Meu espaço Começar anamnese

Guia · Exames · Base

Resistência à insulina e HOMA-IR: exames, valores e o que fazer

O que é, quais exames mostram, como calcular o HOMA-IR e o que melhora a sensibilidade à insulina.

Publicado21 out 2026
Leitura8 min
Resistência à insulina e HOMA-IR: exames, valores e o que fazer
Resposta direta

Resistência à insulina é quando o corpo precisa de mais insulina para colocar a mesma glicose dentro das células. O jeito mais usado de estimar é o HOMA-IR, calculado com glicose e insulina de jejum. Em adultos brasileiros, um estudo propôs acima de 2,7 como sinal de resistência. Não existe um corte universal.

Neste texto

  1. Resistência à insulina: o que é
  2. Resistência à insulina é a mesma coisa que diabetes?
  3. Resistência à insulina: sintomas e sinais
  4. Qual exame fazer: insulina de jejum e glicose
  5. HOMA-IR: como calcular e valor de referência
  6. Resistência à insulina tem cura? O que melhora a sensibilidade
  7. Insulina de jejum no check-up: o próximo passo

Resistência à insulina: o que é

A insulina é o hormônio que o pâncreas libera para tirar a glicose do sangue e levar para os músculos, o fígado e o tecido de gordura. Na resistência à insulina, essas células respondem menos ao sinal. Para manter a glicose no lugar, o pâncreas compensa e produz mais insulina.

Por um tempo, essa compensação funciona: a glicose fica normal e a insulina fica alta. A resistência à insulina participa do caminho para o diabetes tipo 2 e aparece com frequência junto de obesidade, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares EV A.

O oposto é a sensibilidade à insulina: o quanto o corpo responde bem a cada unidade do hormônio. É ela que queremos aumentar. E a boa notícia é que ela responde a hábitos, como você vai ver adiante.

Resistência à insulina é a mesma coisa que diabetes?

Não. O diabetes é definido pela glicose: glicemia de jejum de 126 mg/dL ou mais, hemoglobina glicada de 6,5% ou mais ou curva glicêmica alterada, confirmados em exames EV A. A resistência à insulina pode existir por anos com a glicose normal, porque o pâncreas está compensando.

No acompanhamento de longo prazo do Diabetes Prevention Program, duas coisas protegeram contra o diabetes: melhor sensibilidade à insulina e melhor função das células do pâncreas que produzem insulina. As mesmas duas aumentaram a chance de a glicose voltar ao normal EV B. Por isso a resistência à insulina é um sinal precoce, que vale enxergar enquanto há tempo de virar o jogo. Veja como a glicose entra na conta nos guias de glicemia de jejum e pré-diabetes.

Resistência à insulina: sintomas e sinais

Na maior parte do tempo, a resistência à insulina é silenciosa. Alguns sinais, porém, merecem atenção:

Nenhum desses sinais fecha diagnóstico. Eles são motivo para conversar com o médico e decidir quais exames fazem sentido.

Qual exame fazer: insulina de jejum e glicose

O padrão-ouro para medir sensibilidade à insulina é o clamp euglicêmico hiperinsulinêmico, em que a pessoa recebe insulina e glicose na veia por horas enquanto a equipe mede quanto de glicose o corpo absorve EV A. É um método de pesquisa, trabalhoso e caro.

Na prática clínica, usam-se índices simples calculados a partir de exames de jejum, como o HOMA-IR e o QUICKI, que foram comparados com o clamp em estudos de validação EV A. Para isso, o pedido inclui:

Os dois exames constam no Rol de Procedimentos da ANS, com cobertura pelos planos regulados quando há pedido médico, conforme a segmentação do contrato EV A.

Um cuidado importante: a dosagem de insulina varia entre os métodos usados pelos laboratórios. Em um estudo de um grupo de trabalho da Associação Americana de Diabetes, 7 de 10 métodos comerciais tiveram desvio acima de 15,5% em relação ao método de referência em parte das amostras EV B. Se for comparar resultados ao longo do tempo, prefira o mesmo laboratório.

