Guia · Open Health
Como guardar exames e por quanto tempo
Papel, PDF ou app: como organizar para que o histórico sirva de algo.

Guarde seus exames pela vida toda, de preferência em formato digital. No Brasil, o prontuário do consultório ou hospital deve ser mantido por no mínimo 20 anos após o último registro. Já os laboratórios precisam guardar os próprios registros por pelo menos 5 anos. Depois disso, quem garante o seu histórico é você.
Neste texto
- Por que guardar exames antigos
- Por quanto tempo guardar: o que diz a regra no Brasil
- Laboratório guarda por mim?
- Papel, PDF ou app: como organizar a pasta de exames
- Como digitalizar exames antigos
- Como levar o histórico para a consulta
- Privacidade: exame é dado sensível
- O histórico que trabalha por você
Por que guardar exames antigos
Um exame isolado diz como você estava num dia. Uma sequência de exames mostra para onde você está indo. É essa sequência que ajuda o médico a perceber uma mudança lenta, como um marcador que sobe um pouco a cada ano, ainda dentro da faixa de referência.
Exames antigos também viram sua linha de base: o seu próprio padrão, que serve de comparação para os próximos resultados. Comparar você com você mesmo costuma dizer mais do que comparar você com a média.
E eles evitam retrabalho. Um laudo de imagem antigo, uma biópsia ou um exame genético podem poupar repetições e acelerar uma decisão médica no futuro.
Por quanto tempo guardar: o que diz a regra no Brasil
A lei define prazos para quem atende você, não para você. Mesmo assim, eles ajudam a entender o cenário.
- Prontuário em consultórios e hospitais: a Lei 13.787/2018 permite eliminar prontuários, em papel ou digitalizados, só depois de no mínimo 20 anos a partir do último registro. A lei prevê, como alternativa, a devolução do prontuário ao paciente.
- Prontuário digitalizado: a Resolução 1.821/2007 do Conselho Federal de Medicina estabelece guarda permanente para prontuários arquivados eletronicamente, e 20 anos no mínimo para os que ficaram só no papel.
- Laboratórios clínicos: a norma da Anvisa para esses serviços (RDC 786/2023) exige que a documentação e os registros sejam mantidos por no mínimo 5 anos.
Prazos mínimos de guarda definidos para os serviços de saúde no Brasil
Para você, a recomendação prática é simples: guarde tudo, para sempre, em formato digital. Um PDF ocupa pouco espaço e pode valer muito daqui a 15 anos.
Laboratório guarda por mim?
Por um tempo, sim. Para sempre, não conte com isso. O prazo mínimo exigido dos laboratórios é de 5 anos, e cada serviço tem a própria política de acesso aos resultados online. Trocas de sistema, de plano de saúde ou de cidade fazem laudos se perderem pelo caminho.
O hábito que resolve: baixe o PDF assim que o resultado sair e guarde no seu arquivo pessoal.
Você também tem direito ao seu prontuário. O Código de Ética Médica proíbe o médico de negar ao paciente o acesso ao prontuário ou de deixar de fornecer cópia quando solicitada. Vale pedir uma cópia ao trocar de médico ou ao encerrar um tratamento.
Papel, PDF ou app: como organizar a pasta de exames
O melhor sistema é o que você mantém. Três caminhos:
Pasta de papel. Funciona para quem tem poucos exames. Separe por ano e guarde em lugar seco. O risco é perder, molhar ou desbotar, especialmente laudos impressos em papel térmico.
PDF em pastas no computador ou na nuvem. Mais seguro e fácil de compartilhar. Use um padrão de nome que ordene sozinho, com a data primeiro: 2026-10-22_hemograma.pdf. Organize em pastas por ano ou por tipo (sangue, imagem, genética, consultas).
App de saúde. Além de guardar, um app pode ler os resultados e mostrar a evolução ao longo do tempo. É aqui que o histórico passa a conversar: o exame de hoje ao lado do de três anos atrás.
O que guardar com prioridade:
- Exames de sangue de rotina, com o laudo completo e a faixa de referência.
