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IGF-1: valores de referência por idade, o que o exame mostra e o que altera o resultado
O mensageiro do hormônio do crescimento, por que o laudo traz um escore por idade, como a alimentação mexe no número e o que a longevidade tem a ver com isso.

O IGF-1 é o hormônio que o fígado produz em resposta ao hormônio do crescimento, e o seu valor de referência depende da idade. Num estudo com 15.014 pessoas, o IGF-1 atingiu o pico por volta dos 15 anos e caiu de forma contínua depois disso (Bidlingmaier, JCEM 2014). Por isso o laudo compara o seu resultado com pessoas da mesma idade e do mesmo sexo.
Neste texto
- O que é o IGF-1
- Valores de referência do IGF-1 por idade
- Alimentação, jejum e o que mais altera o resultado
- IGF-1 alto: quando investigar
- IGF-1 baixo: causas e leitura
- IGF-1 e longevidade: nem alto, nem baixo
- Como acompanhar o IGF-1 e os seus hábitos
- Perguntas frequentes
- Fontes
O que é o IGF-1
O IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1) é um hormônio produzido sobretudo pelo fígado, sob o comando do hormônio do crescimento (GH), que vem da hipófise. O GH é liberado em pulsos, principalmente durante o sono profundo, e oscila muito ao longo do dia. O IGF-1, ao contrário, circula preso a proteínas de transporte e fica estável.
Essa estabilidade faz do IGF-1 o melhor retrato prático da atividade do GH. Em vez de tentar flagrar um pulso de GH, o médico mede o IGF-1, que resume o que aconteceu nas últimas horas e dias. Uma revisão clássica publicada na Endocrine Reviews destaca justamente a estabilidade do IGF-1 ao longo do dia e da noite como uma das razões para o seu uso clínico EV B.
O IGF-1 age em quase todos os tecidos. Na infância, comanda o crescimento. Na vida adulta, participa da manutenção dos músculos, dos ossos, da pele e do metabolismo da glicose e da gordura. Para entender o papel do sono nesse eixo, veja sono profundo.
Os principais motivos para o exame são investigar excesso de GH, como na acromegalia, e falta de GH, em crianças com crescimento abaixo do esperado ou em adultos com doenças da hipófise. Ele também é usado para acompanhar quem já trata essas condições.
Valores de referência do IGF-1 por idade
O IGF-1 muda muito ao longo da vida, e cada método de laboratório tem números próprios. Por isso, não existe um valor normal único. Um estudo multicêntrico com 15.014 pessoas de 0 a 94 anos, de 12 grupos dos Estados Unidos, do Canadá e da Europa, construiu faixas por idade e sexo seguindo as recomendações internacionais EV B. O padrão encontrado:
| Fase da vida | O que acontece com o IGF-1 |
|---|---|
| Logo após o nascimento | Queda |
| Infância e puberdade | Subida até o pico, por volta dos 15 anos |
| Vida adulta | Queda contínua com a idade |
| Diferença entre sexos | Pequena, com médias um pouco menores nas mulheres |
Fonte: Bidlingmaier et al., JCEM, 2014. Região, local da coleta e critérios de exclusão não mudaram as faixas nesse estudo.
O escore do laudo
Muitos laudos trazem, além do valor em ng/mL, um escore de desvio-padrão (SDS ou escore Z) para a idade. Um escore perto de zero significa que você está no meio da faixa das pessoas da sua idade. Valores entre cerca de -2 e +2 correspondem à faixa de referência. Esse escore é mais útil para comparar exames ao longo dos anos do que o número bruto, sobretudo se você mudar de laboratório.
Um consenso internacional publicado na Clinical Chemistry reforça que as faixas devem ser específicas para o método e para a idade, e que a padronização dos ensaios ainda precisa melhorar EV A. Compare sempre com a faixa e o método do seu laudo.
Se o seu médico pediu IGF-1 junto com outros hormônios e você quer comparar opções de coleta, deixe seus dados no formulário abaixo. A equipe Piantare retorna com um orçamento para coleta em casa ou num ponto parceiro.
