage to Follow-up Care, and Depression Symptoms for Acute Care Settings: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Psychiatry, 2020;77(10):1021-30. doi.org/10.1001/jamapsychiatry.2020.1586 · Evidência A
- Mann JJ, Michel CA, Auerbach RP. Improving Suicide Prevention Through Evidence-Based Strategies: A Systematic Review. American Journal of Psychiatry, 2021;178(7):611-24. doi.org/10.1176/appi.ajp.2020.20060864 · Evidência A
- Ministério da Saúde. Suicídio: prevenção. Página oficial com sinais, orientações e onde buscar ajuda. www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/suicidio-prevencao · Evidência A
- Ministério da Saúde. Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Página oficial. www.gov.br/saude/pt-br/caps · Evidência A