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Custo das doenças crônicas no Brasil: o que os dados mostram no SUS e nos planos

Hipertensão, diabetes, obesidade e inatividade em números: quanto custam ao SUS, quanto pesam nos planos e onde a prevenção tem retorno.

Publicado4 out 2026
Leitura7 min
Custo das doenças crônicas no Brasil: o que os dados mostram no SUS e nos planos
Resposta direta

O custo das doenças crônicas no Brasil é alto e crescente. Só hipertensão, diabetes e obesidade custaram R$ 3,45 bilhões ao SUS em 2018, em internações, procedimentos ambulatoriais e medicamentos, com 59% atribuídos à hipertensão. Na saúde suplementar, a despesa assistencial cresceu 11% em 2025, e as internações concentraram 41,9% do gasto, segundo a ANS.

Neste texto

  1. Quanto as doenças crônicas custam ao SUS
  2. A inatividade física também tem preço
  3. Quantas pessoas convivem com essas condições
  4. O peso na saúde suplementar
  5. O custo que não aparece na conta hospitalar
  6. Como estimar o custo das crônicas na sua carteira
  7. Onde a prevenção tem retorno
  8. Como a Piantare apoia operadoras
  9. Perguntas frequentes
  10. Fontes

Quanto as doenças crônicas custam ao SUS

O estudo de referência para o custo direto das principais doenças crônicas no SUS foi conduzido por pesquisadores do Ministério da Saúde. Com base em risco relativo e prevalência, estimou o custo atribuível a hipertensão, diabetes e obesidade em internações, procedimentos ambulatoriais e medicamentos distribuídos pelo SUS em 2018 EV B:

ItemValor em 2018
Custo total das três condiçõesR$ 3,45 bilhões (IC 95%: 3,15 a 3,75), mais de US$ 890 milhões
Hipertensão59% do total
Diabetes30% do total
Obesidade11% do total
Faixa de 30 a 69 anos72% do custo
Mulheres56% do custo
Obesidade como fator de risco para hipertensão e diabetesR$ 1,42 bilhão, 41% do total

Dois detalhes importam para quem gere saúde. Primeiro, a maior parte do custo está na idade ativa, não só entre idosos. Segundo, a obesidade aparece pequena quando contada sozinha, mas responde por 41% do total quando se considera seu papel na hipertensão e no diabetes. É uma estimativa conservadora: não inclui doenças cardiovasculares, renais e outros desfechos dessas condições.

A inatividade física também tem preço

Um estudo com dados de internações do SUS em 2013, para sete causas ligadas à inatividade física, como doença isquêmica do coração, doença cerebrovascular, hipertensão, diabetes, osteoporose e cânceres de cólon e de mama, estimou que cerca de 15% dos custos dessas internações estavam ligados à inatividade física. A doença isquêmica do coração liderou os custos atribuíveis em todas as regiões e nos dois sexos EV B.

Em escala global, a inatividade física custou cerca de INT$ 53,8 bilhões aos sistemas de saúde em 2013, em estimativa conservadora para 142 países, mais INT$ 13,7 bilhões em perdas de produtividade e 13,4 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade. Países de renda média e baixa concentraram 75% da carga de doença, enquanto os de alta renda concentraram 80,8% dos custos de saúde EV A. O Brasil, país de renda média, está no grupo que concentra a carga de doença.

Para o gestor, a mensagem é que movimento é uma das alavancas mais baratas e com efeito sobre várias doenças ao mesmo tempo. Ao contrário de um medicamento para uma doença específica, mais atividade física atua ao mesmo tempo sobre pressão, glicemia, peso, sono e humor.

