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Mounjaro: o que é, como age e o que dizem os estudos

A tirzepatida explicada com calma: os dois hormônios que ela imita, os grandes ensaios, para quem foi aprovada e o que fica depois.

Publicado25 out 2026
Leitura9 min
Mounjaro: o que é, como age e o que dizem os estudos
Resposta direta

Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, uma injeção semanal da Eli Lilly que imita dois hormônios do intestino, o GIP e o GLP-1. No Brasil, foi aprovada para diabetes tipo 2 em 2023 e para obesidade em 2025. No estudo SURMOUNT-1, com 2.539 adultos sem diabetes, a perda média de peso em 72 semanas foi de 15,0% a 20,9%, contra 3,1% com placebo.

Neste texto

  1. O que é o Mounjaro
  2. Como a tirzepatida age no corpo
  3. Para que o Mounjaro é aprovado no Brasil
  4. O que os estudos mostraram
  5. Os efeitos mais comuns
  6. O que acontece quando se para
  7. Músculo, procedência e outros cuidados
  8. Como acompanhar o seu tratamento
  9. Perguntas frequentes
  10. Fontes

O que é o Mounjaro

Se você chegou até aqui, provavelmente ouviu falar do Mounjaro numa conversa, num consultório ou nas redes. Não está sozinho: o Brasil virou um dos países que mais pesquisam sobre a tirzepatida no mundo. A curiosidade é legítima, e entender o remédio com calma ajuda a ter uma conversa melhor com o seu médico.

Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, um medicamento injetável aplicado uma vez por semana com uma caneta. Ele é fabricado pela Eli Lilly e é vendido com receita médica. A tirzepatida faz parte da família de remédios que ficou conhecida como "canetinhas" ou "canetas emagrecedoras", ao lado da semaglutida (Ozempic e Wegovy) e da liraglutida (Saxenda).

A diferença central está no alvo. A semaglutida e a liraglutida imitam um hormônio só, o GLP-1. A tirzepatida age em dois receptores ao mesmo tempo, o do GLP-1 e o do GIP. Por isso ela costuma ser descrita como um agonista duplo. Se você quer ver as diferenças entre as canetas lado a lado, preparamos um comparativo em Ozempic, Wegovy e Mounjaro: o que muda entre as canetas.

Este texto é educativo. Ele descreve o que os estudos mostraram e o que diz a regulação brasileira. Quem pode usar, quando começar e por quanto tempo são decisões que você toma com o seu médico.

Como a tirzepatida age no corpo

Depois que você come, o intestino libera hormônios chamados incretinas. Os dois principais são o GLP-1 e o GIP. Eles avisam o pâncreas para liberar insulina quando a glicose sobe, conversam com o cérebro sobre saciedade e ajudam a regular o ritmo da digestão.

A tirzepatida imita esses dois sinais por muito mais tempo do que os hormônios naturais, que duram poucos minutos no sangue. Na prática, os efeitos mais percebidos são:

O mecanismo explica por que a caneta funciona e também por que ela é diferente de força de vontade. A fome é regulada por hormônios. Quando a caneta mexe nesses sinais, o corpo passa a pedir menos comida. Isso não é falha de caráter de quem precisava do remédio, nem atalho: é biologia.

Para que o Mounjaro é aprovado no Brasil

A Anvisa aprovou o Mounjaro em 25 de setembro de 2023, como adjuvante à dieta e ao exercício para controlar a glicose em adultos com diabetes tipo 2, segundo o Conselho Federal de Farmácia. O remédio chegou às farmácias em maio de 2025.

Em 9 de junho de 2025, a agência ampliou a indicação para obesidade. Ela vale para adultos com índice de massa corporal (IMC) igual ou acima de 30, ou a partir de 27 quando há ao menos uma condição associada ao peso, como pressão alta, colesterol alto ou pré-diabetes.

IndicaçãoData da aprovação na Anvisa
Diabetes tipo 2 em adultos25/09/2023
Obesidade (IMC ≥ 30) ou sobrepeso (IMC ≥ 27) com condição associada09/06/2025

Desde 23 de junho de 2025, a farmácia retém uma das duas vias da receita de toda a classe, o que inclui a tirzepatida. A regra veio com a RDC nº 973/2025 e a Instrução Normativa nº 360/2025, e a receita vale por 90 dias. Os critérios de indicação estão detalhados em quem pode usar caneta emagrecedora.

