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Exames hormonais masculinos: quais são, quando pedir e como ler por idade

Testosterona, LH, FSH, SHBG, prolactina, estradiol e PSA: o que cada exame mostra, como o preparo muda o resultado e o que muda dos 30 aos 60.

Publicado16 out 2026
Leitura10 min
Exames hormonais masculinos: quais são, quando pedir e como ler por idade
Resposta direta

Os exames hormonais masculinos mais pedidos são testosterona total e livre, LH, FSH, SHBG, prolactina, estradiol e PSA. A testosterona deve ser colhida de manhã e em jejum: em homens de 30 a 40 anos, ela foi de 20% a 25% mais baixa às 16h do que às 8h (Brambilla, JCEM 2009). A faixa harmonizada para homens de 19 a 39 anos vai de 264 a 916 ng/dL.

Neste texto

  1. Quando os exames hormonais fazem sentido
  2. Os exames do painel e o que cada um mostra
  3. Preparo: horário e jejum mudam o resultado
  4. O que muda dos 30 aos 60 anos
  5. Como ler as combinações
  6. Exemplos práticos de leitura
  7. O que fazer depois do resultado
  8. Como acompanhar os seus hormônios
  9. Perguntas frequentes
  10. Fontes

Quando os exames hormonais fazem sentido

Os hormônios masculinos não costumam entrar no check-up de rotina de quem está bem. Eles são pedidos quando há um motivo, e os mais comuns são:

A diretriz da Endocrine Society sobre testosterona é clara num ponto: o diagnóstico de testosterona baixa exige sintomas compatíveis e valores baixos confirmados, não um número isolado EV A. Isso evita rótulos e tratamentos desnecessários em homens que só tiveram uma coleta fora de hora.

O estudo europeu EMAS, com 3.369 homens de 40 a 79 anos, mostrou por que os sintomas importam EV B. Entre vários sintomas investigados, só três, todos sexuais (menos ereções matinais, libido baixa e disfunção erétil), formaram um quadro ligado à testosterona baixa. Cansaço e humor baixo também tiveram relação, mas muito menos específica.

Os exames do painel e o que cada um mostra

ExameO que mostraReferência e observações
Testosterona totalToda a testosterona do sangue264 a 916 ng/dL em homens não obesos de 19 a 39 anos (faixa harmonizada)
Testosterona livreA parte ativa, não presa a proteínasÚtil quando a SHBG está alterada; calculada ou medida
SHBGProteína que carrega a testosteronaSobe com a idade; muda com peso, fígado e tireoide
LH e FSHComando da hipófise sobre os testículosSeparam causa testicular de causa na hipófise
ProlactinaHormônio da hipófise que pode frear o eixoEm geral abaixo de 20 ng/mL em homens
EstradiolEstrogênio vindo da conversão da testosteronaPedido em ginecomastia e uso de hormônios
PSAProteína da próstataFaixa sobe com a idade; decisão compartilhada sobre rastreio

Fontes: Travison et al., JCEM, 2017; Bhasin et al., JCEM, 2018; Samperi et al., J Clin Med, 2019; Oesterling et al., JAMA, 1993. Cada laboratório informa as próprias faixas e métodos.

A faixa de 264 a 916 ng/dL vem de um trabalho que harmonizou as medidas de 9.054 homens de quatro grandes estudos dos Estados Unidos e da Europa, calibradas contra o método de referência do CDC EV B. Ela é útil porque boa parte da diferença entre laboratórios vinha do método, e não dos homens. Detalhes sobre a fração livre estão em testosterona total e livre.

Se o seu médico pediu um painel hormonal e você quer comparar preços e opções de coleta pela manhã, deixe seus dados no formulário abaixo. A equipe Piantare retorna com um orçamento para coleta em casa ou num ponto parceiro.

Preparo: horário e jejum mudam o resultado

A testosterona é um dos hormônios mais sensíveis ao preparo. Dois estudos mostram o tamanho do efeito:

Por isso, a recomendação é colher de manhã, em jejum, e repetir antes de concluir que a testosterona está baixa. Outros cuidados:

O guia exame de sangue precisa de jejum reúne o preparo de outros exames do mesmo pedido.

O que muda dos 30 aos 60 anos

Os hormônios mudam com a idade, e as prioridades do painel também. Um resumo por faixa:

FaixaO que costuma pesar maisDetalhe do exame
30 a 39 anosFertilidade, uso de anabolizantes, libidoEfeito do horário é maior: até 25% a menos à tarde
40 a 49 anosSintomas sexuais, peso e sonoPSA de referência até 2,5 ng/mL no estudo da Clínica Mayo
50 a 59 anosSintomas sexuais, glicose, conversa sobre PSAPSA de referência até 3,5 ng/mL; SHBG mais alta
60 anos ou maisForça, ossos, energia, próstataPSA de referência até 4,5 ng/mL (60 a 69) e 6,5 (70 a 79)

Fontes: Brambilla et al., JCEM, 2009; Oesterling et al., JAMA, 1993.

O EMAS também ajudou a definir o que chama de hipogonadismo de início tardio: pelo menos três sintomas sexuais, testosterona total abaixo de 320 ng/dL (11 nmol/L) e testosterona livre abaixo de 64 pg/mL. A definição mostra que um número um pouco abaixo da faixa, sem sintomas, não basta.

Sobre o PSA, o Ministério da Saúde não recomenda rastreamento populacional e orienta uma decisão compartilhada para quem procura o exame EV A. Veja PSA total e livre.

