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Pressão arterial normal por idade: a tabela de 2025 e como medir
A diretriz brasileira de 2025 mudou o que conta como pressão normal. Veja a tabela e como medir em casa.

Pela Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, a pressão normal em adultos fica abaixo de 120 por 80 mmHg (12 por 8). De 120 a 139 por 80 a 89 mmHg é pré-hipertensão, e a partir de 140 por 90 mmHg, confirmada em duas ocasiões, é hipertensão. A referência é a mesma a partir dos 18 anos.
Neste texto
- O que os dois números da pressão significam
- Tabela de pressão arterial normal (diretriz 2025)
- Pressão normal muda com a idade?
- Como medir a pressão em casa do jeito certo
- Avental branco e hipertensão mascarada
- Hábitos que baixam a pressão
- Quando procurar o médico
- Como acompanhar a sua pressão
- Perguntas frequentes
- Fontes
O que os dois números da pressão significam
A pressão arterial é a força que o sangue faz contra a parede das artérias. O primeiro número, a pressão sistólica, é medido no momento em que o coração contrai. O segundo, a diastólica, é medido quando o coração relaxa entre um batimento e outro. A unidade é o milímetro de mercúrio (mmHg). Quando alguém diz "12 por 8", fala de 120 por 80 mmHg.
A pressão varia ao longo do dia. Ela sobe com esforço, café, frio, dor e conversa, e cai durante o sono. Por isso, uma medida isolada diz pouco. O que interessa é o padrão de várias medidas feitas do jeito certo.
A relação entre pressão e saúde vascular é contínua. Uma metanálise publicada no Lancet, com 1 milhão de adultos em 61 estudos, mostrou que pressões mais baixas se associam a melhor saúde do coração e do cérebro sem um ponto de corte claro, pelo menos até 115 por 75 mmHg. Entre 40 e 69 anos, cada 20 mmHg a menos de sistólica correspondeu a cerca de metade dos desfechos vasculares graves, como AVC e infarto.
Tabela de pressão arterial normal (diretriz 2025)
A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, publicada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia com a Sociedade Brasileira de Hipertensão e a Sociedade Brasileira de Nefrologia, classifica a pressão medida no consultório assim:
| Classificação | Sistólica (mmHg) | Diastólica (mmHg) |
|---|---|---|
| Normal | abaixo de 120 | e abaixo de 80 |
| Pré-hipertensão | 120 a 139 | e/ou 80 a 89 |
| Hipertensão estágio 1 | 140 a 159 | e/ou 90 a 99 |
| Hipertensão estágio 2 | 160 a 179 | e/ou 100 a 109 |
| Hipertensão estágio 3 | 180 ou mais | e/ou 110 ou mais |
Fonte: Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, 2025. Vale a partir dos 18 anos.
O que mudou em relação a 2020
A categoria "pressão ótima" deixou de existir. Valores de 120 a 129 por 80 a 84 mmHg, antes chamados de normais, agora entram na pré-hipertensão. A ideia, segundo a diretriz, é identificar mais cedo quem pode se beneficiar de mudanças de hábito antes que a pressão suba. O diagnóstico de hipertensão continua a partir de 140 por 90 mmHg em duas ocasiões diferentes.
Pressão normal muda com a idade?
A régua não muda. A diretriz usa a mesma classificação para todos os adultos, aos 25 ou aos 75 anos. O que muda com a idade é a frequência com que a pressão sai da faixa normal.
As artérias perdem elasticidade com os anos, e a sistólica tende a subir. Segundo a diretriz, a prevalência de hipertensão aumenta de forma quase linear com a idade e chegou a 65,1% das pessoas acima de 65 anos em 2023. Os homens têm mais hipertensão do que as mulheres a partir do fim da adolescência, mas a pressão das mulheres sobe de forma mais acentuada com a idade.
No conjunto dos adultos brasileiros, o inquérito telefônico VIGITEL registrou 27,9% de hipertensão autorreferida em 2023. Como o dado depende do que a pessoa sabe sobre si, o número real tende a ser maior. No ELSA-Brasil, com mais de 15 mil servidores públicos de 35 a 74 anos medidos com aparelho, a prevalência foi de 36,2%.
