Um teste genético mostra qual é o melhor esporte para mim?
Vi um teste de DNA que promete dizer se sou mais de força ou de resistência. Isso tem base científica?
A resposta curta é não: nenhum teste genético consegue dizer qual é o melhor esporte para você. Em 2015, um grupo de especialistas publicou um consenso no British Journal of Sports Medicine concluindo que os testes genéticos vendidos ao consumidor não têm valor para prever desempenho esportivo ou identificar talento.
Por que não funciona assim
O desempenho esportivo depende de centenas ou milhares de variações genéticas, cada uma com efeito pequeno, somadas a treino, alimentação, sono, motivação e oportunidade. Um gene famoso como o ACTN3, por exemplo, aparece com mais frequência numa certa versão em velocistas de elite, mas a maioria das pessoas com essa versão não vira velocista, e há atletas de elite com a versão "contrária".
O que a genética pode mostrar
Alguns estudos sugerem que certas variantes ajudam a entender como você responde a determinados estímulos. Um ensaio com atletas, por exemplo, encontrou que o efeito da cafeína no desempenho variou conforme o gene CYP1A2, que influencia a velocidade com que ela é metabolizada. São pistas úteis para ajustar detalhes, desde que tratadas como hipótese a testar em você, e não como sentença.
O que vale mais do que o teste
O melhor esporte para você costuma ser o que você gosta, consegue manter e que faz o seu corpo responder. A forma mais confiável de descobrir isso continua sendo experimentar, medir e ajustar.
O que fazer a partir daqui
- Escolha duas ou três atividades que você gostaria de praticar e teste cada uma por um mês.
- Meça algo simples antes e depois, como frequência cardíaca de repouso ou quantas flexões consegue fazer.
- Se fizer um teste genético, leia o resultado como ponto de partida para conversar com o seu médico ou treinador, não como diagnóstico.
Fontes
- Webborn N et al. Direct-to-consumer genetic testing for predicting sports performance and talent identification: consensus statement. British Journal of Sports Medicine, 2015A
- Guest NS et al. Caffeine, CYP1A2 genotype, and endurance performance in athletes. Medicine & Science in Sports & Exercise, 2018B
- Clarkson PM et al. ACTN3 genotype is associated with increases in muscle strength in response to resistance training in women. Journal of Applied Physiology, 2005B
Nível de evidência: A, ensaio clínico ou meta-análise; B, coorte grande; C, estudo pequeno ou mecanístico; D, consenso. Biblioteca de estudos
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