HOMA-IR: como calcular e valor de referência

O HOMA-IR vem de um modelo matemático publicado em 1985, que estima a resistência à insulina a partir da glicose e da insulina de jejum. No estudo original, ele teve correlação forte com o clamp EV A. A conta, com glicose em mg/dL, é:

HOMA-IR = glicose de jejum (mg/dL) × insulina de jejum (µU/mL) ÷ 405

Exemplo: glicose de 90 mg/dL e insulina de 10 µU/mL dão 90 × 10 ÷ 405 = 2,2.

> 2,7Corte de HOMA1-IR que sugeriu resistência à insulina em adultos brasileiros do estudo BRAMS.
Geloneze et al., Arq Bras Endocrinol Metab, 2009

E qual é o valor de referência? Não existe um corte único aceito no mundo todo, porque ele depende da população e do método de dosagem da insulina. No Brasil, o Estudo Brasileiro de Síndrome Metabólica (BRAMS), com 1.203 adultos sem diabetes, definiu os cortes a partir do percentil 90 de um grupo saudável EV B:

Índice Sugere resistência à insulina Associado à síndrome metabólica
HOMA1-IR acima de 2,7 acima de 2,3
HOMA2-IR acima de 1,8

O laudo pode trazer outro valor de referência, conforme o laboratório. Quem interpreta é o médico, junto com a glicose, a glicada, o perfil lipídico e a sua história.

Do exame ao HOMA-IR

  1. 01PedidoO médico solicita glicose e insulina de jejum.
  2. 02ColetaMesma amostra, depois do jejum indicado pelo laboratório.
  3. 03CálculoGlicose (mg/dL) × insulina (µU/mL) ÷ 405.
  4. 04ContextoCompare com o valor de referência do laudo e com a glicada.
  5. 05PlanoPeso, treino e menos tempo sentado melhoram a sensibilidade.
Matthews et al., 1985; Geloneze et al., 2009

Resistência à insulina tem cura? O que melhora a sensibilidade

A sensibilidade à insulina melhora, e rápido, quando os hábitos mudam. Os dados mais sólidos:

Se você já usa algum remédio que mexe com glicose ou peso, nunca mude uma medicação sem falar com seu médico.

Insulina de jejum no check-up: o próximo passo

A insulina de jejum não é pedida para todo mundo. O rastreamento de rotina recomendado pela SBD usa glicemia de jejum e hemoglobina glicada para todos os adultos a partir de 35 anos, ou antes disso para quem tem excesso de peso e outro fator de risco EV A. A insulina de jejum e o HOMA-IR entram por decisão do médico, a partir dos sinais e do seu histórico. Eles ajudam a enxergar o esforço do pâncreas antes de a glicose mudar. Para entender o que entra em uma avaliação de rotina, veja o guia de check-up completo.

No LAB, o Base, nosso painel de sangue com cerca de 25 biomarcadores, está em lista de espera. Enquanto isso, comece por um dado que você gera hoje: a Leitura de foco leva cerca de 4 minutos e cruza seu tempo de reação com o sono e o café do dia.

Perguntas frequentes

Qual exame mostra resistência à insulina?

Na prática, glicose e insulina de jejum, usadas para calcular o HOMA-IR. O padrão-ouro é o clamp euglicêmico, um exame de pesquisa. Perfil lipídico, circunferência da cintura e sinais na pele, como a acantose nigricans, completam a avaliação feita pelo médico.

Qual é o HOMA-IR normal?

Não há um corte universal. No Brasil, o estudo BRAMS propôs HOMA1-IR acima de 2,7 como sugestivo de resistência à insulina e acima de 2,3 associado à síndrome metabólica. O laudo pode usar outra referência, conforme o laboratório. O médico interpreta junto com os outros exames.

Resistência à insulina é diabetes?

Não. O diabetes é definido pela glicose: jejum de 126 mg/dL ou mais ou hemoglobina glicada de 6,5% ou mais, com confirmação. A resistência à insulina pode existir por anos com glicose normal e é um sinal precoce para agir.

