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Genética · Conceitos

Herança genética: o que vem do pai e o que vem da mãe

Metade de cada um, com exceções importantes: DNA mitocondrial, cromossomos X e Y, recombinação e mutações novas.

Publicado23 out 2026
Leitura9 min
Herança genética: o que vem do pai e o que vem da mãe
Resposta direta

Na herança genética, você recebe metade do DNA do núcleo do pai e metade da mãe. Há exceções: o DNA mitocondrial vem só da mãe, e o cromossomo Y passa só de pai para filho homem. Os genes não decidem tudo: uma metanálise de 50 anos de estudos com gêmeos estimou em 49% a herdabilidade média de 17.804 características humanas.

Neste texto

  1. Metade de cada um: como a herança funciona
  2. O que só a mãe passa: o DNA mitocondrial
  3. O que só o pai passa, e o caso do X
  4. Os padrões de herança
  5. Por que irmãos são tão diferentes
  6. Herdabilidade: quanto vem dos genes
  7. O que fazer com a herança da sua família e os mitos comuns
  8. Como acompanhar com a Piantare
  9. Perguntas frequentes
  10. Fontes

Metade de cada um: como a herança funciona

O DNA do núcleo das suas células está organizado em cromossomos, que vêm em pares. Em cada par, um cromossomo veio do pai e o outro da mãe. Por isso se diz que você é metade de cada um.

A maioria dos pares é igual em homens e mulheres. São os chamados autossomos. Um par é diferente: o dos cromossomos sexuais. Mulheres costumam ter dois X. Homens costumam ter um X e um Y.

Na formação do óvulo e do espermatozoide, cada par se separa e só um cromossomo de cada par segue adiante. Antes disso, os cromossomos de cada par trocam pedaços entre si, num processo chamado recombinação. O resultado é que cada óvulo e cada espermatozoide carregam uma mistura única do DNA dos avós.

Genes, alelos e por que um lado parece "ganhar"

Para cada gene dos autossomos, você tem duas cópias, uma de cada pai. As versões possíveis de um gene se chamam alelos. Quando as duas cópias são diferentes, o resultado depende de como elas interagem. Em alguns casos, uma versão se expressa mesmo em dose única, e se diz que ela é dominante. Em outros, a característica só aparece quando as duas cópias são iguais, o que se chama recessivo. Há ainda casos em que as duas versões se expressam juntas.

Muitas diferenças entre pessoas vêm de variações de uma única letra no DNA, os SNPs, que explicamos em o que é SNP.

Essa regra geral tem três exceções importantes, que explicam boa parte das curiosidades sobre o que vem de cada lado.

O que só a mãe passa: o DNA mitocondrial

Além do DNA do núcleo, as mitocôndrias, estruturas que produzem energia nas células, têm um DNA próprio. Ele é pequeno: 16.569 pares de bases, sequenciados por completo em 1981 EV B.

Esse DNA é herdado da mãe. Segundo a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, só as mulheres transmitem variantes mitocondriais aos filhos, e os pais não passam essas condições adiante EV B. Filhos e filhas recebem o DNA mitocondrial da mãe, mas só as filhas o transmitem à geração seguinte.

É por isso que o DNA mitocondrial é usado para estudar linhagens maternas, como explicamos em haplogrupo materno e paterno.

O que só o pai passa, e o caso do X

O cromossomo Y passa de pai para filho homem. Uma variante no Y só pode ser transmitida de pai para filho EV B. Mulheres não têm Y, então não o recebem nem o transmitem.

O cromossomo X tem uma regra menos óbvia:

Esse detalhe explica por que algumas condições ligadas ao X, como a hemofilia, aparecem com muito mais frequência em homens. Eles têm uma única cópia do X, então uma variante nela já pode se manifestar.

Os padrões de herança

Geneticistas descrevem alguns padrões clássicos de herança para condições causadas por um único gene EV B:

PadrãoComo funcionaExemplo
Autossômico dominanteUma cópia alterada basta. Pode vir de um dos pais ou surgir nova na famíliaDoença de Huntington, síndrome de Marfan
Autossômico recessivoSão necessárias duas cópias alteradas. Pais costumam ser portadores sem manifestarFibrose cística, anemia falciforme
Ligado ao X recessivoUma cópia afeta homens. Mulheres precisariam de duasHemofilia
Ligado ao YPassa só de pai para filhoAlgumas formas de infertilidade masculina
CodominanteAs duas versões se expressamGrupos sanguíneos ABO
MitocondrialPassa só pela mãeNeuropatia óptica hereditária de Leber

A maioria das características do dia a dia e das condições comuns não segue esses padrões simples. Doença cardíaca e diabetes tipo 2, por exemplo, são poligênicas: dependem de muitos genes, cada um com efeito pequeno, somados ao ambiente. Para condições hereditárias que preocupam a família, o caminho é o aconselhamento genético, a partir do histórico de saúde familiar.

Por que irmãos são tão diferentes

Irmãos dos mesmos pais compartilham, em média, metade do DNA herdado. Mas cada um recebe uma combinação diferente, por causa da recombinação. Um estudo que mapeou mais de 4,5 milhões de recombinações em pais e filhos mostrou que esse processo é extenso e também regulado por genes EV B.