Alimentação, jejum e o que mais altera o resultado
A revisão da Endocrine Reviews afirma que a nutrição é um dos principais reguladores do IGF-1 circulante EV B. Em humanos, o IGF-1 cai de forma marcada com a privação de energia ou de proteína, e precisa das duas para se recuperar depois de um jejum. Por isso, os autores consideram o IGF-1 um marcador sensível do estado nutricional.
Um estudo publicado na Aging Cell trouxe um detalhe interessante EV C:
- em dois estudos de longo prazo, de 1 e de 6 anos, a restrição calórica severa sem desnutrição não reduziu o IGF-1;
- já a redução da proteína mudou o número. Em seis voluntários, baixar a ingestão de proteína de 1,67 para 0,95 g por kg de peso por dia, durante 3 semanas, reduziu o IGF-1 de 194 para 152 ng/mL.
Outros fatores que mexem no resultado:
- Jejum prolongado e perda de peso rápida reduzem o IGF-1.
- Doenças do fígado, hipotireoidismo e diabetes mal controlado tendem a baixar o valor.
- Puberdade e gestação elevam o IGF-1.
- Índice de massa corporal: o consenso internacional recomenda considerá-lo na leitura.
- Remédios hormonais, como o estrogênio por via oral, podem baixar o IGF-1. Informe ao médico.
Na prática, faça o exame com a sua alimentação habitual, sem jejum prolongado nem dieta muito restrita nos dias anteriores, e siga o preparo do laboratório. Para calcular quanto de proteína você come hoje, veja a calculadora de proteína.
IGF-1 alto: quando investigar
Um IGF-1 acima da faixa da idade é o principal exame de triagem para a acromegalia, uma condição rara em que um tumor benigno da hipófise produz GH em excesso. A diretriz da Endocrine Society recomenda medir o IGF-1 em quem tem sinais típicos da condição EV A:
- aumento das mãos e dos pés, com troca de número de anel ou de sapato;
- mudança no formato do rosto, com nariz, lábios e mandíbula maiores;
- suor excessivo, dores nas articulações e túnel do carpo;
- apneia do sono, diabetes e pressão alta, sobretudo quando aparecem juntos.
A mesma diretriz desaconselha usar o GH colhido ao acaso para o diagnóstico, porque ele oscila demais. Se o IGF-1 vem alto, o endocrinologista confirma com testes específicos e exame de imagem.
Fora da acromegalia, um IGF-1 um pouco acima da faixa pode aparecer na adolescência, na gestação e em quem usa hormônio do crescimento ou outras substâncias para fins estéticos ou esportivos. Conte ao médico qualquer produto que você usa. A apneia do sono também merece investigação própria. Veja apneia do sono.
IGF-1 baixo: causas e leitura
O motivo mais comum de IGF-1 baixo em adultos é simplesmente a idade. Fora isso, as causas mais frequentes estão ligadas à nutrição e ao metabolismo: ingestão baixa de energia ou de proteína, doenças do fígado, hipotireoidismo e diabetes descompensado.
Um IGF-1 muito baixo pode indicar deficiência de GH, que em adultos costuma aparecer depois de cirurgia, radioterapia ou doenças da hipófise. O IGF-1 normal, porém, não exclui essa deficiência em todos os casos, e o diagnóstico pede testes de estímulo feitos pelo endocrinologista.
Em idosos, um IGF-1 baixo acompanha muitas vezes a perda de massa muscular. A relação é de mão dupla: comer pouca proteína e se mover pouco favorecem as duas coisas. Para o lado muscular, veja sarcopenia.
Se o IGF-1 veio baixo num exame isolado, revise como estavam a alimentação e o peso nas semanas anteriores. Uma dieta muito restrita, uma doença recente ou uma perda de peso rápida podem explicar o número, que tende a voltar quando a rotina se normaliza.
IGF-1 e longevidade: nem alto, nem baixo
O IGF-1 virou tema frequente nas conversas sobre longevidade, porque animais com sinalização reduzida desse eixo vivem mais em laboratório. Em humanos, os dados apontam para um equilíbrio.
Uma metanálise publicada no JCEM reuniu 12 estudos com 14.906 pessoas da população geral EV A. Tanto o IGF-1 baixo quanto o alto se associaram a pior saúde a longo prazo, em comparação com valores intermediários, numa curva em forma de U. O padrão apareceu para doenças do coração e para câncer.
