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Indicadores de saúde corporativa: o que o RH deve medir e como

Absenteísmo, presenteísmo, afastamentos, sinistralidade e prevalências: uma cesta de indicadores para gerir saúde na empresa com a nova NR-1 em vigor.

Publicado11 out 2026
Leitura7 min
Indicadores de saúde corporativa: o que o RH deve medir e como
Resposta direta

Indicadores de saúde corporativa são as métricas que mostram como a saúde dos funcionários afeta pessoas e negócio: absenteísmo, presenteísmo, afastamentos, sinistralidade do plano e prevalência de condições crônicas. O tema ganhou urgência: a Previdência concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais em 2025, alta de 15,66% sobre 2024, e a NR-1 passou a exigir gestão dos riscos psicossociais.

Neste texto

  1. Por que medir saúde virou pauta de RH
  2. A cesta de indicadores
  3. Fatores psicossociais: o que a NR-1 pede na prática
  4. Presenteísmo: o custo que não aparece na folha
  5. Prevalências: o ponto de partida brasileiro
  6. O que esperar dos programas de bem-estar
  7. Privacidade: o RH vê o agregado, nunca o indivíduo
  8. Como a Piantare apoia operadoras
  9. Perguntas frequentes
  10. Fontes

Por que medir saúde virou pauta de RH

Três movimentos colocaram a saúde no painel do RH. O primeiro é o custo do plano de saúde, um dos benefícios de maior peso para a empresa; em 2025, o reajuste médio dos contratos coletivos médico-hospitalares foi de 10,76%, segundo a ANS, e de 14,24% nos contratos com menos de 30 vidas EV A.

O segundo é a saúde mental. Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais, contra 472.328 em 2024, alta de 15,66%. Transtornos ansiosos somaram 166.489 benefícios e episódios depressivos, 126.608 EV A.

O terceiro é regulatório. A nova redação do capítulo 1.5 da NR-1, aprovada pela Portaria MTE nº 1.419/2024 e com vigência a partir de 26 de maio de 2026 pela Portaria MTE nº 765/2025, passou a incluir expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais EV A. Medir deixou de ser opcional para parte do tema.

A cesta de indicadores

Uma boa cesta combina indicadores de pessoas, de saúde e de custo, cada um com fonte e frequência definidas:

IndicadorComo calcularFonteFrequência
Absenteísmo por doençaHoras ou dias perdidos por motivo de saúde ÷ horas ou dias previstosFolha e atestadosMensal
Afastamentos acima de 15 diasNúmero e duração, por grupo de CIDFolha e PrevidênciaMensal
PresenteísmoDesempenho autorrelatado em questionário validadoPesquisa anônimaSemestral
Fatores psicossociaisInventário e avaliação de riscos do GROPGR da NR-1Conforme o PGR
Sinistralidade do contratoDespesa assistencial ÷ prêmio pagoRelatório da operadoraMensal
PrevalênciasHipertensão, diabetes, obesidade, sono e atividade física, em dados agregadosExames periódicos, operadora, programasAnual
Participação em programasAdesão e permanência em ações de saúdeProgramasTrimestral

A cesta precisa de poucos indicadores bem medidos, não de muitos mal definidos. Comece por absenteísmo, afastamentos, sinistralidade e uma medida de presenteísmo.

Cuidados de cálculo

Fatores psicossociais: o que a NR-1 pede na prática

O guia do Ministério do Trabalho sobre o tema explica que o GRO deve abranger os riscos de agentes físicos, químicos e biológicos, de acidentes e os fatores ergonômicos, incluindo os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho, integrados ao inventário de riscos. O próprio guia frisa a expressão relacionados ao trabalho: aspectos psicossociais fora do campo do trabalho não entram no GRO EV A.

A listagem exemplificativa do guia inclui assédio de qualquer natureza, má gestão de mudanças organizacionais, baixa clareza de papel, baixas recompensas e reconhecimento, falta de suporte, baixo controle e falta de autonomia, baixa justiça organizacional, eventos violentos ou traumáticos, subcarga e sobrecarga, maus relacionamentos, dificuldade de comunicação e trabalho remoto e isolado.

