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Exames · Vitaminas A e E

Vitamina A e vitamina E no exame de sangue: valores de referência e como ler

Duas vitaminas que viajam com a gordura do sangue, com armadilhas parecidas: a inflamação baixa uma, o colesterol sobe a outra.

Publicado28 out 2026
Leitura9 min
Vitamina A e vitamina E no exame de sangue: valores de referência e como ler
Resposta direta

No exame de sangue, a vitamina A é medida como retinol e a vitamina E como alfa-tocoferol. Segundo o NIH, retinol de 20 µg/dL (0,70 µmol/L) ou menos costuma indicar deficiência moderada, e alfa-tocoferol abaixo de 12 µmol/L define deficiência de vitamina E. Inflamação pode baixar o retinol, e colesterol alto pode elevar a vitamina E, por isso a leitura é feita com o contexto.

Neste texto

  1. Por que vitamina A e E aparecem juntas no pedido
  2. Valores de referência da vitamina A e da vitamina E
  3. Vitamina A: o que o retinol mostra e o que esconde
  4. Vitamina E: o efeito do colesterol na leitura
  5. Excesso: quando o problema é o suplemento
  6. Quando o médico costuma pedir esses exames
  7. O que fazer depois do resultado
  8. Como acompanhar as suas vitaminas
  9. Perguntas frequentes
  10. Fontes

Por que vitamina A e E aparecem juntas no pedido

As vitaminas A e E são lipossolúveis: dependem da gordura para serem absorvidas e circulam no sangue presas a proteínas ou a partículas de gordura. Por isso, problemas que atrapalham a absorção de gordura, como algumas doenças do intestino e do pâncreas, costumam afetar as duas ao mesmo tempo. É comum que o médico peça os dois exames juntos, às vezes com as vitaminas D e K.

As funções são diferentes:

No Brasil, a maioria dos adultos saudáveis com alimentação variada não precisa desses exames na rotina. Eles fazem mais sentido quando há uma condição que reduz a absorção, uma dieta muito restrita, sintomas específicos ou uso de suplementos em doses altas.

Valores de referência da vitamina A e da vitamina E

O NIH resume os cortes mais usados EV A:

ExameValorLeitura
Retinol (vitamina A)20 µg/dL (0,70 µmol/L) ou menosFrequentemente reflete deficiência moderada
Retinol (vitamina A)10 µg/dL (0,35 µmol/L) ou menosDeficiência grave
Alfa-tocoferol (vitamina E)abaixo de 12 µmol/L (cerca de 5,2 mg/L)Deficiência
Alfa-tocoferol (vitamina E)média de cerca de 30 µmol/LValor médio na população dos Estados Unidos

Fontes: NIH Office of Dietary Supplements, fichas de vitamina A (2025) e vitamina E (2026). Cada laboratório informa a própria faixa e unidade. Para converter retinol de µmol/L para µg/dL, multiplique por cerca de 28,6.

O limite superior da faixa do laboratório tem menos uso clínico. Um retinol alto, por exemplo, nem sempre acompanha o excesso de vitamina A nos tecidos, como veremos adiante.

Se o seu médico pediu vitaminas A e E junto com outros exames e você quer comparar opções de coleta, deixe seus dados no formulário abaixo. A equipe Piantare retorna com um orçamento para coleta em casa ou num ponto parceiro.

Vitamina A: o que o retinol mostra e o que esconde

A maior parte da vitamina A do corpo fica guardada no fígado. O sangue recebe uma quantidade controlada, presa à proteína ligadora de retinol. Um painel de especialistas do projeto BOND, ligado ao NIH, explica que o retinol do sangue está sob controle homeostático: o corpo mantém o valor estável enquanto há estoque EV A. Por isso, segundo o NIH, o retinol só cai quando os estoques do fígado estão quase esgotados.

