Exames · Vitaminas A e E
Vitamina A e vitamina E no exame de sangue: valores de referência e como ler
Duas vitaminas que viajam com a gordura do sangue, com armadilhas parecidas: a inflamação baixa uma, o colesterol sobe a outra.

No exame de sangue, a vitamina A é medida como retinol e a vitamina E como alfa-tocoferol. Segundo o NIH, retinol de 20 µg/dL (0,70 µmol/L) ou menos costuma indicar deficiência moderada, e alfa-tocoferol abaixo de 12 µmol/L define deficiência de vitamina E. Inflamação pode baixar o retinol, e colesterol alto pode elevar a vitamina E, por isso a leitura é feita com o contexto.
Neste texto
- Por que vitamina A e E aparecem juntas no pedido
- Valores de referência da vitamina A e da vitamina E
- Vitamina A: o que o retinol mostra e o que esconde
- Vitamina E: o efeito do colesterol na leitura
- Excesso: quando o problema é o suplemento
- Quando o médico costuma pedir esses exames
- O que fazer depois do resultado
- Como acompanhar as suas vitaminas
- Perguntas frequentes
- Fontes
Por que vitamina A e E aparecem juntas no pedido
As vitaminas A e E são lipossolúveis: dependem da gordura para serem absorvidas e circulam no sangue presas a proteínas ou a partículas de gordura. Por isso, problemas que atrapalham a absorção de gordura, como algumas doenças do intestino e do pâncreas, costumam afetar as duas ao mesmo tempo. É comum que o médico peça os dois exames juntos, às vezes com as vitaminas D e K.
As funções são diferentes:
- Vitamina A é essencial para a visão no escuro, para a pele e as mucosas, para o sistema imune e para o crescimento.
- Vitamina E funciona como antioxidante nas membranas das células e protege nervos e músculos.
No Brasil, a maioria dos adultos saudáveis com alimentação variada não precisa desses exames na rotina. Eles fazem mais sentido quando há uma condição que reduz a absorção, uma dieta muito restrita, sintomas específicos ou uso de suplementos em doses altas.
Valores de referência da vitamina A e da vitamina E
O NIH resume os cortes mais usados EV A:
| Exame | Valor | Leitura |
|---|---|---|
| Retinol (vitamina A) | 20 µg/dL (0,70 µmol/L) ou menos | Frequentemente reflete deficiência moderada |
| Retinol (vitamina A) | 10 µg/dL (0,35 µmol/L) ou menos | Deficiência grave |
| Alfa-tocoferol (vitamina E) | abaixo de 12 µmol/L (cerca de 5,2 mg/L) | Deficiência |
| Alfa-tocoferol (vitamina E) | média de cerca de 30 µmol/L | Valor médio na população dos Estados Unidos |
Fontes: NIH Office of Dietary Supplements, fichas de vitamina A (2025) e vitamina E (2026). Cada laboratório informa a própria faixa e unidade. Para converter retinol de µmol/L para µg/dL, multiplique por cerca de 28,6.
O limite superior da faixa do laboratório tem menos uso clínico. Um retinol alto, por exemplo, nem sempre acompanha o excesso de vitamina A nos tecidos, como veremos adiante.
Se o seu médico pediu vitaminas A e E junto com outros exames e você quer comparar opções de coleta, deixe seus dados no formulário abaixo. A equipe Piantare retorna com um orçamento para coleta em casa ou num ponto parceiro.
Vitamina A: o que o retinol mostra e o que esconde
A maior parte da vitamina A do corpo fica guardada no fígado. O sangue recebe uma quantidade controlada, presa à proteína ligadora de retinol. Um painel de especialistas do projeto BOND, ligado ao NIH, explica que o retinol do sangue está sob controle homeostático: o corpo mantém o valor estável enquanto há estoque EV A. Por isso, segundo o NIH, o retinol só cai quando os estoques do fígado estão quase esgotados.
Isso tem duas consequências:
- um retinol normal não garante estoques cheios;
- um retinol baixo, quando confirmado, costuma indicar uma falta já importante.
