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Existe genérico do Ozempic? Genérico, similar e biossimilar explicados
O vocabulário da Anvisa em linguagem simples, e por que o primeiro genérico de semaglutida no Brasil tem o Ozivy, e não o Ozempic, como referência.

Não existe genérico que tenha o Ozempic como referência. O Ozempic é semaglutida de origem biológica, e produtos biológicos não têm genéricos no sentido clássico. O que existe, desde agosto de 2026, é um genérico do Ozivy, a semaglutida sintética da EMS aprovada em maio de 2026, além do Semaclique, registrado como similar. Todas exigem receita retida.
Neste texto
- A resposta curta
- Referência, genérico e similar
- Biológicos e biossimilares
- Por que a semaglutida é um caso especial
- Como surgiu o genérico do Ozivy
- O que isso muda na prática
- E o Mounjaro, tem genérico?
- Como acompanhar o seu tratamento
- Perguntas frequentes
- Fontes
A resposta curta
A pergunta "existe genérico do Ozempic?" virou uma das mais feitas de 2026. A dúvida faz todo o sentido: quando uma patente cai, a gente espera que apareça um genérico mais barato na farmácia. Com a semaglutida, a história é um pouco diferente, e entender por que ajuda a ler as notícias e a conversar com o médico.
A resposta curta: não existe um genérico que tenha o Ozempic como medicamento de referência. Existe, desde agosto de 2026, um genérico do Ozivy, a semaglutida sintética da EMS. Na imprensa, tudo isso aparece como "genérico do Ozempic". Aqui na Piantare chamamos esses produtos de semaglutida nacional ou versões nacionais da semaglutida, porque é a forma mais precisa.
Para entender o porquê, vale conhecer quatro palavras do vocabulário da Anvisa. Nenhuma delas muda o cuidado de base, que vale para qualquer produto: registro, receita e acompanhamento médico.
Referência, genérico e similar
A Lei nº 9.787, de 1999, conhecida como Lei dos Genéricos, organizou a forma como os medicamentos copiados chegam ao mercado brasileiro. Em linguagem simples:
| Categoria | O que é | Nome na caixa |
|---|---|---|
| Medicamento de referência | O produto que serve de comparação, em geral o inovador, que fez os estudos clínicos completos | Nome comercial |
| Genérico | Mesmo princípio ativo, com equivalência ao de referência comprovada; pode substituí-lo | Só o nome da substância |
| Similar | Mesmo princípio ativo, vendido com marca própria | Nome comercial próprio |
| Similar intercambiável | Similar que comprovou equivalência ao de referência e pode substituí-lo | Nome comercial próprio |
O genérico costuma chegar ao mercado custando ao menos 35% menos que o de referência. A Anvisa mantém uma consulta pública, no portal de consultas da agência, que mostra qual é o medicamento de referência de cada similar intercambiável.
Esse modelo funciona muito bem para remédios de molécula pequena, como a maioria dos comprimidos. A cópia pode ser idêntica, e a equivalência é demonstrada com testes de laboratório e de bioequivalência.
Como conferir um produto
Todo medicamento regular tem um número de registro na Anvisa impresso na embalagem. Na área de consultas do site da agência, você pode buscar pelo nome do produto ou pelo número de registro e ver a categoria regulatória, a empresa responsável e, no caso dos similares intercambiáveis, qual é o medicamento de referência. Se um produto não aparece nessa busca, ele não tem registro. Essa checagem leva poucos minutos e vale para qualquer caneta.
Biológicos e biossimilares
Alguns medicamentos são produzidos por células vivas, como insulinas e anticorpos. São os biológicos. Como o processo biológico gera pequenas variações, não dá para fazer uma cópia idêntica. Por isso, para eles, não existe genérico no sentido clássico.
A versão de um biológico feita por outra empresa é conhecida no mundo como biossimilar. No Brasil, a Anvisa registra esses produtos pela chamada via de desenvolvimento por comparabilidade, prevista na RDC nº 55/2010. A empresa precisa mostrar, num exercício de comparação com o produto original, que não há diferenças relevantes de qualidade, eficácia e segurança.
