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Custo das doenças crônicas no Brasil: o que os dados mostram no SUS e nos planos
Hipertensão, diabetes, obesidade e inatividade em números: quanto custam ao SUS, quanto pesam nos planos e onde a prevenção tem retorno.

O custo das doenças crônicas no Brasil é alto e crescente. Só hipertensão, diabetes e obesidade custaram R$ 3,45 bilhões ao SUS em 2018, em internações, procedimentos ambulatoriais e medicamentos, com 59% atribuídos à hipertensão. Na saúde suplementar, a despesa assistencial cresceu 11% em 2025, e as internações concentraram 41,9% do gasto, segundo a ANS.
Neste texto
- Quanto as doenças crônicas custam ao SUS
- A inatividade física também tem preço
- Quantas pessoas convivem com essas condições
- O peso na saúde suplementar
- O custo que não aparece na conta hospitalar
- Como estimar o custo das crônicas na sua carteira
- Onde a prevenção tem retorno
- Como a Piantare apoia operadoras
- Perguntas frequentes
- Fontes
Quanto as doenças crônicas custam ao SUS
O estudo de referência para o custo direto das principais doenças crônicas no SUS foi conduzido por pesquisadores do Ministério da Saúde. Com base em risco relativo e prevalência, estimou o custo atribuível a hipertensão, diabetes e obesidade em internações, procedimentos ambulatoriais e medicamentos distribuídos pelo SUS em 2018 EV B:
| Item | Valor em 2018 |
|---|---|
| Custo total das três condições | R$ 3,45 bilhões (IC 95%: 3,15 a 3,75), mais de US$ 890 milhões |
| Hipertensão | 59% do total |
| Diabetes | 30% do total |
| Obesidade | 11% do total |
| Faixa de 30 a 69 anos | 72% do custo |
| Mulheres | 56% do custo |
| Obesidade como fator de risco para hipertensão e diabetes | R$ 1,42 bilhão, 41% do total |
Dois detalhes importam para quem gere saúde. Primeiro, a maior parte do custo está na idade ativa, não só entre idosos. Segundo, a obesidade aparece pequena quando contada sozinha, mas responde por 41% do total quando se considera seu papel na hipertensão e no diabetes. É uma estimativa conservadora: não inclui doenças cardiovasculares, renais e outros desfechos dessas condições.
A inatividade física também tem preço
Um estudo com dados de internações do SUS em 2013, para sete causas ligadas à inatividade física, como doença isquêmica do coração, doença cerebrovascular, hipertensão, diabetes, osteoporose e cânceres de cólon e de mama, estimou que cerca de 15% dos custos dessas internações estavam ligados à inatividade física. A doença isquêmica do coração liderou os custos atribuíveis em todas as regiões e nos dois sexos EV B.
Em escala global, a inatividade física custou cerca de INT$ 53,8 bilhões aos sistemas de saúde em 2013, em estimativa conservadora para 142 países, mais INT$ 13,7 bilhões em perdas de produtividade e 13,4 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade. Países de renda média e baixa concentraram 75% da carga de doença, enquanto os de alta renda concentraram 80,8% dos custos de saúde EV A. O Brasil, país de renda média, está no grupo que concentra a carga de doença.
Para o gestor, a mensagem é que movimento é uma das alavancas mais baratas e com efeito sobre várias doenças ao mesmo tempo. Ao contrário de um medicamento para uma doença específica, mais atividade física atua ao mesmo tempo sobre pressão, glicemia, peso, sono e humor.
Quantas pessoas convivem com essas condições
O custo acompanha a prevalência. O Vigitel 2023, inquérito do Ministério da Saúde com adultos das 27 capitais, mostra a dimensão EV A:
| Indicador | Total | Mulheres | Homens |
|---|---|---|---|
| Diagnóstico médico de hipertensão | 27,9% | 29,3% | 26,4% |
| Diagnóstico médico de diabetes | 10,2% | 11,1% | 9,1% |
| Obesidade | 24,3% | 24,8% | 23,8% |
| Excesso de peso | 61,4% | 59,6% | 63,4% |
| Atividade física no tempo livre suficiente | 40,6% | 36,2% | 45,8% |
A hipertensão e o diabetes aumentam com a idade e diminuem com a escolaridade. Como são autorreferidos, esses números subestimam quem tem a condição e ainda não sabe. Por isso rastreamento e acompanhamento são parte do controle de custo, não só do cuidado. Valores de referência estão em pressão arterial normal.