Isso tem duas consequências:

A inflamação baixa o retinol

A proteína que carrega o retinol diminui durante infecções e inflamações. Uma metanálise publicada na Lancet, com 15 estudos, mostrou que o retinol foi 25% mais alto em pessoas com PCR normal do que naquelas com PCR elevada EV A. Durante a infecção, a queda estimada foi de 13% a 24%, conforme a fase. Na prática, um retinol baixo durante ou logo depois de uma infecção pode refletir a inflamação, e não falta de vitamina. Muitos médicos pedem a PCR junto. Veja PCR ultrassensível.

Quem tem mais chance de falta

O NIH cita bebês prematuros, pessoas com fibrose cística, doença de Crohn, retocolite ulcerativa e doença celíaca recém-diagnosticada. O primeiro sinal clássico é a dificuldade de enxergar no escuro. Sobre a doença celíaca, veja doença celíaca e genética.

Vitamina E: o efeito do colesterol na leitura

A vitamina E viaja no sangue dentro das lipoproteínas, as mesmas partículas que carregam o colesterol e os triglicerídeos. Uma revisão publicada na Advances in Nutrition explica o problema que isso cria: com a idade, as gorduras do sangue tendem a subir, e o alfa-tocoferol sobe junto, mesmo que os tecidos não estejam recebendo mais vitamina EV B. A autora conclui que a adequação da vitamina E não pode ser confirmada pelo valor no sangue, mas a falta pode ser identificada pelos valores baixos.

Na prática, quando o colesterol e os triglicerídeos estão alterados, alguns laboratórios e médicos olham a relação entre vitamina E e gorduras do sangue, e não só o número absoluto. Se o seu perfil lipídico está alto, o alfa-tocoferol pode parecer ótimo sem dizer muito. Veja colesterol LDL ideal.

A mesma revisão estima que mais de 90% dos americanos não alcançam a necessidade média de vitamina E pela dieta. Mesmo assim, a deficiência clara é rara em adultos saudáveis, segundo o NIH. Ela aparece sobretudo em quem tem má absorção de gordura e em condições genéticas raras, como a ataxia com deficiência de vitamina E. Os sinais incluem alterações nos nervos das pernas, desequilíbrio, fraqueza muscular e problemas na retina. A revisão associa valores abaixo de 12 µmol/L a mais infecções e anemia.

Excesso: quando o problema é o suplemento

Com alimentação comum, é difícil ter excesso dessas vitaminas. O excesso quase sempre vem de suplementos.

VitaminaLimite máximo diário para adultos (NIH)Sinais de excesso
A (forma pronta, retinol)3.000 µgDor de cabeça, visão turva, náusea, tontura; no uso prolongado, pele seca, dor nas articulações e alterações no fígado
E (suplementos)1.000 mgMais chance de sangramento em doses altas

O NIH lembra que o excesso de vitamina A na forma pronta e alguns remédios derivados da vitamina A podem causar malformações na gestação. Os carotenoides dos vegetais, como o betacaroteno da cenoura, não entram nesse limite da mesma forma. Se você usa qualquer suplemento, conte ao médico antes do exame e não aumente doses por conta própria.

Quando o médico costuma pedir esses exames

Como a falta clara de vitaminas A e E é pouco comum em adultos saudáveis, os exames costumam ser pedidos em situações específicas. As mais frequentes, a partir dos grupos descritos pelo NIH:

SituaçãoPor que as vitaminas entram
Cirurgia bariátricaA absorção de gordura e de vitaminas lipossolúveis pode cair
Doença de Crohn, retocolite e doença celíacaA inflamação do intestino reduz a absorção
Fibrose cística e insuficiência do pâncreasFaltam enzimas que digerem a gordura
Doenças do fígadoO fígado guarda a vitamina A e participa do transporte da vitamina E
Dietas muito restritivasIngestão baixa por muito tempo
Uso de suplementos em doses altasInvestigar excesso
Sintomas específicosDificuldade de enxergar no escuro, alterações nos nervos ou desequilíbrio sem outra causa

Se você se encaixa em algum desses grupos, vale levar o tema à consulta. Se não se encaixa e não tem sintomas, a alimentação variada costuma bastar, e o exame raramente muda a conduta. Pedir menos exames sem indicação também evita resultados limítrofes que geram dúvidas e repetições.