Um ponto importante para quem usa: segundo a Anvisa, a troca entre um biológico e o seu biossimilar não é automática. A agência não classifica biossimilares como intercambiáveis ou não, e afirma que a decisão de trocar é individual, com avaliação médica e acompanhamento farmacêutico. Trocas repetidas entre os dois produtos são consideradas inadequadas.
Por que a semaglutida é um caso especial
A semaglutida é um peptídeo, uma cadeia de aminoácidos maior que uma molécula de comprimido, mas menor que um anticorpo. O Ozempic é produzido por tecnologia biológica. Só que um peptídeo desse tamanho também pode ser fabricado por síntese química.
Essa dupla possibilidade colocou a semaglutida numa zona cinzenta entre sintéticos e biológicos. Quando a patente caiu, em 20 de março de 2026, a Anvisa ainda não tinha regras específicas para essa situação, e cada pedido foi avaliado com base em referências internacionais. Segundo o Olhar Digital, a agência exigiu estudos de imunogenicidade, controle de impurezas e prova de que o fabricante consegue detectar pequenas variações na molécula. Dos pedidos em análise naquele momento, só dois eram de biossimilares; os demais tinham sido submetidos como medicamentos novos.
O Ozivy foi aprovado em 26 de maio de 2026 como semaglutida sintética. Segundo a Anvisa, foi a primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao produto biológico liberada no país.
Como surgiu o genérico do Ozivy
Para existir um genérico, é preciso um medicamento de referência. Segundo a imprensa, o Ozivy entrou na Lista de Medicamentos de Referência da Anvisa em 10 de julho de 2026. Com isso, outros produtos sintéticos podiam ser comparados a ele.
Em 17 de agosto de 2026, a Anvisa publicou dois registros de semaglutida sintética:
- Genérico do Ozivy, da EMS, vendido só com o nome da substância.
- Semaclique, da Germed, empresa ligada à EMS, registrado como similar, com marca própria.
Os dois são canetas de aplicação semanal, guardadas na geladeira. A Anvisa reforçou que, como todos os medicamentos da classe, exigem receita em duas vias e acompanhamento médico. Resumindo a nuance: o genérico é do Ozivy, e o Ozivy tem a mesma substância do Ozempic, mas foi fabricado por outro caminho e aprovado como sintético.
A linha do tempo completa está em semaglutida nacional: o que muda com o Ozivy.
O que isso muda na prática
Para você, a diferença entre genérico, similar e biossimilar importa menos do que três perguntas práticas:
- Tem registro na Anvisa? Todos os produtos citados aqui têm. Canetas vendidas em redes sociais, "do Paraguai" ou em pó para diluir não têm e seguem proibidas. Veja Mounjaro do Paraguai.
- Qual é a indicação na bula? O Ozivy e as versões ligadas a ele são aprovados para diabetes tipo 2, como o Ozempic. O uso para obesidade é fora da bula.
- A troca foi orientada pelo médico? Mesmo com a mesma substância, apresentação e forma de uso podem mudar. Não troque por conta própria nem aceite substituição sem conversar com quem prescreveu.
A queda de preço com a concorrência é real e pode ajudar a manter um tratamento contínuo. Os valores datados estão em quanto custa tratar com caneta. E as diferenças entre as moléculas, em Ozempic, Wegovy e Mounjaro.
Para olhar o seu momento além da escolha do produto, a Piantare tem um quiz de 3 minutos, Como está o seu plano para além da caneta?
E o Mounjaro, tem genérico?
Não. Segundo o INPI, citado pela imprensa em março de 2026, a patente da tirzepatida no Brasil vai até 5 de janeiro de 2036. Um projeto de lei que pede a licença compulsória do Mounjaro tramita no Congresso, mas licença compulsória é diferente do fim natural da patente e, até aqui, não mudou o que está na farmácia.
Produtos de tirzepatida vendidos como "genéricos", "importados" ou em frascos com pó para diluir não têm registro e foram alvo de proibições e apreensões da Anvisa em 2026. A agência recomenda usar apenas produtos legalizados, com acompanhamento de profissional habilitado.