O que os estudos mostraram

A fama do Mounjaro vem de ensaios grandes, randomizados e publicados nas principais revistas médicas. Os mais citados são estes:

EstudoQuem participouO que mostrou
SURMOUNT-1, NEJM 20222.539 adultos com obesidade ou sobrepeso com complicação, sem diabetesPerda média de 15,0% a 20,9% do peso em 72 semanas, conforme a dose, contra 3,1% com placebo
SURPASS-2, NEJM 20211.879 adultos com diabetes tipo 2Queda maior da hemoglobina glicada e do peso do que com semaglutida em 40 semanas
SURMOUNT-5, NEJM 2025751 adultos com obesidade, sem diabetesPerda média de 20,2% com tirzepatida e 13,7% com semaglutida em 72 semanas
SURMOUNT-4, JAMA 2024670 adultos que já tinham perdido peso com tirzepatidaQuem continuou perdeu mais 5,5%; quem trocou por placebo recuperou 14,0% em 52 semanas

No SURMOUNT-1, metade ou mais dos participantes dos dois grupos de dose mais alta perdeu 20% do peso ou mais. Todos os participantes também receberam orientação de estilo de vida, um detalhe que costuma se perder nas manchetes.

O ensaio também mediu melhoras em todos os marcadores cardiometabólicos previstos, como pressão, gorduras no sangue e glicose. Esses números são médias de grupos. Cada corpo responde de um jeito, e o seu resultado depende de muitos fatores que só o acompanhamento mostra.

Um ponto honesto sobre os estudos

Todos esses ensaios foram financiados pelo fabricante, o que é comum em estudos de registro de medicamentos. Os resultados foram publicados em revistas revisadas por pares, e estudos independentes de mundo real costumam encontrar efeitos um pouco menores do que os dos ensaios.

Os efeitos mais comuns

Nos ensaios, os efeitos mais frequentes foram gastrointestinais: enjoo, diarreia, prisão de ventre e vômitos. A maioria foi leve a moderada e apareceu sobretudo no período de aumento gradual da dose, que é definido pelo médico.

Comer devagar, parar ao primeiro sinal de saciedade e beber água ao longo do dia são cuidados que costumam ajudar no dia a dia. Algumas situações pedem atendimento: dor abdominal forte e persistente, que pode irradiar para as costas, vômitos que não param e sinais de desidratação, como boca muito seca, pouca urina e tontura ao levantar. Em fevereiro de 2026, a Anvisa publicou um comunicado de farmacovigilância sobre pancreatite aguda associada ao uso fora das indicações aprovadas em bula.

Os detalhes, com o que é comum e o que pede contato com o médico, estão em efeitos colaterais do Mounjaro.

O que acontece quando se para

Essa é uma das perguntas que mais pesam para quem usa a caneta. O SURMOUNT-4 respondeu de forma direta. Depois de 36 semanas de tirzepatida, com perda média de 20,9% do peso, os participantes foram sorteados para continuar ou trocar por placebo. Em um ano, quem continuou perdeu mais 5,5%. Quem trocou recuperou 14,0%.

O resultado não é um veredito sobre você. Ele mostra que a obesidade se comporta como uma condição crônica, e que o remédio age enquanto está presente. Por isso a pergunta mais útil não é só "quanto vou perder", e sim "o que eu construo enquanto uso". Força muscular, alimentação com proteína, sono e uma rotina de movimento são a parte do plano que fica com você.

Decidir parar, manter ou mudar o tratamento é sempre uma conversa com o seu médico. Os dados de retirada estão explicados em efeito rebote, e as estratégias de manutenção em como manter o peso depois da caneta.

Músculo, procedência e outros cuidados

Perder peso rápido também leva um pouco de massa magra. Revisões mostram que a fração da perda vinda de massa magra varia bastante entre os estudos, e que treino de força e proteína suficiente ajudam a proteger o músculo. O tema tem um texto próprio: canetinha e perda de músculo.

Outro cuidado é a procedência. A Anvisa já proibiu e mandou apreender várias canetas e frascos de tirzepatida sem registro, inclusive versões em pó para diluir em casa. Produto sem registro não tem garantia de dose, composição nem esterilidade. Explicamos o cenário em Mounjaro do Paraguai e canetas sem registro.

Se você quer olhar o seu momento com calma, a Piantare tem um quiz de 3 minutos, Como está o seu plano para além da caneta?, que ajuda a ver como estão músculo, sono, exames e segurança.