O que fazer depois do resultado

As necessidades diárias, segundo o NIH, são de 900 µg de vitamina A para homens e 700 µg para mulheres, e de 15 mg de vitamina E para adultos. A comida dá conta disso para a maioria das pessoas:

Depois do resultado:

  1. Retinol baixo: confira se não havia infecção ou inflamação. Se o valor se confirma, o médico investiga a absorção e decide sobre reposição.
  2. Vitamina E baixa: olhe junto o perfil lipídico e a história de absorção de gordura.
  3. Valores altos: revise suplementos.

Para outras vitaminas lipossolúveis, veja vitamina D baixa. Para minerais que costumam vir no mesmo pedido, veja zinco no sangue.

Quando repetir. Depois de tratada a causa, o médico costuma repetir em alguns meses, no mesmo preparo. O jejum é pedido por muitos laboratórios, porque a gordura da refeição pode interferir. Veja exame de sangue precisa de jejum.

Como acompanhar as suas vitaminas

A Piantare é uma infraestrutura de saúde e longevidade: une exames, DNA, wearables e hábitos num lugar só e traduz isso em decisões. No app Piantare, em lançamento, você guarda os laudos que envia e acompanha vitaminas, perfil lipídico e PCR lado a lado no tempo, o que ajuda a ler os números com o contexto certo, e o PIÁ responde com base nos seus dados e em estudos. A Piantare também está estruturando a coleta de sangue em casa e em pontos parceiros.

Perguntas frequentes

Qual é o valor normal de vitamina A no sangue?

Retinol acima de 20 µg/dL (0,70 µmol/L) costuma ser considerado adequado. Valores de 20 µg/dL ou menos frequentemente indicam deficiência moderada, segundo o NIH. Cada laboratório informa a própria faixa.

Qual é o valor normal de vitamina E no sangue?

Alfa-tocoferol abaixo de 12 µmol/L define deficiência. A média nos Estados Unidos fica perto de 30 µmol/L. O valor sobe junto com o colesterol, o que dificulta a leitura.

Infecção altera o exame de vitamina A?

Sim. Durante infecções e inflamações, o retinol cai de 13% a 24%, segundo uma metanálise da Lancet. Um valor baixo nesse período pode não ser falta de vitamina.

Precisa de jejum para dosar vitaminas A e E?

Muitos laboratórios pedem jejum, porque a gordura da refeição pode interferir. Siga a orientação do laboratório.

Comer muita cenoura causa excesso de vitamina A?

Não da mesma forma que o suplemento. O betacaroteno dos vegetais é convertido em vitamina A conforme a necessidade. Em excesso, ele pode deixar a pele levemente alaranjada, sem os efeitos da vitamina A pronta.

Fontes

  1. NIH Office of Dietary Supplements. Vitamin A and Carotenoids: Fact Sheet for Health Professionals. Atualizado em março de 2025. ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminA-HealthProfessional/ · Evidência A
  2. NIH Office of Dietary Supplements. Vitamin E: Fact Sheet for Health Professionals. Atualizado em 2026. ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminE-HealthProfessional/ · Evidência A
  3. Tanumihardjo SA, Russell RM, Stephensen CB et al. Biomarkers of Nutrition for Development (BOND): Vitamin A Review. Journal of Nutrition, 2016;146(9):1816S-1848S. doi.org/10.3945/jn.115.229708 · Evidência A
  4. Thurnham DI, McCabe GP, Northrop-Clewes CA, Nestel P. Effects of subclinical infection on plasma retinol concentrations and assessment of prevalence of vitamin A deficiency: meta-analysis. The Lancet, 2003;362(9401):2052-2058. doi.org/10.1016/S0140-6736(03)15099-4 · Evidência A
  5. Traber MG. Vitamin E inadequacy in humans: causes and consequences. Advances in Nutrition, 2014;5(5):503-514. doi.org/10.3945/an.114.006254 · Evidência B

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