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Apneia do sono: sintomas, causas, exame e o que fazer
Ronco alto, pausas na respiração e cansaço ao acordar: como reconhecer a apneia, como ela é diagnosticada e o que ajuda.

Os sintomas mais comuns da apneia do sono são ronco alto, pausas na respiração vistas por outra pessoa, engasgos à noite e cansaço ou sono durante o dia. Ela é frequente: em São Paulo, um estudo com polissonografia encontrou apneia em 32,8% dos adultos. O diagnóstico é feito com exame do sono, e o tratamento é definido com o médico.
Neste texto
- O que é apneia do sono
- Sintomas da apneia do sono
- Quem tem mais chance de ter apneia
- Leve, moderada ou grave: como se mede
- Por que vale cuidar da apneia
- Quando procurar um médico
- Anel detecta apneia? Como acompanhar suas noites
- Perguntas frequentes
- Fontes
O que é apneia do sono
Na apneia obstrutiva do sono, a garganta se fecha parcial ou totalmente várias vezes durante a noite. O ar para de passar por alguns segundos, o oxigênio no sangue cai e o cérebro provoca um microdespertar para reabrir a via aérea. A pessoa quase nunca se lembra disso, mas o sono fica picado.
Quando o fluxo de ar para por completo, chama-se apneia. Quando ele cai bastante sem parar, hipopneia. O exame do sono conta esses eventos e calcula o índice de apneia-hipopneia (IAH), o número de eventos por hora de sono.
É uma condição comum no mundo. Uma análise publicada na The Lancet Respiratory Medicine estimou que cerca de 936 milhões de adultos de 30 a 69 anos têm apneia obstrutiva de leve a grave, e cerca de 425 milhões têm a forma moderada a grave. O Brasil aparece entre os países com mais pessoas afetadas em números absolutos.
Por que quase ninguém percebe
Os microdespertares são curtos demais para virar lembrança. A pessoa acorda achando que dormiu a noite toda e não entende por que está cansada. Por isso, a pista costuma vir de fora: o parceiro que ouve o ronco parar e voltar com um ronco mais forte, ou a sonolência que aparece em reuniões, no sofá ou no trânsito.
Existe também a apneia central, mais rara, em que o problema não é a garganta fechar e sim o cérebro deixar de enviar o comando para respirar. Este guia trata da forma obstrutiva, que é a mais comum.
Sintomas da apneia do sono
Os sinais mais citados vêm de questionários usados para triagem, como o STOP, criado no Canadá e validado contra a polissonografia. Ele pergunta sobre quatro itens:
- Ronco alto, que atravessa a porta fechada.
- Cansaço ou sonolência durante o dia.
- Pausas na respiração observadas por outra pessoa.
- Pressão alta, tratada ou não.
A versão estendida, conhecida como STOP-Bang, soma índice de massa corporal, idade, circunferência do pescoço e sexo. No estudo original, ela identificou 93% das pessoas com apneia moderada a grave e todas as pessoas com a forma grave.
Outros sinais que costumam aparecer: acordar engasgado ou com falta de ar, levantar à noite para urinar com frequência, acordar com a boca seca ou com dor de cabeça e sentir a cabeça mais lenta durante o dia.
Questionário não fecha diagnóstico. A diretriz da Academia Americana de Medicina do Sono recomenda que ferramentas clínicas e questionários não sejam usados para diagnosticar apneia sem um exame do sono. Eles servem para levantar a suspeita.
Quem tem mais chance de ter apneia
O EPISONO, estudo feito em São Paulo com 1.042 adultos de 20 a 80 anos sorteados da população e avaliados com polissonografia, encontrou apneia em 32,8% dos participantes. Os fatores mais associados foram:
- Sexo masculino: homens tiveram cerca de 4 vezes mais chance que mulheres.
- Obesidade: chance cerca de 10 vezes maior que em pessoas com peso normal.
- Idade: a associação cresceu a cada faixa e foi máxima entre 60 e 80 anos.
- Menopausa: em mulheres, a menopausa autorrelatada esteve associada a mais apneia.
O peso tem um papel especialmente claro. Em um estudo que acompanhou 690 adultos em Wisconsin por 4 anos, ganhar 10% do peso se associou a um aumento de cerca de 32% no IAH. Perder 10% do peso se associou a uma queda de cerca de 26%.
O álcool também pesa. Uma metanálise de 21 estudos mostrou que o consumo mais alto de álcool se associou a uma chance 25% maior de apneia. Explicamos o mecanismo em álcool e sono.