Quantas pessoas convivem com essas condições

O custo acompanha a prevalência. O Vigitel 2023, inquérito do Ministério da Saúde com adultos das 27 capitais, mostra a dimensão EV A:

IndicadorTotalMulheresHomens
Diagnóstico médico de hipertensão27,9%29,3%26,4%
Diagnóstico médico de diabetes10,2%11,1%9,1%
Obesidade24,3%24,8%23,8%
Excesso de peso61,4%59,6%63,4%
Atividade física no tempo livre suficiente40,6%36,2%45,8%

A hipertensão e o diabetes aumentam com a idade e diminuem com a escolaridade. Como são autorreferidos, esses números subestimam quem tem a condição e ainda não sabe. Por isso rastreamento e acompanhamento são parte do controle de custo, não só do cuidado. Valores de referência estão em pressão arterial normal.

O peso na saúde suplementar

Os dados de 2025 da ANS mostram a pressão crescente sobre os planos EV A:

A ANS não decompõe a despesa por doença crônica nesses relatórios, mas o padrão é coerente com uma população que envelhece e acumula condições cardiometabólicas. A gestão dessa despesa é o tema de sinistralidade em planos de saúde.

Uso por beneficiário em alta

O Mapa Assistencial também mostra mudança de padrão por pessoa. Em 2025, a média de exames ambulatoriais chegou a 23,5 por beneficiário e a de internações, a 0,196 por beneficiário, os maiores valores da série iniciada em 2019. Já as consultas médicas por beneficiário, 5,5 no ano, e as terapias ambulatoriais seguem abaixo do nível anterior à pandemia. Mais exames e mais internações com menos consultas é o retrato de um cuidado que reage ao evento, em vez de acompanhar a condição.

O custo que não aparece na conta hospitalar

O custo direto é só parte da conta. Doenças crônicas reduzem produtividade, geram afastamentos e transferem carga de cuidado para as famílias. Um estudo de modelagem estimou que o consumo excessivo de sódio, por meio da hipertensão, gerou US$ 752,7 milhões em perdas de produtividade no Brasil em 2017, além de US$ 192,1 milhões em custos diretos do SUS com hipertensão atribuível ao sódio EV C.

No trabalho, condições como hipertensão e doença cardíaca estão entre as de maior carga econômica por funcionário, e boa parte dela vem do presenteísmo, a produtividade reduzida de quem trabalha doente. Veja como medir em indicadores de saúde corporativa.

Como estimar o custo das crônicas na sua carteira

Operadoras, autogestões e empresas podem adaptar a lógica dos estudos de custo atribuível à própria população:

  1. Identifique a prevalência. Use diagnósticos registrados, uso de medicamentos e exames de rotina. Compare com o Vigitel para perceber subnotificação.
  2. Separe o custo por pessoa com e sem a condição. Compare grupos de mesma idade e sexo para não atribuir à doença o que é efeito do envelhecimento.
  3. Olhe para os desfechos. Internações cardiovasculares, renais e por complicações do diabetes são o custo que a prevenção quer evitar.
  4. Some o indireto quando fizer sentido. Para empresas, afastamentos e presenteísmo entram na conta.

Esse exercício tende a mostrar que um grupo relativamente pequeno de pessoas, com condições mal controladas, concentra boa parte do gasto. É o ponto de partida da gestão de saúde populacional.

Onde a prevenção tem retorno

Nem toda prevenção economiza no curto prazo, mas há alavancas com evidência consistente:

O ponto comum é a continuidade. Doença crônica é, por definição, longa; ações pontuais rendem pouco. O que reduz custo é acompanhar a pessoa ao longo do tempo, com dados e uma equipe que age quando algo muda.

Retorno não é só financeiro

Para o SUS, para as operadoras e para as empresas, a conta não se resume a internações evitadas. Uma pessoa com pressão e glicemia controladas trabalha melhor, cuida melhor da família e chega aos 60 e 70 anos com mais autonomia. É esse ganho em anos vividos com saúde que justifica investir em prevenção mesmo quando o retorno financeiro demora mais que um ciclo de contrato.