Há ainda as mutações novas, que surgem no óvulo ou no espermatozoide e não estavam em nenhum dos pais. Ao sequenciar 1.548 islandeses e os seus pais, pesquisadores observaram que o número de mutações novas vindas do pai aumenta em 1,51 por ano de idade paterna, e o das vindas da mãe, em 0,37 por ano de idade materna EV B. A grande maioria dessas mudanças não tem efeito sobre a saúde.

Somando tudo, cada filho é uma combinação inédita. Isso explica por que irmãos podem ter alturas, tons de pele e até porcentagens de ancestralidade diferentes. Vemos esse efeito em ancestralidade genética do brasileiro.

Herdabilidade: quanto vem dos genes

A pergunta "isso é genético?" raramente tem resposta sim ou não. A ciência mede a herdabilidade: quanto da variação de uma característica, numa população, se deve a diferenças genéticas.

Uma metanálise reuniu praticamente todos os estudos com gêmeos publicados em 50 anos: 2.748 publicações, 17.804 características e mais de 14,5 milhões de pares de gêmeos, parcialmente sobrepostos. A herdabilidade média foi de 49% EV A. Em outras palavras, para uma característica típica, genes e ambiente pesam de forma parecida.

A altura mostra como isso funciona na prática. Um estudo com 5,4 milhões de pessoas encontrou 12.111 variantes associadas, que juntas explicam cerca de 40% da variação da altura em pessoas de origem europeia EV B. Mesmo uma característica muito herdável depende de milhares de variantes e também da nutrição e da saúde na infância.

Três cuidados ao ler herdabilidade:

O que fazer com a herança da sua família e os mitos comuns

Conhecer a lógica da herança ajuda a usar melhor uma informação que você já tem: a história de saúde da sua família. Algumas atitudes práticas:

  1. Registre o histórico. Anote condições de pais, avós, irmãos e tios, com a idade aproximada em que apareceram. Diagnósticos precoces costumam ser os mais informativos.
  2. Observe os dois lados. Com exceção do DNA mitocondrial e dos cromossomos sexuais, a herança vem igualmente do pai e da mãe. Um histórico só do lado paterno pesa tanto quanto um do lado materno.
  3. Leve ao médico. O histórico ajuda a definir quando começar certos exames e quais acompanhar mais de perto.
  4. Cuide do que é modificável. Para a maioria das condições comuns, que são poligênicas, sono, movimento, alimentação e controle da pressão continuam pesando bastante.

Mitos comuns sobre o que vem de cada lado

Algumas frases repetidas em família ajudam a fixar ideias erradas sobre herança. Vale revisar quatro delas:

Como acompanhar com a Piantare

O Piantare Helix é um exame de DNA de estilo de vida com coleta de saliva em casa. Ele entrega 9 relatórios e mais de 200 resultados, entre eles ancestralidade, nutrição, performance, pele, envelhecimento, mente e sono, medicamentos e prevenção, e transforma as descobertas no Protocolo 90 dentro do app. Custa R$ 997 ou 12x R$ 83,08 e inclui 6 meses do Piantare PRO. Os resultados mostram as suas predisposições como tendências, ao lado de hábitos que você pode acompanhar, porque a herança é o ponto de partida e não o destino.

Perguntas frequentes

Herdamos mais genes da mãe ou do pai?

Do DNA do núcleo, metade de cada um. A mãe também passa o DNA mitocondrial, que é pequeno. O pai passa o cromossomo Y aos filhos homens.

O pai passa o cromossomo X para o filho homem?

Não. O pai passa o X para as filhas e o Y para os filhos. Por isso características ligadas ao X não passam de pai para filho homem.

Por que irmãos dos mesmos pais são diferentes?

Cada óvulo e espermatozoide carrega uma mistura única do DNA dos pais, por causa da recombinação. Mutações novas também contribuem.

O que é herdabilidade?

É a parte da variação de uma característica numa população que se deve a diferenças genéticas. A média de 17.804 características em estudos com gêmeos foi de 49%.

Uma condição genética pode pular gerações?

Sim. Em condições recessivas, portadores com uma única cópia costumam não manifestar a condição, que pode reaparecer quando dois portadores têm filhos.

Fontes

  1. MedlinePlus Genetics (National Library of Medicine, NIH). What are the different ways a genetic condition can be inherited? medlineplus.gov/genetics/understanding/inheritance/inheritancepatterns/ · Evidência B
  2. Anderson S, Bankier AT, Barrell BG et al. Sequence and organization of the human mitochondrial genome. Nature, 1981;290(5806):457-465. doi.org/10.1038/290457a0 · Evidência B
  3. Halldorsson BV, Palsson G, Stefansson OA et al. Characterizing mutagenic effects of recombination through a sequence-level genetic map. Science, 2019;363(6425):eaau1043. doi.org/10.1126/science.aau1043 · Evidência B
  4. Jónsson H, Sulem P, Kehr B et al. Parental influence on human germline de novo mutations in 1,548 trios from Iceland. Nature, 2017;549(7673):519-522. doi.org/10.1038/nature24018 · Evidência B
  5. Polderman TJC, Benyamin B, de Leeuw CA et al. Meta-analysis of the heritability of human traits based on fifty years of twin studies. Nature Genetics, 2015;47(7):702-709. doi.org/10.1038/ng.3285 · Evidência A
  6. Yengo L, Vedantam S, Marouli E et al. A saturated map of common genetic variants associated with human height. Nature, 2022;610(7933):704-712. doi.org/10.1038/s41586-022-05275-y · Evidência B

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