Leve, moderada ou grave: como se mede
A gravidade é definida pelo IAH, calculado no exame do sono:
| Classificação | Eventos por hora de sono (IAH) |
|---|---|
| Sem apneia | menos de 5 |
| Leve | 5 a 14 |
| Moderada | 15 a 29 |
| Grave | 30 ou mais |
Junto com o IAH, o médico olha os sintomas, a queda da saturação de oxigênio durante a noite e outras condições de saúde. Duas pessoas com o mesmo IAH podem precisar de abordagens diferentes.
Os exames
- Polissonografia: feita no laboratório do sono, registra cérebro, respiração, oxigênio, coração e movimentos. É o exame padrão.
- Teste domiciliar: um aparelho mais simples usado em casa. A diretriz americana o aceita para adultos sem outras doenças importantes e com sinais de apneia moderada a grave. Se ele vier negativo ou inconclusivo, a recomendação é fazer a polissonografia.
Por que vale cuidar da apneia
A apneia fragmenta o sono e derruba o oxigênio repetidas vezes por noite. Os estudos populacionais a associam a efeitos sobre a cognição, o coração e a pressão arterial, e por isso a pressão alta faz parte dos questionários de triagem. Se você acompanha a sua pressão, veja os valores de referência em pressão arterial normal.
A boa notícia é que a apneia tem várias formas de tratamento, e o sono costuma mudar bastante quando ela é tratada. A diretriz da Academia Americana de Medicina do Sono trata a apneia como uma condição crônica, que pede acompanhamento contínuo, e lista opções como aparelhos de pressão positiva (o CPAP), aparelhos intraorais, mudanças de comportamento e cirurgia. A escolha depende da gravidade e de cada pessoa, e é feita com o médico.
Hábitos que ajudam
- Cuidar do peso, já que pequenas mudanças se refletem no IAH.
- Evitar álcool nas horas antes de deitar.
- Observar se o ronco piora em alguma posição e contar isso ao médico.
- Manter horários regulares e tempo suficiente de sono.
Quando procurar um médico
Converse com um médico se:
- Alguém já viu você parar de respirar ou engasgar dormindo.
- Você ronca alto quase todas as noites.
- Sente sono durante o dia mesmo dormindo 7 horas ou mais, principalmente ao dirigir.
- Tem pressão alta difícil de controlar e ronca.
O caminho costuma começar com clínico geral, otorrinolaringologista, pneumologista ou médico do sono, que avalia e pede o exame adequado.
O que levar para a consulta
- O relato de quem dorme com você: ronco, pausas, engasgos, movimentos.
- Seus horários de sono em uma semana típica, incluindo o fim de semana.
- Como está a sua energia durante o dia e se você já cochilou em situações em que não deveria, como ao volante.
- Medidas de pressão arterial, se você tiver.
- Os remédios que usa e o seu consumo de álcool.
- Se usa anel ou relógio, as tendências de algumas semanas, não uma noite isolada.
Uma gravação de áudio do ronco feita pelo celular também ajuda o médico a entender o padrão. Quanto mais concreto o relato, mais rápida tende a ser a investigação.
Anel detecta apneia? Como acompanhar suas noites
Anéis com oxímetro medem a saturação de oxigênio e a frequência cardíaca durante o sono. Em um estudo piloto com 207 adultos na China, um anel oxímetro comparado à polissonografia identificou apneia (IAH de 5 ou mais) com sensibilidade de 87% e especificidade de 83%. É um resultado promissor, mas de um aparelho específico, em um estudo pequeno.
A leitura correta: um wearable pode mostrar sinais que justificam conversar com o médico, como quedas repetidas de oxigênio, pulso agitado à noite ou sono muito fragmentado. Ele não substitui o exame do sono. Explicamos os limites em anel que mede o sono, e o que a frequência cardíaca de repouso revela.
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Perguntas frequentes
Quais são os primeiros sintomas da apneia do sono?
Ronco alto, pausas na respiração vistas por outra pessoa, engasgos à noite e cansaço ou sono durante o dia. Muitas pessoas só descobrem pelo parceiro de quarto.
Apneia do sono tem cura?
Há várias formas de tratamento, como aparelho de pressão positiva, aparelho intraoral, mudanças de hábitos e cirurgia. Em algumas pessoas, a perda de peso reduz bastante os eventos. A abordagem é definida com o médico.
Como saber se tenho apneia sem fazer exame?
Questionários como o STOP-Bang levantam a suspeita, mas não fecham diagnóstico. A diretriz americana recomenda confirmar com polissonografia ou teste domiciliar.
Apneia do sono é comum no Brasil?
Sim. Em São Paulo, um estudo com polissonografia em adultos de 20 a 80 anos encontrou apneia em 32,8% dos participantes, mais em homens, em pessoas com obesidade e em idades mais altas.
Ronco é sempre apneia?
Não. Muita gente ronca sem ter apneia. O ronco alto e frequente, principalmente com pausas, engasgos ou sono durante o dia, é o que justifica avaliação.
Fontes
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