A inflamação baixa o retinol
A proteína que carrega o retinol diminui durante infecções e inflamações. Uma metanálise publicada na Lancet, com 15 estudos, mostrou que o retinol foi 25% mais alto em pessoas com PCR normal do que naquelas com PCR elevada EV A. Durante a infecção, a queda estimada foi de 13% a 24%, conforme a fase. Na prática, um retinol baixo durante ou logo depois de uma infecção pode refletir a inflamação, e não falta de vitamina. Muitos médicos pedem a PCR junto. Veja PCR ultrassensível.
Quem tem mais chance de falta
O NIH cita bebês prematuros, pessoas com fibrose cística, doença de Crohn, retocolite ulcerativa e doença celíaca recém-diagnosticada. O primeiro sinal clássico é a dificuldade de enxergar no escuro. Sobre a doença celíaca, veja doença celíaca e genética.
Vitamina E: o efeito do colesterol na leitura
A vitamina E viaja no sangue dentro das lipoproteínas, as mesmas partículas que carregam o colesterol e os triglicerídeos. Uma revisão publicada na Advances in Nutrition explica o problema que isso cria: com a idade, as gorduras do sangue tendem a subir, e o alfa-tocoferol sobe junto, mesmo que os tecidos não estejam recebendo mais vitamina EV B. A autora conclui que a adequação da vitamina E não pode ser confirmada pelo valor no sangue, mas a falta pode ser identificada pelos valores baixos.
Na prática, quando o colesterol e os triglicerídeos estão alterados, alguns laboratórios e médicos olham a relação entre vitamina E e gorduras do sangue, e não só o número absoluto. Se o seu perfil lipídico está alto, o alfa-tocoferol pode parecer ótimo sem dizer muito. Veja colesterol LDL ideal.
A mesma revisão estima que mais de 90% dos americanos não alcançam a necessidade média de vitamina E pela dieta. Mesmo assim, a deficiência clara é rara em adultos saudáveis, segundo o NIH. Ela aparece sobretudo em quem tem má absorção de gordura e em condições genéticas raras, como a ataxia com deficiência de vitamina E. Os sinais incluem alterações nos nervos das pernas, desequilíbrio, fraqueza muscular e problemas na retina. A revisão associa valores abaixo de 12 µmol/L a mais infecções e anemia.
Excesso: quando o problema é o suplemento
Com alimentação comum, é difícil ter excesso dessas vitaminas. O excesso quase sempre vem de suplementos.
| Vitamina | Limite máximo diário para adultos (NIH) | Sinais de excesso |
|---|---|---|
| A (forma pronta, retinol) | 3.000 µg | Dor de cabeça, visão turva, náusea, tontura; no uso prolongado, pele seca, dor nas articulações e alterações no fígado |
| E (suplementos) | 1.000 mg | Mais chance de sangramento em doses altas |
O NIH lembra que o excesso de vitamina A na forma pronta e alguns remédios derivados da vitamina A podem causar malformações na gestação. Os carotenoides dos vegetais, como o betacaroteno da cenoura, não entram nesse limite da mesma forma. Se você usa qualquer suplemento, conte ao médico antes do exame e não aumente doses por conta própria.
Quando o médico costuma pedir esses exames
Como a falta clara de vitaminas A e E é pouco comum em adultos saudáveis, os exames costumam ser pedidos em situações específicas. As mais frequentes, a partir dos grupos descritos pelo NIH:
| Situação | Por que as vitaminas entram |
|---|---|
| Cirurgia bariátrica | A absorção de gordura e de vitaminas lipossolúveis pode cair |
| Doença de Crohn, retocolite e doença celíaca | A inflamação do intestino reduz a absorção |
| Fibrose cística e insuficiência do pâncreas | Faltam enzimas que digerem a gordura |
| Doenças do fígado | O fígado guarda a vitamina A e participa do transporte da vitamina E |
| Dietas muito restritivas | Ingestão baixa por muito tempo |
| Uso de suplementos em doses altas | Investigar excesso |
| Sintomas específicos | Dificuldade de enxergar no escuro, alterações nos nervos ou desequilíbrio sem outra causa |
Se você se encaixa em algum desses grupos, vale levar o tema à consulta. Se não se encaixa e não tem sintomas, a alimentação variada costuma bastar, e o exame raramente muda a conduta. Pedir menos exames sem indicação também evita resultados limítrofes que geram dúvidas e repetições.