Na prática, isso significa que não há um alvo de "IGF-1 mais baixo possível" nem de "IGF-1 mais alto possível" para quem é saudável. Um valor dentro da faixa da sua idade, sustentado por sono, treino de força, alimentação com proteína adequada e peso estável, é o cenário mais coerente com a evidência atual. Repor GH para "rejuvenescer" não tem indicação e pode trazer efeitos indesejados. Para entender como a idade biológica é medida, veja idade biológica.
Quando repetir. Em quem investiga ou trata doenças da hipófise, o intervalo é definido pelo endocrinologista. Fora disso, o IGF-1 não costuma fazer parte do check-up de rotina.
Como acompanhar o IGF-1 e os seus hábitos
A Piantare é uma infraestrutura de saúde e longevidade: une exames, DNA, wearables e hábitos num lugar só e traduz isso em decisões. No app Piantare, em lançamento, você guarda os laudos que envia e acompanha o IGF-1 e outros hormônios no tempo, ao lado do sono e da atividade medidos por wearables como o Ring PRO, e o PIÁ responde com base nos seus dados e em estudos. A Piantare também está estruturando a coleta de sangue em casa e em pontos parceiros.
Perguntas frequentes
Qual é o valor normal de IGF-1?
Depende da idade, do sexo e do método do laboratório. O IGF-1 atinge o pico por volta dos 15 anos e cai depois. Compare com a faixa da sua idade no laudo e com o escore de desvio-padrão, quando houver.
Precisa de jejum para dosar IGF-1?
O IGF-1 varia pouco ao longo do dia. Siga o preparo do laboratório e evite jejum prolongado ou dieta muito restrita nos dias anteriores, porque a privação de energia e proteína baixa o valor.
Comer mais proteína aumenta o IGF-1?
A ingestão de proteína influencia o IGF-1. Num estudo, reduzir a proteína de 1,67 para 0,95 g/kg por dia baixou o IGF-1 de 194 para 152 ng/mL em 3 semanas.
IGF-1 alto é sinal de quê?
Pode aparecer na adolescência, na gestação e com uso de hormônio do crescimento. Quando vem com sinais típicos, como aumento das mãos e dos pés, o médico investiga acromegalia.
IGF-1 baixo ajuda a viver mais?
Em humanos, tanto valores baixos quanto altos se associaram a pior saúde a longo prazo, numa curva em U. Valores no meio da faixa para a idade são os mais coerentes com a evidência.
Fontes
- Bidlingmaier M, Friedrich N, Emeny RT et al. Reference intervals for insulin-like growth factor-1 (IGF-I) from birth to senescence: results from a multicenter study using a new automated chemiluminescence IGF-I immunoassay conforming to recent international recommendations. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2014;99(5):1712-1721. doi.org/10.1210/jc.2013-3059 · Evidência B
- Clemmons DR. Consensus statement on the standardization and evaluation of growth hormone and insulin-like growth factor assays. Clinical Chemistry, 2011;57(4):555-559. doi.org/10.1373/clinchem.2010.150631 · Evidência A
- Katznelson L, Laws ER, Melmed S et al. Acromegaly: an Endocrine Society clinical practice guideline. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2014;99(11):3933-3951. doi.org/10.1210/jc.2014-2700 · Evidência A
- Thissen JP, Ketelslegers JM, Underwood LE. Nutritional regulation of the insulin-like growth factors. Endocrine Reviews, 1994;15(1):80-101. doi.org/10.1210/edrv-15-1-80 · Evidência B
- Fontana L, Weiss EP, Villareal DT, Klein S, Holloszy JO. Long-term effects of calorie or protein restriction on serum IGF-1 and IGFBP-3 concentration in humans. Aging Cell, 2008;7(5):681-687. doi.org/10.1111/j.1474-9726.2008.00417.x · Evidência C
- Burgers AM, Biermasz NR, Schoones JW et al. Meta-analysis and dose-response metaregression: circulating insulin-like growth factor I (IGF-I) and mortality. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2011;96(9):2912-2920. doi.org/10.1210/jc.2011-1377 · Evidência A