Como acompanhar o seu tratamento
Trocar de produto, mesmo dentro da mesma substância, é um bom momento para registrar como você está: peso, cintura, força, sono e exames. Assim fica mais fácil perceber qualquer mudança. O App Piantare guarda os exames que você envia, reúne dados do Apple Saúde, do Google Health, do Strava e do Ring PRO, e traz o Mapa da Longevidade, com a PIÁ respondendo com base nos seus dados e em estudos. Ele está em lançamento: entre na lista do app. Este conteúdo é educativo. Decisões sobre diagnóstico e tratamento são feitas com o seu médico.
Perguntas frequentes
Existe genérico do Ozempic no Brasil?
Não com o Ozempic como referência. Desde agosto de 2026 existe um genérico do Ozivy, a semaglutida sintética da EMS, que tem a mesma substância do Ozempic.
O que é biossimilar?
É a versão de um medicamento biológico feita por outra empresa e aprovada por comparação com o original. No Brasil, a Anvisa registra esses produtos pela via de desenvolvimento por comparabilidade.
Genérico e similar são a mesma coisa?
Não. O genérico é vendido só com o nome da substância e pode substituir o de referência. O similar tem marca própria; só é intercambiável quando comprovou equivalência.
O Semaclique é genérico?
Não. O Semaclique, da Germed, foi registrado em agosto de 2026 como similar, com marca própria e semaglutida sintética.
A farmácia pode trocar meu Ozempic por um genérico?
A troca de produto deve ser orientada pelo médico, porque apresentação e forma de uso podem mudar. Para biológicos, a Anvisa diz que a troca é decisão individual com avaliação médica.
Existe genérico do Mounjaro?
Não. Segundo o INPI, a patente da tirzepatida no Brasil vai até 2036. Produtos vendidos como genéricos ou em pó para diluir não têm registro na Anvisa.
Fontes
- Anvisa. Nota de esclarecimento nº 003/2017: medicamentos biológicos, intercambialidade e via de desenvolvimento por comparabilidade, 2017. www.gov.br/anvisa/pt-br/setorregulado/regularizacao/medicamentos/produtos-biologicos/documentos-orientativos-e-guias/nota-de-esclarecimento-003-de-2017-medicamentos-biologicos.pdf · Evidência A
- IntraMed. Anvisa moderniza consulta sobre intercambialidade de medicamentos, 2024. www.intramed.net/content/anvisa-moderniza-consulta-sobre-intercambialidade-de-medicamentos · Evidência D
- Olhar Digital. Ozempic sem patente: Brasil aflito por genéricos, novas canetas chegam em breve, 20/03/2026. olhardigital.com.br/2026/03/20/medicina-e-saude/ozempic-sem-patente-brasil-aflito-por-genericos-novas-canetas-chegam-em-breve/ · Evidência D
- IstoÉ Dinheiro. Anvisa aprova caneta da EMS com mesmo princípio ativo do Ozempic, 26/05/2026. istoedinheiro.com.br/anvisa-aprova-caneta-emagrecedora-da-ems-com-mesmo-principio-ativo-do-ozempic · Evidência D
- TNH1. EMS reduz preço do Ozivy e passa a oferecer três canetas por R$ 999, 15/07/2026. www.tnh1.com.br/noticia/nid/ems-reduz-preco-do-ozivy-e-passa-a-oferecer-tres-canetas-por-r-999/ · Evidência D
- Correio da Manhã. Anvisa aprova registro de novas canetas de semaglutida, 18/08/2026. www.correiodamanha.com.br/nacional/2026/08/311765-anvisa-aprova-registro-de-novas-canetas-de-semaglutida.html · Evidência D
- Jornal de Brasília / Estadão Conteúdo. Patente do Ozempic já expirou; e a do Mounjaro, quando cai?, 24/03/2026. jornaldebrasilia.com.br/noticias/saude/patente-do-ozempic-ja-expirou-e-a-do-mounjaro-quando-cai/ · Evidência D
- Diario de Pernambuco. Anvisa manda apreender canetas emagrecedoras vendidas sem registro, outubro de 2026. www.diariodepernambuco.com.br/dptrends/anvisa-manda-apreender-canetas-emagrecedoras-vendidas-sem-registro-veja-quais-substancias-foram-atingidas/ · Evidência D