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Exames · Hormônios femininos

Exames hormonais femininos: quais são, em que dia do ciclo fazer e como ler por idade

FSH, LH, estradiol, progesterona, AMH, prolactina, TSH e androgênios: o que cada exame mostra e por que o dia do ciclo muda tudo.

Publicado16 out 2026
Leitura10 min
Exames hormonais femininos: quais são, em que dia do ciclo fazer e como ler por idade
Resposta direta

Os exames hormonais femininos mais pedidos são FSH, LH e estradiol no início do ciclo, progesterona cerca de uma semana antes da menstruação, AMH em qualquer dia, além de prolactina, TSH e testosterona. Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, uma progesterona acima de 3 ng/mL nessa janela confirma a ovulação. O dia do ciclo define a leitura de quase todos eles.

Neste texto

  1. Por que o dia do ciclo importa
  2. Os exames do painel e o dia certo de cada um
  3. Aos 30: ciclo, fertilidade e ovários policísticos
  4. Aos 40: a transição começa
  5. Aos 50 e depois: o que ainda vale medir
  6. Exemplos práticos de leitura
  7. Como se preparar e o que fazer depois
  8. Como acompanhar o ciclo e os seus exames
  9. Perguntas frequentes
  10. Fontes

Por que o dia do ciclo importa

Ao longo de um ciclo menstrual, os hormônios sobem e descem numa sequência previsível. Na primeira metade, a hipófise libera FSH e LH, e o folículo em crescimento produz estradiol. Por volta do meio do ciclo, um pico de LH dispara a ovulação. Na segunda metade, o corpo lúteo produz progesterona. Se não há gravidez, tudo cai e a menstruação recomeça o ciclo.

Isso significa que o mesmo exame pode ter valores muito diferentes conforme o dia. Um estradiol de uma mulher saudável no 3º dia do ciclo e no dia anterior à ovulação pode parecer de duas pessoas diferentes. Estudos com coleta diária, como o de Stricker e colegas com 20 voluntárias, foram necessários justamente para construir faixas de referência por fase EV B.

Por isso, a primeira informação que o laboratório e o médico precisam é a data da última menstruação e a duração habitual do seu ciclo. Anticoncepcionais hormonais também mudam todo o padrão, porque costumam bloquear a ovulação. Informe sempre o uso.

Os exames do painel e o dia certo de cada um

ExameQuando colherO que mostra
FSH e LHEntre o 2º e o 4º dia do cicloComando da hipófise; FSH alto sugere reserva ovariana menor
EstradiolJunto com o FSH, no início do cicloAjuda a ler o FSH; sozinho não avalia a reserva
ProgesteronaCerca de 7 dias antes da menstruação esperadaAcima de 3 ng/mL confirma ovulação
AMH (antimülleriano)Qualquer dia do cicloEstimativa da reserva de óvulos
ProlactinaPela manhã, em repousoEm geral abaixo de 25 ng/mL; alta pode frear a ovulação
TSHQualquer diaTireoide, que interfere no ciclo e na fertilidade
Testosterona total e livreInício do ciclo, pela manhãExcesso de androgênios, como na síndrome dos ovários policísticos

Fontes: Practice Committee ASRM, Fertil Steril, 2015; Samperi et al., J Clin Med, 2019; Teede et al., JCEM, 2023. Cada laboratório informa as próprias faixas por fase.

O comitê da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva resume pontos práticos EV A: a progesterona deve ser colhida cerca de uma semana antes da próxima menstruação; o estradiol basal sozinho não deve ser usado para avaliar a reserva ovariana; o AMH pode ser colhido em qualquer dia; e TSH e prolactina fazem parte da avaliação de quem tenta engravidar.

Se o seu médico pediu um painel hormonal e você quer comparar opções de coleta no dia certo do ciclo, deixe seus dados no formulário abaixo. A equipe Piantare retorna com um orçamento para coleta em casa ou num ponto parceiro.