O que fazer depois do resultado
As necessidades diárias, segundo o NIH, são de 900 µg de vitamina A para homens e 700 µg para mulheres, e de 15 mg de vitamina E para adultos. A comida dá conta disso para a maioria das pessoas:
- Vitamina A pronta: fígado, peixes, ovos e laticínios.
- Carotenoides (que o corpo transforma em vitamina A): batata-doce, cenoura, abóbora, espinafre e folhas verde-escuras.
- Vitamina E: castanhas, amêndoas, sementes, como a de girassol, e óleos vegetais.
Depois do resultado:
- Retinol baixo: confira se não havia infecção ou inflamação. Se o valor se confirma, o médico investiga a absorção e decide sobre reposição.
- Vitamina E baixa: olhe junto o perfil lipídico e a história de absorção de gordura.
- Valores altos: revise suplementos.
Para outras vitaminas lipossolúveis, veja vitamina D baixa. Para minerais que costumam vir no mesmo pedido, veja zinco no sangue.
Quando repetir. Depois de tratada a causa, o médico costuma repetir em alguns meses, no mesmo preparo. O jejum é pedido por muitos laboratórios, porque a gordura da refeição pode interferir. Veja exame de sangue precisa de jejum.
Como acompanhar as suas vitaminas
A Piantare é uma infraestrutura de saúde e longevidade: une exames, DNA, wearables e hábitos num lugar só e traduz isso em decisões. No app Piantare, em lançamento, você guarda os laudos que envia e acompanha vitaminas, perfil lipídico e PCR lado a lado no tempo, o que ajuda a ler os números com o contexto certo, e o PIÁ responde com base nos seus dados e em estudos. A Piantare também está estruturando a coleta de sangue em casa e em pontos parceiros.
Perguntas frequentes
Qual é o valor normal de vitamina A no sangue?
Retinol acima de 20 µg/dL (0,70 µmol/L) costuma ser considerado adequado. Valores de 20 µg/dL ou menos frequentemente indicam deficiência moderada, segundo o NIH. Cada laboratório informa a própria faixa.
Qual é o valor normal de vitamina E no sangue?
Alfa-tocoferol abaixo de 12 µmol/L define deficiência. A média nos Estados Unidos fica perto de 30 µmol/L. O valor sobe junto com o colesterol, o que dificulta a leitura.
Infecção altera o exame de vitamina A?
Sim. Durante infecções e inflamações, o retinol cai de 13% a 24%, segundo uma metanálise da Lancet. Um valor baixo nesse período pode não ser falta de vitamina.
Precisa de jejum para dosar vitaminas A e E?
Muitos laboratórios pedem jejum, porque a gordura da refeição pode interferir. Siga a orientação do laboratório.
Comer muita cenoura causa excesso de vitamina A?
Não da mesma forma que o suplemento. O betacaroteno dos vegetais é convertido em vitamina A conforme a necessidade. Em excesso, ele pode deixar a pele levemente alaranjada, sem os efeitos da vitamina A pronta.
Fontes
- NIH Office of Dietary Supplements. Vitamin A and Carotenoids: Fact Sheet for Health Professionals. Atualizado em março de 2025. ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminA-HealthProfessional/ · Evidência A
- NIH Office of Dietary Supplements. Vitamin E: Fact Sheet for Health Professionals. Atualizado em 2026. ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminE-HealthProfessional/ · Evidência A
- Tanumihardjo SA, Russell RM, Stephensen CB et al. Biomarkers of Nutrition for Development (BOND): Vitamin A Review. Journal of Nutrition, 2016;146(9):1816S-1848S. doi.org/10.3945/jn.115.229708 · Evidência A
- Thurnham DI, McCabe GP, Northrop-Clewes CA, Nestel P. Effects of subclinical infection on plasma retinol concentrations and assessment of prevalence of vitamin A deficiency: meta-analysis. The Lancet, 2003;362(9401):2052-2058. doi.org/10.1016/S0140-6736(03)15099-4 · Evidência A
- Traber MG. Vitamin E inadequacy in humans: causes and consequences. Advances in Nutrition, 2014;5(5):503-514. doi.org/10.3945/an.114.006254 · Evidência B