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Apneia do sono: sintomas, causas, exame e o que fazer

Ronco alto, pausas na respiração e cansaço ao acordar: como reconhecer a apneia, como ela é diagnosticada e o que ajuda.

Publicado26 set 2026
Leitura8 min
Apneia do sono: sintomas, causas, exame e o que fazer
Resposta direta

Os sintomas mais comuns da apneia do sono são ronco alto, pausas na respiração vistas por outra pessoa, engasgos à noite e cansaço ou sono durante o dia. Ela é frequente: em São Paulo, um estudo com polissonografia encontrou apneia em 32,8% dos adultos. O diagnóstico é feito com exame do sono, e o tratamento é definido com o médico.

Neste texto

  1. O que é apneia do sono
  2. Sintomas da apneia do sono
  3. Quem tem mais chance de ter apneia
  4. Leve, moderada ou grave: como se mede
  5. Por que vale cuidar da apneia
  6. Quando procurar um médico
  7. Anel detecta apneia? Como acompanhar suas noites
  8. Perguntas frequentes
  9. Fontes

O que é apneia do sono

Na apneia obstrutiva do sono, a garganta se fecha parcial ou totalmente várias vezes durante a noite. O ar para de passar por alguns segundos, o oxigênio no sangue cai e o cérebro provoca um microdespertar para reabrir a via aérea. A pessoa quase nunca se lembra disso, mas o sono fica picado.

Quando o fluxo de ar para por completo, chama-se apneia. Quando ele cai bastante sem parar, hipopneia. O exame do sono conta esses eventos e calcula o índice de apneia-hipopneia (IAH), o número de eventos por hora de sono.

É uma condição comum no mundo. Uma análise publicada na The Lancet Respiratory Medicine estimou que cerca de 936 milhões de adultos de 30 a 69 anos têm apneia obstrutiva de leve a grave, e cerca de 425 milhões têm a forma moderada a grave. O Brasil aparece entre os países com mais pessoas afetadas em números absolutos.

Por que quase ninguém percebe

Os microdespertares são curtos demais para virar lembrança. A pessoa acorda achando que dormiu a noite toda e não entende por que está cansada. Por isso, a pista costuma vir de fora: o parceiro que ouve o ronco parar e voltar com um ronco mais forte, ou a sonolência que aparece em reuniões, no sofá ou no trânsito.

Existe também a apneia central, mais rara, em que o problema não é a garganta fechar e sim o cérebro deixar de enviar o comando para respirar. Este guia trata da forma obstrutiva, que é a mais comum.

Sintomas da apneia do sono

Os sinais mais citados vêm de questionários usados para triagem, como o STOP, criado no Canadá e validado contra a polissonografia. Ele pergunta sobre quatro itens:

A versão estendida, conhecida como STOP-Bang, soma índice de massa corporal, idade, circunferência do pescoço e sexo. No estudo original, ela identificou 93% das pessoas com apneia moderada a grave e todas as pessoas com a forma grave.

Outros sinais que costumam aparecer: acordar engasgado ou com falta de ar, levantar à noite para urinar com frequência, acordar com a boca seca ou com dor de cabeça e sentir a cabeça mais lenta durante o dia.

Questionário não fecha diagnóstico. A diretriz da Academia Americana de Medicina do Sono recomenda que ferramentas clínicas e questionários não sejam usados para diagnosticar apneia sem um exame do sono. Eles servem para levantar a suspeita.

Quem tem mais chance de ter apneia

O EPISONO, estudo feito em São Paulo com 1.042 adultos de 20 a 80 anos sorteados da população e avaliados com polissonografia, encontrou apneia em 32,8% dos participantes. Os fatores mais associados foram:

O peso tem um papel especialmente claro. Em um estudo que acompanhou 690 adultos em Wisconsin por 4 anos, ganhar 10% do peso se associou a um aumento de cerca de 32% no IAH. Perder 10% do peso se associou a uma queda de cerca de 26%.

O álcool também pesa. Uma metanálise de 21 estudos mostrou que o consumo mais alto de álcool se associou a uma chance 25% maior de apneia. Explicamos o mecanismo em álcool e sono.

Leve, moderada ou grave: como se mede

A gravidade é definida pelo IAH, calculado no exame do sono:

ClassificaçãoEventos por hora de sono (IAH)
Sem apneiamenos de 5
Leve5 a 14
Moderada15 a 29
Grave30 ou mais

Junto com o IAH, o médico olha os sintomas, a queda da saturação de oxigênio durante a noite e outras condições de saúde. Duas pessoas com o mesmo IAH podem precisar de abordagens diferentes.

Os exames

Por que vale cuidar da apneia

A apneia fragmenta o sono e derruba o oxigênio repetidas vezes por noite. Os estudos populacionais a associam a efeitos sobre a cognição, o coração e a pressão arterial, e por isso a pressão alta faz parte dos questionários de triagem. Se você acompanha a sua pressão, veja os valores de referência em pressão arterial normal.

