Por que o VO2 máximo é tão importante para a longevidade?
Vejo muita gente falando de VO2 máximo como o principal marcador de longevidade. Por que ele importa tanto?
O VO2 máximo mede quanto oxigênio o seu corpo consegue usar no esforço máximo. Ele resume, num número só, como estão o coração, os pulmões, os vasos e os músculos trabalhando juntos. Em estudos com milhares de pessoas acompanhadas por anos, o condicionamento cardiorrespiratório aparece entre os marcadores mais associados a viver mais, ao lado de não fumar e de manter a pressão controlada.
O que os estudos mostram
Uma metanálise com mais de 100 mil participantes encontrou que cada 1 MET a mais de capacidade (uma unidade de gasto de energia, perto de 3,5 mL de oxigênio por kg por minuto) se associou a 13% menos óbitos por todas as causas e a 15% menos eventos cardiovasculares. Em 2016, a American Heart Association publicou um posicionamento defendendo que o condicionamento seja tratado como um sinal vital na prática clínica, como a pressão arterial.
A boa notícia: ele responde ao treino
O VO2 máximo cai com a idade, mas responde ao treino em qualquer fase. Estudos mostram que tanto a quantidade quanto a intensidade do exercício contam, e que a maior parte das pessoas melhora quando treina com regularidade. Quem sai do sedentário costuma ter os maiores ganhos.
Como medir
O padrão-ouro é o teste cardiopulmonar (ergoespirometria), feito com máscara na esteira ou bicicleta. Relógios e anéis estimam o VO2 a partir da frequência cardíaca e do ritmo da caminhada ou da corrida: não substituem o teste, mas servem bem para acompanhar a tendência.
O que fazer a partir daqui
- Some 150 minutos por semana de atividade moderada, como caminhada rápida ou bicicleta.
- Uma ou duas vezes por semana, inclua intervalos mais intensos, com orientação de um profissional de educação física.
- Antes de começar treino intenso, especialmente depois dos 40 ou com alguma condição de saúde, converse com o seu médico.
Fontes
- Kodama S et al. Cardiorespiratory fitness as a quantitative predictor of all-cause mortality and cardiovascular events. JAMA, 2009A
- Ross R et al. Importance of assessing cardiorespiratory fitness in clinical practice: a case for fitness as a clinical vital sign. Circulation, 2016A
- Ross R et al. Separate effects of intensity and amount of exercise on interindividual cardiorespiratory fitness response. Mayo Clinic Proceedings, 2015B
Nível de evidência: A, ensaio clínico ou meta-análise; B, coorte grande; C, estudo pequeno ou mecanístico; D, consenso. Biblioteca de estudos
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