Como ler as combinações

O valor de um exame hormonal aparece quando ele é lido junto com os outros. As combinações mais comuns:

TestosteronaLH e FSHLeitura mais comum
BaixaAltosOs testículos produzem menos (causa primária)
BaixaBaixos ou normaisO comando da hipófise está reduzido (causa secundária): obesidade, sono, remédios, prolactina, doenças da hipófise
Normal ou altaMuito baixosSugere uso de testosterona ou anabolizantes
Total limítrofeNormaisOlhar SHBG e testosterona livre

Algumas causas reversíveis aparecem com frequência na forma secundária: excesso de peso, sono curto ou apneia, consumo alto de álcool e alguns remédios. A prolactina alta também freia o eixo. Veja prolactina alta. O estradiol entra quando há aumento das mamas ou uso de hormônios. Veja estradiol.

A interpretação final e qualquer decisão sobre tratamento são do médico, de preferência endocrinologista ou urologista.

Exemplos práticos de leitura

Três situações comuns ajudam a ver como o painel funciona na prática. Os números são ilustrativos e a interpretação real é sempre do médico.

Em todos os casos, o que dá sentido ao número é o contexto: horário, sintomas, idade e a comparação com os exames anteriores.

O que fazer depois do resultado

  1. Confirme. Um valor baixo isolado pede nova coleta pela manhã e em jejum, como orienta a Endocrine Society.
  2. Investigue a causa. LH, FSH, prolactina, SHBG e, conforme o caso, ferro e outros exames da hipófise ajudam a localizar o problema.
  3. Olhe os hábitos. Sono, peso, álcool e atividade física têm relação direta com o eixo hormonal masculino. Para o sono, o efeito aparece rápido em estudos de restrição. Veja testosterona baixa.
  4. Converse sobre tratamento só com diagnóstico. A reposição de testosterona tem indicações precisas, exige acompanhamento e pode reduzir a fertilidade. A decisão é do médico.

Quando repetir. Sem sintomas e com resultado normal, os hormônios não precisam de repetição de rotina. Com resultado limítrofe, o médico costuma repetir em semanas, no mesmo preparo. Quem faz tratamento segue o calendário de acompanhamento definido pelo especialista.

Como acompanhar os seus hormônios

A Piantare é uma infraestrutura de saúde e longevidade: une exames, DNA, wearables e hábitos num lugar só e traduz isso em decisões. No app Piantare, em lançamento, você guarda os laudos que envia e acompanha testosterona, PSA e outros marcadores no tempo, ao lado do sono e da atividade medidos pelo Ring PRO, e o PIÁ responde com base nos seus dados e em estudos. A Piantare também está estruturando a coleta de sangue em casa e em pontos parceiros, o que facilita colher cedo, em jejum, no mesmo horário de sempre.

Perguntas frequentes

Quais exames pedir para avaliar hormônios masculinos?

Os mais comuns são testosterona total, testosterona livre ou SHBG, LH, FSH e prolactina. Estradiol e PSA entram conforme a situação. O médico define o painel pelos sintomas e pela idade.

Qual é o valor normal de testosterona no homem?

A faixa harmonizada para homens não obesos de 19 a 39 anos vai de 264 a 916 ng/dL. Cada laboratório tem a própria faixa, que vem no laudo.

Por que a testosterona deve ser colhida de manhã?

Porque ela cai ao longo do dia. Em homens de 30 a 40 anos, foi de 20% a 25% mais baixa às 16h do que às 8h. A refeição também baixa o valor.

Testosterona baixa num exame significa reposição?

Não. As diretrizes pedem sintomas compatíveis e valores baixos confirmados em mais de uma coleta, além da investigação da causa. O tratamento é decisão do médico.

Homem de 40 anos precisa dosar hormônios?

Sem sintomas, não há indicação de rotina. Com queda de libido, disfunção erétil ou cansaço persistente, vale conversar com o médico sobre um painel hormonal.

Fontes

  1. Bhasin S, Brito JP, Cunningham GR et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2018;103(5):1715-1744. doi.org/10.1210/jc.2018-00229 · Evidência A
  2. Travison TG, Vesper HW, Orwoll E et al. Harmonized Reference Ranges for Circulating Testosterone Levels in Men of Four Cohort Studies in the United States and Europe. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2017;102(4):1161-1173. doi.org/10.1210/jc.2016-2935 · Evidência B
  3. Wu FCW, Tajar A, Beynon JM et al. Identification of late-onset hypogonadism in middle-aged and elderly men. New England Journal of Medicine, 2010;363(2):123-135. doi.org/10.1056/NEJMoa0911101 · Evidência B
  4. Brambilla DJ, Matsumoto AM, Araujo AB, McKinlay JB. The effect of diurnal variation on clinical measurement of serum testosterone and other sex hormone levels in men. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2009;94(3):907-913. doi.org/10.1210/jc.2008-1902 · Evidência B
  5. Caronia LM, Dwyer AA, Hayden D et al. Abrupt decrease in serum testosterone levels after an oral glucose load in men: implications for screening for hypogonadism. Clinical Endocrinology, 2013;78(2):291-296. doi.org/10.1111/j.1365-2265.2012.04486.x · Evidência B
  6. Oesterling JE, Jacobsen SJ, Chute CG et al. Serum prostate-specific antigen in a community-based population of healthy men. Establishment of age-specific reference ranges. JAMA, 1993;270(7):860-864. PMID 7688054. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7688054/ · Evidência B
  7. Samperi I, Lithgow K, Karavitaki N. Hyperprolactinaemia. Journal of Clinical Medicine, 2019;8(12):2203. doi.org/10.3390/jcm8122203 · Evidência A
  8. Ministério da Saúde / INCA. Nota Técnica nº 9/2023-COSAH/CGACI/DGCI/SAPS/MS: rastreamento do câncer de próstata, 2023. antigo.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//notatecnica_rastreio_cancer_de_prostata_2023.pdf · Evidência A

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