Como acompanhar o seu tratamento

A caneta funciona melhor quando você enxerga o que muda além da balança: força, sono, energia, exames de sangue. Guardar os laudos e anotar hábitos ajuda a levar dados reais para a consulta. O App Piantare guarda os exames que você envia, reúne dados do Apple Saúde, do Google Health, do Strava e do Ring PRO, e traz o Mapa da Longevidade, com a PIÁ respondendo com base nos seus dados e em estudos. Ele está em lançamento: entre na lista do app. Este conteúdo é educativo. Decisões sobre diagnóstico e tratamento são feitas com o seu médico.

Perguntas frequentes

Mounjaro e Ozempic são a mesma coisa?

Não. O Ozempic é semaglutida e age só no receptor de GLP-1. O Mounjaro é tirzepatida e age nos receptores de GLP-1 e GIP. No SURMOUNT-5, a tirzepatida levou a perda média de 20,2% do peso, contra 13,7% com semaglutida.

O Mounjaro é aprovado para emagrecer no Brasil?

Sim. A Anvisa aprovou a indicação para obesidade em 9 de junho de 2025, para adultos com IMC a partir de 30, ou a partir de 27 com uma condição associada ao peso. Antes, em 2023, ele foi aprovado para diabetes tipo 2.

Precisa de receita para comprar Mounjaro?

Sim. Desde 23 de junho de 2025, a farmácia retém uma via da receita de todos os medicamentos dessa classe. A receita vale por 90 dias.

Quanto tempo leva para o Mounjaro fazer efeito?

A saciedade costuma mudar nas primeiras semanas, mas a perda de peso nos estudos foi gradual, com o efeito máximo perto de um ano. O ritmo e a dose são definidos pelo médico.

Se eu parar o Mounjaro, o peso volta?

No SURMOUNT-4, quem trocou a tirzepatida por placebo recuperou 14,0% do peso em um ano. Parar ou manter é uma decisão com o seu médico, de preferência com um plano de manutenção.

Mounjaro faz perder músculo?

Parte do peso perdido com qualquer emagrecimento é massa magra. Treino de força e proteína suficiente ajudam a proteger o músculo, segundo revisões sobre o tema.

Fontes

  1. Jastreboff AM et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity (SURMOUNT-1). New England Journal of Medicine, 2022. /ciencia/biblioteca/estudos/tirzepatide-once-weekly-for-the-treatment-of-obesity-2022 · Evidência A
  2. Frías JP et al. Tirzepatide versus Semaglutide Once Weekly in Patients with Type 2 Diabetes (SURPASS-2). New England Journal of Medicine, 2021. doi.org/10.1056/NEJMoa2107519 · Evidência A
  3. Aronne LJ et al. Tirzepatide as Compared with Semaglutide for the Treatment of Obesity (SURMOUNT-5). New England Journal of Medicine, 2025. doi.org/10.1056/NEJMoa2416394 · Evidência A
  4. Aronne LJ et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity (SURMOUNT-4). JAMA, 2024. doi.org/10.1001/jama.2023.24945 · Evidência A
  5. Conselho Federal de Farmácia. Anvisa aprova tirzepatida para o tratamento de diabetes tipo 2, 25/09/2023. site.cff.org.br/noticia/Noticias-gerais/25/09/2023/tizerpatida-anvisa-aprova-novo-medicamento-promissor-para-o-tratamento-de-diabetes-tipo-2 · Evidência D
  6. Viva. Anvisa aprova Mounjaro para obesidade e sobrepeso com comorbidades, junho de 2025. viva.com.br/saude-e-bem-estar/anvisa-aprova-mounjaro-para-obesidade-e-sobrepeso-com-comorbidades.html · Evidência D
  7. Anvisa. Perguntas e respostas: RDC nº 973/2025 e IN nº 360/2025, medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, 2025. /ciencia/biblioteca/estudos/perguntas-e-respostas-rdc-n-973-2025-e-in-n-360-2025-medicamentos-2025 · Evidência A
  8. Anvisa. Comunicado de farmacovigilância nº 02/2026 sobre pancreatite aguda associada ao uso de agonistas de GLP-1 fora das indicações aprovadas, 2026. /ciencia/biblioteca/estudos/comunicado-de-farmacovigilancia-n-02-2026-sobre-pancreatite-aguda-2026 · Evidência A

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