Uma pressão que sobe com a idade é comum, mas não é inevitável nem inofensiva. A meta de tratamento da diretriz para a maioria dos idosos com hipertensão é a mesma dos mais jovens: abaixo de 130 por 80 mmHg, ajustada pelo médico conforme a tolerância de cada pessoa.
Como medir a pressão em casa do jeito certo
A diretriz recomenda aparelho automático de braço, validado, com manguito do tamanho do seu braço. Manguito pequeno demais superestima a pressão. Os aparelhos de punho ficam para quando a medida no braço é difícil.
Para a monitorização residencial (MRPA), o protocolo da diretriz é este:
- meça por 4 a 6 dias seguidos dentro de uma semana;
- faça três medidas pela manhã e três à noite;
- a média abaixo de 130 por 80 mmHg é considerada normal em casa.
Alguns cuidados deixam o número mais fiel:
- sente com as costas apoiadas e os pés no chão, sem cruzar as pernas;
- apoie o braço na altura do coração;
- descanse alguns minutos antes e não converse durante a medida;
- evite café, cigarro e exercício na meia hora anterior;
- anote cada valor com data e hora.
Relógios e anéis que estimam pressão sem manguito ainda não substituem o aparelho de braço. A diretriz de 2025 recomenda cautela no uso clínico desses dispositivos até que haja mais evidência de precisão. Já a frequência cardíaca, medida por sensores ópticos, é um dado mais estável. Explicamos como lê-la em frequência cardíaca de repouso.
Avental branco e hipertensão mascarada
A pressão medida no consultório e em casa nem sempre concorda. A diretriz descreve dois cenários:
- Hipertensão do avental branco: pressão de 140 por 90 mmHg ou mais no consultório e abaixo de 135 por 85 mmHg em casa ou na vigília da MAPA (monitorização ambulatorial de 24 horas).
- Hipertensão mascarada: pressão abaixo de 140 por 90 mmHg no consultório e de 135 por 85 mmHg ou mais fora dele.
Os dois são comuns. Num estudo brasileiro com mais de 86 mil adultos sem tratamento que fizeram MRPA, cerca de 30% dos que tinham 130 por 80 mmHg ou mais no consultório estavam abaixo desse valor em casa. Por isso a diretriz recomenda MAPA ou MRPA para confirmar o diagnóstico e acompanhar o tratamento.
Hábitos que baixam a pressão
A pressão responde a hábitos de forma mensurável. Os números abaixo vêm da diretriz brasileira e de ensaios clínicos:
- Menos sódio. A diretriz recomenda até 2 g de sódio por dia, o equivalente a 5 g de sal, ou uma colher de chá. Cada 1,15 g de sódio a menos por dia reduz em média 2,8 mmHg a sistólica em pessoas com hipertensão. A maior parte do sódio vem de alimentos processados, não do saleiro.
- Padrão DASH. No ensaio DASH-Sodium, publicado no New England Journal of Medicine, uma dieta rica em frutas, verduras e laticínios magros, somada a pouco sódio, deixou a sistólica 7,1 mmHg mais baixa em quem não tinha hipertensão e 11,5 mmHg mais baixa em quem tinha, em comparação com a dieta habitual rica em sódio.
- Exercício aeróbico. Caminhar, pedalar, nadar ou dançar por pelo menos 150 minutos por semana. Na tabela da diretriz, o treino aeróbico reduz em média 7,6 por 4,7 mmHg a pressão de consultório. O treino isométrico, como a prancha e o agachamento na parede, reduz cerca de 4,3 por 5,0 mmHg.
- Pausas no tempo sentado. Levantar e se movimentar por 5 minutos a cada 30 minutos sentado.
- Álcool com limite. No máximo uma dose por dia para mulheres e duas para homens, evitando o consumo concentrado.
- Peso e sono. Reduzir o peso diminui a pressão em pessoas com obesidade. Distúrbios do sono estão entre os fatores ligados à hipertensão; veja sono profundo.