Para o painel do RH, isso se traduz em indicadores de exposição, vindos da avaliação de riscos e de pesquisas de clima, ao lado dos indicadores de efeito, como afastamentos por transtornos mentais. Olhar só o efeito chega tarde. A relação entre trabalho e esgotamento é tema de síndrome de burnout.

Presenteísmo: o custo que não aparece na folha

Presenteísmo é trabalhar com a produtividade reduzida por um problema de saúde. Ele não gera atestado, por isso escapa dos relatórios tradicionais.

Uma síntese de dados de custos médicos, absenteísmo e pesquisas de produtividade de empregadores americanos estimou que o presenteísmo representou de 18% a 60% do custo total em dez condições de saúde. Em quase todas, superou o custo médico. Hipertensão, doença cardíaca, depressão e artrite estavam entre as condições de maior carga econômica por funcionário EV B.

Para medir, use instrumentos validados. O Health and Work Performance Questionnaire, da Organização Mundial da Saúde, estima desempenho no trabalho, faltas e acidentes por autorrelato e mostrou boa concordância com registros de desempenho e absenteísmo das empresas em quatro grupos ocupacionais EV B. Aplique de forma anônima e reporte só em agregado.

Prevalências: o ponto de partida brasileiro

Sem dados da própria empresa, use a população adulta como referência. O Vigitel 2023, inquérito telefônico do Ministério da Saúde nas 27 capitais, estimou EV A:

Condição ou hábitoAdultos nas capitais
Diagnóstico médico de hipertensão27,9%
Diagnóstico médico de diabetes10,2%
Obesidade24,3%
Excesso de peso61,4%
Atividade física no tempo livre de 150 minutos por semana ou mais40,6%

Numa empresa de mil pessoas com perfil semelhante ao das capitais, isso sugere centenas de pessoas com hipertensão diagnosticada e a maioria abaixo da recomendação de atividade. A comparação entre a sua população e essa referência mostra onde concentrar esforço. O custo dessas condições para o sistema é tema de custo das doenças crônicas no Brasil.

O que esperar dos programas de bem-estar

Medir bem também protege contra promessas exageradas. No maior ensaio randomizado do tema, com 32.974 funcionários em 160 locais de trabalho de uma rede varejista, um programa de oito módulos sobre nutrição, atividade física e estresse aumentou a prática declarada de exercício em 8,3 pontos percentuais e o controle ativo de peso em 13,6 pontos. Não mudou marcadores clínicos, gasto em saúde, absenteísmo nem desempenho em 18 meses EV A.

A leitura para o RH: programas genéricos mudam hábitos declarados, mas custo e absenteísmo respondem a ações dirigidas a quem tem mais necessidade e conectadas ao cuidado. A evidência específica de monitores de atividade está em wearables em planos de saúde.

Como ligar indicador e ação

Cada indicador do painel deveria ter uma ação associada e um responsável. Afastamentos por transtornos mentais em alta numa área pedem revisão dos fatores psicossociais daquela área, não uma palestra para a empresa inteira. Sinistralidade puxada por internações cardiometabólicas pede conversa com a operadora sobre linha de cuidado e atenção primária. Prevalência alta de sedentarismo pede ações de movimento com acompanhamento, e não só acesso a academia.

Revise o painel trimestralmente com o médico do trabalho, a operadora e a liderança. Registre o que foi feito e compare o antes e o depois na mesma população. Com o tempo, a empresa passa a ter evidência própria do que funciona para os seus funcionários, que vale mais que qualquer referência externa.

Privacidade: o RH vê o agregado, nunca o indivíduo

Dados de saúde são dados pessoais sensíveis pela LGPD. Para indicadores corporativos, a regra prática é simples: o RH recebe painéis agregados e anonimizados, com grupos grandes o bastante para impedir identificação, e nunca dados clínicos individuais. Quem cuida da pessoa, como o médico do trabalho ou a equipe de saúde, acessa o individual no limite da sua função e do sigilo profissional.