Aos 30: ciclo, fertilidade e ovários policísticos

Entre os 30 e os 39 anos, os exames hormonais costumam ser pedidos por três motivos principais.

Ciclo irregular e síndrome dos ovários policísticos

A diretriz internacional de 2023 combina ciclo irregular, sinais de excesso de androgênios e avaliação dos ovários para o diagnóstico EV A. Para os androgênios, prioriza a testosterona total e livre; o DHEA-S entra como complemento. Uma novidade: em adultas, o AMH pode substituir o ultrassom na avaliação dos ovários.

Planejamento da gestação

A mesma sociedade americana orienta procurar avaliação depois de 12 meses de tentativas sem gravidez, ou depois de 6 meses a partir dos 35 anos. Nessa avaliação, entram a confirmação da ovulação pela progesterona, a reserva ovariana e a tireoide.

AMH: o que ele diz e o que não diz

O comitê da sociedade americana sobre reserva ovariana explica que os marcadores, como o AMH, ajudam a prever quantos óvulos serão obtidos numa estimulação, mas são fracos para prever a chance de gravidez, independentemente da idade EV A. Um AMH baixo não significa que a mulher não pode engravidar, e um AMH alto não garante a gravidez.

Aos 40: a transição começa

Depois dos 40, os ciclos podem ficar mais curtos ou irregulares, e os hormônios passam a oscilar mais de um mês para o outro. Nessa fase, um único exame de FSH ou de estradiol pode enganar: o mesmo hormônio pode vir alto num mês e normal no seguinte.

Os critérios de estágios do envelhecimento reprodutivo, o STRAW+10, usam principalmente o padrão das menstruações para definir a transição da menopausa, com os hormônios como apoio EV A. Na prática, o ginecologista costuma reconhecer a perimenopausa pela história e pelos sintomas, como mudanças no ciclo, ondas de calor e alterações do sono, e pede hormônios quando há dúvida ou quando é preciso afastar outras causas, como tireoide e prolactina. Veja prolactina alta e menopausa e perimenopausa.

Os androgênios também mudam, mas de outro jeito. Num estudo com 1.423 mulheres de 18 a 75 anos, a testosterona e o DHEA-S caíram de forma acentuada com a idade, sobretudo nas primeiras décadas da vida adulta, e a menopausa natural, por si, não teve efeito independente EV B.

Aos 50 e depois: o que ainda vale medir

Depois da menopausa, o padrão se estabiliza: o FSH fica alto, o estradiol e a progesterona ficam baixos. Para a maioria das mulheres, repetir esses hormônios não muda a conduta.

FaixaExames hormonais mais úteisObservação
30 a 39 anosFSH, LH, estradiol, progesterona, AMH, prolactina, TSH, testosteronaConforme ciclo, fertilidade e sinais de androgênios
40 a 49 anosTSH, prolactina; FSH e estradiol em casos de dúvidaValores oscilam muito de um mês para o outro
50 a 59 anosTSH; outros hormônios conforme sintomasDiagnóstico da menopausa é sobretudo clínico
60 anos ou maisTSH; hormônios só com indicação específicaDensitometria e exames metabólicos ganham peso

A tireoide merece atenção em todas as faixas, porque os sintomas dela se confundem com os da transição. Veja TSH alto.

Depois dos 50, ganham espaço os exames que acompanham a saúde metabólica e cardiovascular, que muda com a queda do estrogênio: pressão, glicose, perfil lipídico, e a densitometria óssea a partir dos 65, ou antes para quem tem risco aumentado.

Exemplos práticos de leitura

Três situações comuns mostram como o contexto muda a leitura. Os números são ilustrativos, e a interpretação real é sempre do médico.

Em todos os casos, o que dá sentido ao número é a combinação de dia do ciclo, idade, sintomas e objetivo da investigação.

Como se preparar e o que fazer depois

Depois do resultado, lembre que um valor fora da faixa num único exame hormonal raramente fecha um diagnóstico. Os próximos passos mais comuns são repetir no dia certo, cruzar com os sintomas e com outros exames e, quando indicado, fazer ultrassom. O estradiol tem um guia próprio com faixas por fase.