Cada milímetro conta. Uma metanálise de 123 ensaios com mais de 600 mil participantes mostrou que cada 10 mmHg a menos de sistólica se associa a 20% menos eventos cardiovasculares maiores.
Quando procurar o médico
Leve suas medidas a uma consulta se a média em casa ficar em 130 por 80 mmHg ou mais, ou se o consultório mostrar 140 por 90 mmHg ou mais. Na pré-hipertensão, o médico avalia o seu risco cardiovascular para decidir se bastam os hábitos ou se faz sentido tratar. A diretriz indica tratamento com remédio, junto com as mudanças de hábito, a partir de 140 por 90 mmHg; a escolha e a dose são decisões do médico.
Valores de 180 por 110 mmHg ou mais pedem avaliação médica breve, em até 7 dias quando não há sintomas. Dor no peito, falta de ar, fraqueza de um lado do corpo, alteração da fala ou da visão pedem atendimento imediato.
A pressão conversa com outros marcadores, como o colesterol LDL e a glicemia de jejum. O risco cardiovascular é a soma de todos eles.
Como acompanhar a sua pressão
Uma planilha de medidas já ajuda muito. O passo seguinte é ver a pressão ao lado do sono, do movimento e dos exames. O App Piantare reúne num lugar só dados do Apple Saúde, do Google Health, do Strava e do Ring PRO, guarda os exames que você envia e traz o Mapa da Longevidade, com a PIÁ respondendo com base nos seus dados e em estudos. O app está em lançamento: entre na lista do app. Enquanto isso, a Leitura do Pulso mede a frequência cardíaca pela câmera do celular, com resultado na hora.
Perguntas frequentes
Pressão 12 por 8 é normal?
Pela diretriz brasileira de 2025, 120 por 80 mmHg já entra na faixa de pré-hipertensão. A pressão normal fica abaixo de 120 por 80. A pré-hipertensão é um convite a ajustar hábitos e acompanhar as medidas.
Qual a pressão normal para quem tem 60 anos?
A mesma dos outros adultos: abaixo de 120 por 80 mmHg. A diretriz não usa tabela por idade. O que muda com os anos é a frequência de hipertensão, que passa de 65% acima dos 65 anos.
Quantas vezes devo medir a pressão em casa?
A diretriz sugere 4 a 6 dias numa semana, com três medidas pela manhã e três à noite. Em casa, uma média abaixo de 130 por 80 mmHg é considerada normal.
Relógio inteligente mede pressão com precisão?
Ainda não há evidência suficiente. A diretriz de 2025 recomenda cautela com aparelhos sem manguito e indica o aparelho automático de braço, validado, para medir a pressão.
Dá para baixar a pressão sem remédio?
Na pré-hipertensão e em parte dos casos de hipertensão leve, hábitos como menos sódio, padrão DASH e exercício aeróbico reduzem vários mmHg. A decisão de tratar com remédio é do médico, conforme o seu risco.
Fontes
- Brandão AA et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2025. doi.org/10.36660/abc.20250624 · Evidência A
- Lewington S et al. Age-specific relevance of usual blood pressure to vascular mortality: a meta-analysis of individual data for one million adults in 61 prospective studies. Lancet, 2002. doi.org/10.1016/s0140-6736(02)11911-8 · Evidência A
- Ettehad D et al. Blood pressure lowering for prevention of cardiovascular disease and death: a systematic review and meta-analysis. Lancet, 2016. doi.org/10.1016/S0140-6736(15)01225-8 · Evidência A
- Sacks FM et al. Effects on blood pressure of reduced dietary sodium and the Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH) diet. New England Journal of Medicine, 2001. doi.org/10.1056/NEJM200101043440101 · Evidência B
- Favaretto ALF et al. Difference in the prevalence of hypertension when measured according to the American Heart Association and the European Society of Cardiology hypertension cut-offs in the ELSA-Brasil cohort. Brazilian Journal of Medical and Biological Research, 2025. doi.org/10.1590/1414-431X2025e14320 · Evidência B
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