A boa notícia é que a apneia tem várias formas de tratamento, e o sono costuma mudar bastante quando ela é tratada. A diretriz da Academia Americana de Medicina do Sono trata a apneia como uma condição crônica, que pede acompanhamento contínuo, e lista opções como aparelhos de pressão positiva (o CPAP), aparelhos intraorais, mudanças de comportamento e cirurgia. A escolha depende da gravidade e de cada pessoa, e é feita com o médico.

Hábitos que ajudam

Quando procurar um médico

Converse com um médico se:

O caminho costuma começar com clínico geral, otorrinolaringologista, pneumologista ou médico do sono, que avalia e pede o exame adequado.

O que levar para a consulta

Uma gravação de áudio do ronco feita pelo celular também ajuda o médico a entender o padrão. Quanto mais concreto o relato, mais rápida tende a ser a investigação.

Anel detecta apneia? Como acompanhar suas noites

Anéis com oxímetro medem a saturação de oxigênio e a frequência cardíaca durante o sono. Em um estudo piloto com 207 adultos na China, um anel oxímetro comparado à polissonografia identificou apneia (IAH de 5 ou mais) com sensibilidade de 87% e especificidade de 83%. É um resultado promissor, mas de um aparelho específico, em um estudo pequeno.

A leitura correta: um wearable pode mostrar sinais que justificam conversar com o médico, como quedas repetidas de oxigênio, pulso agitado à noite ou sono muito fragmentado. Ele não substitui o exame do sono. Explicamos os limites em anel que mede o sono, e o que a frequência cardíaca de repouso revela.

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Perguntas frequentes

Quais são os primeiros sintomas da apneia do sono?

Ronco alto, pausas na respiração vistas por outra pessoa, engasgos à noite e cansaço ou sono durante o dia. Muitas pessoas só descobrem pelo parceiro de quarto.

Apneia do sono tem cura?

Há várias formas de tratamento, como aparelho de pressão positiva, aparelho intraoral, mudanças de hábitos e cirurgia. Em algumas pessoas, a perda de peso reduz bastante os eventos. A abordagem é definida com o médico.

Como saber se tenho apneia sem fazer exame?

Questionários como o STOP-Bang levantam a suspeita, mas não fecham diagnóstico. A diretriz americana recomenda confirmar com polissonografia ou teste domiciliar.

Apneia do sono é comum no Brasil?

Sim. Em São Paulo, um estudo com polissonografia em adultos de 20 a 80 anos encontrou apneia em 32,8% dos participantes, mais em homens, em pessoas com obesidade e em idades mais altas.

Ronco é sempre apneia?

Não. Muita gente ronca sem ter apneia. O ronco alto e frequente, principalmente com pausas, engasgos ou sono durante o dia, é o que justifica avaliação.

Fontes

  1. Benjafield AV et al. Estimation of the global prevalence and burden of obstructive sleep apnoea: a literature-based analysis. The Lancet Respiratory Medicine, 2019. doi.org/10.1016/S2213-2600(19)30198-5 · Evidência B
  2. Tufik S et al. Obstructive sleep apnea syndrome in the Sao Paulo Epidemiologic Sleep Study. Sleep Medicine, 2010. doi.org/10.1016/j.sleep.2009.10.005 · Evidência B
  3. Chung F et al. STOP questionnaire: a tool to screen patients for obstructive sleep apnea. Anesthesiology, 2008. doi.org/10.1097/ALN.0b013e31816d83e4 · Evidência B
  4. Kapur VK et al. Clinical practice guideline for diagnostic testing for adult obstructive sleep apnea: an American Academy of Sleep Medicine clinical practice guideline. Journal of Clinical Sleep Medicine, 2017. doi.org/10.5664/jcsm.6506 · Evidência A
  5. Epstein LJ et al. Clinical guideline for the evaluation, management and long-term care of obstructive sleep apnea in adults. Journal of Clinical Sleep Medicine, 2009. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19960649/ · Evidência A
  6. Peppard PE et al. Longitudinal study of moderate weight change and sleep-disordered breathing. JAMA, 2000. doi.org/10.1001/jama.284.23.3015 · Evidência B
  7. Simou E et al. Alcohol and the risk of sleep apnoea: a systematic review and meta-analysis. Sleep Medicine, 2018. doi.org/10.1016/j.sleep.2017.12.005 · Evidência A
  8. Zhao R et al. Comparison of ring pulse oximetry using reflective photoplethysmography and PSG in the detection of OSA in Chinese adults: a pilot study. Nature and Science of Sleep, 2022. doi.org/10.2147/NSS.S367400 · Evidência C

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