Os hábitos com evidência para a saúde hormonal são os mesmos que sustentam a saúde em geral: sono regular, movimento, alimentação equilibrada e atenção ao estresse. Qualquer tratamento hormonal é decisão do médico.

Como acompanhar o ciclo e os seus exames

A Piantare é uma infraestrutura de saúde e longevidade: une exames, DNA, wearables e hábitos num lugar só e traduz isso em decisões. No app Piantare, em lançamento, você guarda os laudos que envia com a fase do ciclo de cada coleta e acompanha os hormônios no tempo. O app integra o Ring PRO, que mede a temperatura da pele, um dado que acompanha as fases do ciclo. A Piantare também está estruturando a coleta de sangue em casa e em pontos parceiros, o que ajuda a colher no dia certo.

Perguntas frequentes

Quais são os principais exames hormonais femininos?

FSH, LH, estradiol, progesterona, AMH, prolactina, TSH e testosterona. O médico escolhe o painel conforme os sintomas, a idade e o objetivo, como investigar o ciclo ou planejar a gestação.

Em que dia do ciclo fazer exames hormonais?

FSH, LH e estradiol entre o 2º e o 4º dia do ciclo. Progesterona cerca de 7 dias antes da menstruação esperada. AMH e TSH podem ser feitos em qualquer dia.

AMH baixo significa que não vou engravidar?

Não. O AMH estima a reserva de óvulos e ajuda a prever a resposta a tratamentos, mas é um preditor fraco da chance de gravidez, segundo a sociedade americana de reprodução.

Precisa de exame de sangue para saber se estou na menopausa?

Na maioria das mulheres acima dos 45, a transição é reconhecida pelo padrão das menstruações e pelos sintomas. Os hormônios ajudam em casos de dúvida ou para afastar outras causas.

Quem usa anticoncepcional pode fazer exames hormonais?

Pode, mas a maioria dos anticoncepcionais hormonais muda o padrão do ciclo e os resultados. Informe o uso ao médico, que decide quais exames ainda fazem sentido.

Fontes

  1. Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Diagnostic evaluation of the infertile female: a committee opinion. Fertility and Sterility, 2015;103(6):e44-e50. doi.org/10.1016/j.fertnstert.2015.03.019 · Evidência A
  2. Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Testing and interpreting measures of ovarian reserve: a committee opinion. Fertility and Sterility, 2020;114(6):1151-1157. doi.org/10.1016/j.fertnstert.2020.09.134 · Evidência A
  3. Teede HJ, Tay CT, Laven JJE et al. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2023;108(10):2447-2469. doi.org/10.1210/clinem/dgad463 · Evidência A
  4. Harlow SD, Gass M, Hall JE et al. Executive summary of the Stages of Reproductive Aging Workshop + 10: addressing the unfinished agenda of staging reproductive aging. Menopause, 2012;19(4):387-395. doi.org/10.1097/gme.0b013e31824d8f40 · Evidência A
  5. Stricker R, Eberhart R, Chevailler MC et al. Establishment of detailed reference values for luteinizing hormone, follicle stimulating hormone, estradiol, and progesterone during different phases of the menstrual cycle on the Abbott ARCHITECT analyzer. Clinical Chemistry and Laboratory Medicine, 2006;44(7):883-887. doi.org/10.1515/CCLM.2006.160 · Evidência B
  6. Davison SL, Bell R, Donath S, Montalto JG, Davis SR. Androgen levels in adult females: changes with age, menopause, and oophorectomy. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2005;90(7):3847-3853. doi.org/10.1210/jc.2005-0212 · Evidência B
  7. Samperi I, Lithgow K, Karavitaki N. Hyperprolactinaemia. Journal of Clinical Medicine, 2019;8(12):2203. doi.org/10.3390/jcm8122203 · Evidência A

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