Essa separação também aumenta a adesão. Funcionários participam mais de programas e pesquisas quando confiam que a informação não será usada contra eles. Para empresas que querem reconhecimento público, a Lei nº 14.831/2024 instituiu o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental EV A. A base legal dos direitos do titular está em quem é dono dos seus dados de saúde.

Como a Piantare apoia operadoras

A Piantare é uma infraestrutura de saúde e longevidade: une exames, DNA, wearables e hábitos num lugar só e traduz esses dados em decisões. No programa Piantare para Operadoras, o beneficiário reúne seus dados no Open Health e acompanha um Score de Vitalidade de 0 a 100, com monitoramento contínuo e jornadas de prevenção em sono, movimento, saúde cardiometabólica e 60+. A operadora recebe painéis agregados e anonimizados para planejar o cuidado da carteira. Os dados nunca são usados para seleção na contratação, como determina o art. 11, § 5º, da LGPD. Para empresas contratantes, a operadora pode compartilhar indicadores agregados de sono, atividade e saúde cardiometabólica da população, sem identificar ninguém. O trabalho começa por um piloto com indicadores combinados antes de qualquer escala.

Perguntas frequentes

Quais são os principais indicadores de saúde corporativa?

Absenteísmo por doença, afastamentos por grupo de CID, presenteísmo, fatores psicossociais do GRO, sinistralidade do contrato, prevalências em agregado e participação em programas.

Como medir presenteísmo?

Com questionário validado e anônimo, como o Health and Work Performance Questionnaire da OMS, reportado só em dados agregados.

A NR-1 obriga a medir saúde mental?

A NR-1 passou a exigir que os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho entrem no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, com vigência a partir de 26 de maio de 2026.

O RH pode ver os exames dos funcionários?

Não deve. Dados de saúde são sensíveis pela LGPD. O RH deve receber apenas indicadores agregados e anonimizados.

Programas de bem-estar reduzem absenteísmo?

Programas genéricos tiveram efeito pequeno. No maior ensaio randomizado, não houve mudança em absenteísmo ou gasto em 18 meses.

Fontes

  1. Agência Gov / Ministério da Previdência Social. Previdência Social concede 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais. Jan. 2026. agenciagov.ebc.com.br/noticias/202601/previdencia-social-concede-546-254-beneficios-por-incapacidade-temporaria-por-transtornos-mentais-e-comportamentais · Evidência A
  2. Ministério do Trabalho e Emprego. NR-01: Disposições gerais e gerenciamento de riscos ocupacionais (redação da Portaria MTE nº 1.419/2024; vigência pela Portaria MTE nº 765/2025) e Guia de informações sobre os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho, 2025. www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes/nr-01-atualizada-2025-i.pdf · Evidência A
  3. Goetzel RZ, Long SR, Ozminkowski RJ et al. Health, absence, disability, and presenteeism cost estimates of certain physical and mental health conditions affecting U.S. employers. Journal of Occupational and Environmental Medicine, 2004;46(4):398-412. doi.org/10.1097/01.jom.0000121151.40413.bd · Evidência B
  4. Kessler RC, Barber C, Beck A et al. The World Health Organization Health and Work Performance Questionnaire (HPQ). Journal of Occupational and Environmental Medicine, 2003;45(2):156-74. doi.org/10.1097/01.jom.0000052967.43131.51 · Evidência B
  5. Song Z, Baicker K. Effect of a workplace wellness program on employee health and economic outcomes: a randomized clinical trial. JAMA, 2019;321(15):1491-1501. doi.org/10.1001/jama.2019.3307 · Evidência A
  6. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2023: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2023.pdf · Evidência A
  7. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Reajuste de planos coletivos: ANS confirma tendência de desaceleração dos percentuais. 8 mai. 2026. www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/numeros-do-setor/reajuste-de-planos-coletivos-ans-confirma-tendencia-de-desaceleracao-dos-percentuais · Evidência A
  8. Lei nº 14.831, de 27 de março de 2024. Institui o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental. www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2024/lei-14831-27-marco-2024-795429-publicacaooriginal-171371-pl.html · Evidência A

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