O peso na saúde suplementar
Os dados de 2025 da ANS mostram a pressão crescente sobre os planos EV A:
- As receitas de mensalidades somaram R$ 344,6 bilhões e as despesas assistenciais, R$ 276,9 bilhões.
- A despesa assistencial cresceu 11% em valores nominais e 6,6% acima da inflação medida pelo IPCA.
- As internações foram 0,49% dos procedimentos e 41,9% das despesas assistenciais.
- As internações cirúrgicas cresceram 11,8%, com destaque para procedimentos cardiovasculares, como implante de marcapasso, alta de 15,1%, e de cardiodesfibrilador implantável, alta de 20,2%.
- As internações por neoplasias subiram 15,7%, e a endocrinologia teve o maior crescimento de consultas entre as especialidades, de 5,9%.
A ANS não decompõe a despesa por doença crônica nesses relatórios, mas o padrão é coerente com uma população que envelhece e acumula condições cardiometabólicas. A gestão dessa despesa é o tema de sinistralidade em planos de saúde.
Uso por beneficiário em alta
O Mapa Assistencial também mostra mudança de padrão por pessoa. Em 2025, a média de exames ambulatoriais chegou a 23,5 por beneficiário e a de internações, a 0,196 por beneficiário, os maiores valores da série iniciada em 2019. Já as consultas médicas por beneficiário, 5,5 no ano, e as terapias ambulatoriais seguem abaixo do nível anterior à pandemia. Mais exames e mais internações com menos consultas é o retrato de um cuidado que reage ao evento, em vez de acompanhar a condição.
O custo que não aparece na conta hospitalar
O custo direto é só parte da conta. Doenças crônicas reduzem produtividade, geram afastamentos e transferem carga de cuidado para as famílias. Um estudo de modelagem estimou que o consumo excessivo de sódio, por meio da hipertensão, gerou US$ 752,7 milhões em perdas de produtividade no Brasil em 2017, além de US$ 192,1 milhões em custos diretos do SUS com hipertensão atribuível ao sódio EV C.
No trabalho, condições como hipertensão e doença cardíaca estão entre as de maior carga econômica por funcionário, e boa parte dela vem do presenteísmo, a produtividade reduzida de quem trabalha doente. Veja como medir em indicadores de saúde corporativa.
Como estimar o custo das crônicas na sua carteira
Operadoras, autogestões e empresas podem adaptar a lógica dos estudos de custo atribuível à própria população:
- Identifique a prevalência. Use diagnósticos registrados, uso de medicamentos e exames de rotina. Compare com o Vigitel para perceber subnotificação.
- Separe o custo por pessoa com e sem a condição. Compare grupos de mesma idade e sexo para não atribuir à doença o que é efeito do envelhecimento.
- Olhe para os desfechos. Internações cardiovasculares, renais e por complicações do diabetes são o custo que a prevenção quer evitar.
- Some o indireto quando fizer sentido. Para empresas, afastamentos e presenteísmo entram na conta.
Esse exercício tende a mostrar que um grupo relativamente pequeno de pessoas, com condições mal controladas, concentra boa parte do gasto. É o ponto de partida da gestão de saúde populacional.
Onde a prevenção tem retorno
Nem toda prevenção economiza no curto prazo, mas há alavancas com evidência consistente:
- Atenção primária. Na expansão do Programa Saúde da Família, os municípios com alta cobertura tiveram 13% menos internações por doenças crônicas sensíveis à atenção primária do que os de baixa cobertura EV B.
- Políticas de alimentação. Uma microssimulação para 2019 a 2038 estimou economia de Int$ 0,8 bilhão no tratamento de doenças cardiovasculares no SUS mantendo as metas voluntárias de sódio, e até Int$ 2,2 bilhões com a substituição universal do sal comum por sal com 10% de potássio EV C.
- Movimento e acompanhamento. Como cerca de 15% dos custos de internação por causas ligadas ao sedentarismo são atribuíveis à inatividade, programas que aumentam atividade de forma sustentada atacam várias doenças de uma vez.