Como a Piantare apoia operadoras

A Piantare é uma infraestrutura de saúde e longevidade: une exames, DNA, wearables e hábitos num lugar só e traduz esses dados em decisões. No programa Piantare para Operadoras, o beneficiário reúne seus dados no Open Health e acompanha um Score de Vitalidade de 0 a 100, com monitoramento contínuo e jornadas de prevenção em sono, movimento, saúde cardiometabólica e 60+. A operadora recebe painéis agregados e anonimizados para planejar o cuidado da carteira. Os dados nunca são usados para seleção na contratação, como determina o art. 11, § 5º, da LGPD. A jornada cardiometabólica acompanha sono, atividade e frequência cardíaca, sinais ligados às condições que mais pesam no custo. O trabalho começa por um piloto com indicadores combinados antes de qualquer escala.

Perguntas frequentes

Quanto o SUS gasta com hipertensão, diabetes e obesidade?

Um estudo estimou R$ 3,45 bilhões em 2018, considerando internações, procedimentos ambulatoriais e medicamentos. A hipertensão respondeu por 59% do total.

Qual doença crônica custa mais ao SUS?

Entre hipertensão, diabetes e obesidade, a hipertensão teve o maior custo atribuível em 2018. Nas internações ligadas à inatividade física, a doença isquêmica do coração liderou os custos.

Quantos brasileiros têm hipertensão?

Segundo o Vigitel 2023, 27,9% dos adultos das capitais referiram diagnóstico médico de hipertensão. O número real tende a ser maior, porque parte das pessoas não sabe que tem.

Por que a obesidade parece custar pouco nos estudos?

Quando contada isoladamente, a obesidade respondeu por 11% do custo em 2018. Considerada como fator de risco para hipertensão e diabetes, chegou a 41% do total.

A prevenção reduz o custo das doenças crônicas?

Há evidência de redução de internações evitáveis com atenção primária forte e de economia estimada com políticas de alimentação. O efeito depende de continuidade e de foco em quem tem maior necessidade.

Fontes

  1. Nilson EAF, Andrade RCS, Brito DA, Oliveira ML. Custos atribuíveis a obesidade, hipertensão e diabetes no Sistema Único de Saúde, Brasil, 2018. Revista Panamericana de Salud Pública, 2020;44:e32. doi.org/10.26633/RPSP.2020.32 · Evidência B
  2. Bielemann RM, Silva BGC, Coll CVN et al. Burden of physical inactivity and hospitalization costs due to chronic diseases. Revista de Saúde Pública, 2015;49:75. doi.org/10.1590/S0034-8910.2015049005650 · Evidência B
  3. Ding D, Lawson KD, Kolbe-Alexander TL et al. The economic burden of physical inactivity: a global analysis of major non-communicable diseases. Lancet, 2016;388(10051):1311-24. doi.org/10.1016/S0140-6736(16)30383-X · Evidência A
  4. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2023: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2023.pdf · Evidência A
  5. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Planos de saúde registram 2 bilhões de procedimentos em 2025 (Mapa Assistencial). 30 jun. 2026; ANS divulga a 11ª edição do Panorama Saúde Suplementar. 2 jul. 2026. www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/numeros-do-setor/planos-de-saude-registram-2-bilhoes-de-procedimentos-em-2025 · Evidência A
  6. Nilson EAF, Metlzer AB, Labonté ME, Jaime PC. Modelling the effect of compliance with WHO salt recommendations on cardiovascular disease mortality and costs in Brazil. PLoS One, 2020;15(7):e0235514. doi.org/10.1371/journal.pone.0235514 · Evidência C
  7. Nilson EAF, Pearson-Stuttard J, Collins B et al. Estimated health and economic effects of different salt reduction strategies on cardiovascular disease in Brazil: a microsimulation analysis. Scientific Reports, 2026;16(1). doi.org/10.1038/s41598-026-49991-1 · Evidência C
  8. Macinko J, Dourado I, Aquino R et al. Major expansion of primary care in Brazil linked to decline in unnecessary hospitalization. Health Affairs, 2010;29(12):2149-60. doi.org/10.1377/hlthaff.2010.0251 · Evidência B

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