Tem cura?

A sensibilidade à insulina melhora com mudanças de hábito. Em um ensaio clínico, perder cerca de 5% do peso melhorou a sensibilidade no fígado, nos músculos e na gordura. Treino aeróbico e de força também ajudam. O acompanhamento com o médico mostra a evolução.

Fontes

  1. Matthews DR, Hosker JP, Rudenski AS et al. Homeostasis model assessment: insulin resistance and beta-cell function from fasting plasma glucose and insulin concentrations in man. Diabetologia, 1985. doi.org/10.1007/BF00280883 · Evidência A
  2. Geloneze B, Vasques AC, Stabe CF et al. HOMA1-IR and HOMA2-IR indexes in identifying insulin resistance and metabolic syndrome: Brazilian Metabolic Syndrome Study (BRAMS). Arq Bras Endocrinol Metabol, 2009. doi.org/10.1590/s0004-27302009000200020 · Evidência B
  3. Muniyappa R, Lee S, Chen H, Quon MJ. Current approaches for assessing insulin sensitivity and resistance in vivo: advantages, limitations, and appropriate usage. Am J Physiol Endocrinol Metab, 2008. doi.org/10.1152/ajpendo.00645.2007 · Evidência A
  4. DeFronzo RA, Tobin JD, Andres R. Glucose clamp technique: a method for quantifying insulin secretion and resistance. Am J Physiol, 1979. doi.org/10.1152/ajpendo.1979.237.3.E214 · Evidência A
  5. Miller WG, Thienpont LM, Van Uytfanghe K et al. Toward standardization of insulin immunoassays. Clin Chem, 2009. doi.org/10.1373/clinchem.2008.118380 · Evidência B
  6. Perreault L, Pan Q, Mather KJ et al. Effect of regression from prediabetes to normal glucose regulation on long-term reduction in diabetes risk: results from the Diabetes Prevention Program Outcomes Study. Lancet, 2012. doi.org/10.1016/S0140-6736(12)60525-X · Evidência B
  7. Magkos F, Fraterrigo G, Yoshino J et al. Effects of moderate and subsequent progressive weight loss on metabolic function and adipose tissue biology in humans with obesity. Cell Metab, 2016. doi.org/10.1016/j.cmet.2016.02.005 · Evidência B
  8. Huang L, Fang Y, Tang L. Comparisons of different exercise interventions on glycemic control and insulin resistance in prediabetes: a network meta-analysis. BMC Endocr Disord, 2021. doi.org/10.1186/s12902-021-00846-y · Evidência B
  9. Kanaley JA, Colberg SR, Corcoran MH et al. Exercise/Physical Activity in Individuals with Type 2 Diabetes: A Consensus Statement from the American College of Sports Medicine. Med Sci Sports Exerc, 2022. doi.org/10.1249/MSS.0000000000002800 · Evidência A
  10. Gillespie J, Roland-McGowan J, Diehl K et al. Is Acanthosis Nigricans a Marker for Metabolic Syndrome? A Systematic Review. Am J Clin Dermatol, 2026. doi.org/10.1007/s40257-026-01058-7 · Evidência B
  11. Rodacki M, Zajdenverg L, da Silva Júnior WS et al. Brazilian guideline for screening and diagnosis of type 2 diabetes: a position statement from the Brazilian Diabetes Society. Diabetol Metab Syndr, 2025. doi.org/10.1186/s13098-024-01572-w · Evidência A
  12. ANS. Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, Anexo I (RN 465/2021 e alterações até RN 584/2023). www.gov.br/ans/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-da-soc

Leia também

18 out 2026Lipoproteína(a): o exame do colesterol que é herdadoO que é a Lp(a), por que vale medir uma vez na vida e o que fazer se vier alta.28 set 2026ApoB: o que o exame mede e por que importa mais que o LDLApolipoproteína B, o valor de referência e quando ela conta uma história diferente do colesterol.20 out 2026PCR ultrassensível: valor normal e o que a inflamação dizComo ler a proteína C reativa ultrassensível e por que ela entra nos exames de longevidade.