O ponto comum é a continuidade. Doença crônica é, por definição, longa; ações pontuais rendem pouco. O que reduz custo é acompanhar a pessoa ao longo do tempo, com dados e uma equipe que age quando algo muda.
Retorno não é só financeiro
Para o SUS, para as operadoras e para as empresas, a conta não se resume a internações evitadas. Uma pessoa com pressão e glicemia controladas trabalha melhor, cuida melhor da família e chega aos 60 e 70 anos com mais autonomia. É esse ganho em anos vividos com saúde que justifica investir em prevenção mesmo quando o retorno financeiro demora mais que um ciclo de contrato.
Como a Piantare apoia operadoras
A Piantare é uma infraestrutura de saúde e longevidade: une exames, DNA, wearables e hábitos num lugar só e traduz esses dados em decisões. No programa Piantare para Operadoras, o beneficiário reúne seus dados no Open Health e acompanha um Score de Vitalidade de 0 a 100, com monitoramento contínuo e jornadas de prevenção em sono, movimento, saúde cardiometabólica e 60+. A operadora recebe painéis agregados e anonimizados para planejar o cuidado da carteira. Os dados nunca são usados para seleção na contratação, como determina o art. 11, § 5º, da LGPD. A jornada cardiometabólica acompanha sono, atividade e frequência cardíaca, sinais ligados às condições que mais pesam no custo. O trabalho começa por um piloto com indicadores combinados antes de qualquer escala.
Perguntas frequentes
Quanto o SUS gasta com hipertensão, diabetes e obesidade?
Um estudo estimou R$ 3,45 bilhões em 2018, considerando internações, procedimentos ambulatoriais e medicamentos. A hipertensão respondeu por 59% do total.
Qual doença crônica custa mais ao SUS?
Entre hipertensão, diabetes e obesidade, a hipertensão teve o maior custo atribuível em 2018. Nas internações ligadas à inatividade física, a doença isquêmica do coração liderou os custos.
Quantos brasileiros têm hipertensão?
Segundo o Vigitel 2023, 27,9% dos adultos das capitais referiram diagnóstico médico de hipertensão. O número real tende a ser maior, porque parte das pessoas não sabe que tem.
Por que a obesidade parece custar pouco nos estudos?
Quando contada isoladamente, a obesidade respondeu por 11% do custo em 2018. Considerada como fator de risco para hipertensão e diabetes, chegou a 41% do total.
A prevenção reduz o custo das doenças crônicas?
Há evidência de redução de internações evitáveis com atenção primária forte e de economia estimada com políticas de alimentação. O efeito depende de continuidade e de foco em quem tem maior necessidade.
Fontes
- Nilson EAF, Andrade RCS, Brito DA, Oliveira ML. Custos atribuíveis a obesidade, hipertensão e diabetes no Sistema Único de Saúde, Brasil, 2018. Revista Panamericana de Salud Pública, 2020;44:e32. doi.org/10.26633/RPSP.2020.32 · Evidência B
- Bielemann RM, Silva BGC, Coll CVN et al. Burden of physical inactivity and hospitalization costs due to chronic diseases. Revista de Saúde Pública, 2015;49:75. doi.org/10.1590/S0034-8910.2015049005650 · Evidência B
- Ding D, Lawson KD, Kolbe-Alexander TL et al. The economic burden of physical inactivity: a global analysis of major non-communicable diseases. Lancet, 2016;388(10051):1311-24. doi.org/10.1016/S0140-6736(16)30383-X · Evidência A
- Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2023: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2023.pdf · Evidência A
- Agência Nacional de Saúde Suplementar. Planos de saúde registram 2 bilhões de procedimentos em 2025 (Mapa Assistencial). 30 jun. 2026; ANS divulga a 11ª edição do Panorama Saúde Suplementar. 2 jul. 2026. www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/numeros-do-setor/planos-de-saude-registram-2-bilhoes-de-procedimentos-em-2025 · Evidência A
- Nilson EAF, Metlzer AB, Labonté ME, Jaime PC. Modelling the effect of compliance with WHO salt recommendations on cardiovascular disease mortality and costs in Brazil. PLoS One, 2020;15(7):e0235514. doi.org/10.1371/journal.pone.0235514 · Evidência C
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