- Laudos de imagem e, quando possível, as imagens.
- Biópsias, cirurgias e internações.
- Exames genéticos, que valem para a vida toda.
- Carteira de vacinação e lista de medicamentos em uso.
Vale incluir também o histórico da sua família. Nosso guia sobre histórico de saúde familiar mostra como montar o seu.
Como digitalizar exames antigos
Uma tarde resolve anos de papel.
Como digitalizar e organizar seus exames em uma tarde
- 01ReúnaJunte papéis, e-mails e portais de laboratório num só lugar.
- 02DigitalizeUse o modo de documento do celular e gere um PDF por exame.
- 03NomeieData primeiro, depois o tipo: 2026-10-22_hemograma.pdf.
- 04OrganizePastas por ano ou por tipo: sangue, imagem, genética, consultas.
- 05ProtejaFaça cópia de segurança e ative a verificação em duas etapas.
Algumas dicas para o resultado ficar bom:
- Use o modo de digitalizar documentos do celular, que corrige o ângulo e gera PDF.
- Fotografe com boa luz, sem sombra, em fundo escuro.
- Confira se valores, unidades e faixas de referência ficaram legíveis.
- Mantenha o original em papel de exames que não se repetem, como biópsias e laudos genéticos.
Se o laudo original veio por e-mail ou portal, prefira sempre o PDF do laboratório à foto: ele é mais fiel e mais fácil de ler por sistemas.
Como levar o histórico para a consulta
Um arquivo bem organizado só rende se chegar à mão do médico na hora certa. Antes de uma consulta:
- Separe os últimos resultados do mesmo exame, lado a lado, para mostrar a tendência.
- Faça uma linha do tempo curta: diagnósticos, cirurgias, internações e mudanças de medicação, com o ano de cada um.
- Anote o que mudou desde a última visita: sono, energia, peso, sintomas novos, rotina de treino.
- Leve a lista de medicamentos e suplementos em uso, com dose. E nunca mude uma medicação sem falar com seu médico.
- Tenha tudo no celular, para enviar na hora se o médico pedir.
Quando exames antigos vêm de laboratórios diferentes, preste atenção às unidades e às faixas de referência de cada laudo. Elas podem variar entre serviços, e é por isso que o laudo completo vale mais do que um número anotado num papel.
Privacidade: exame é dado sensível
Para a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), dado referente à saúde e dado genético são dados pessoais sensíveis, com proteção reforçada. A mesma lei garante a você, entre outros, os direitos de acesso aos seus dados, de correção e de portabilidade para outro serviço.
Na prática:
- Evite mandar exames em grupos de mensagem ou por e-mail sem necessidade.
- Proteja a nuvem com senha forte e verificação em duas etapas.
- Ao escolher um app, leia como ele trata e compartilha seus dados, e se permite exportar e apagar o que é seu.
O histórico que trabalha por você
Guardar é o primeiro passo. O segundo é fazer o histórico servir de algo.
O App Piantare guarda seus exames no histórico e junta, num lugar só, exames, dados de wearables, genética e como você se sente. Chamamos isso de Open Health. A PIÁ, a inteligência do app, responde às suas perguntas com base nos seus dados e em estudos revisados.
Enquanto organiza a sua pasta, comece a sua linha de base cognitiva: a Leitura de Cognição leva cerca de 4 minutos e mede velocidade e flexibilidade de raciocínio. O resultado também vira histórico.
Entre na lista de espera do app e traga seus exames para um lugar onde eles conversam.
Perguntas frequentes
Preciso guardar exames antigos?
Sim. Exames antigos formam a sua linha de base e mostram tendências que um resultado isolado não mostra. Eles também evitam repetições e ajudam o médico a decidir mais rápido. Guarde todos, de preferência em PDF.
Por quanto tempo?
Para você, a vida toda. Para os serviços, a Lei 13.787/2018 fixa no mínimo 20 anos de guarda do prontuário após o último registro, e a Anvisa exige que laboratórios mantenham documentação e registros por no mínimo 5 anos.
Laboratório guarda por mim?
Por um período limitado. O mínimo exigido é de 5 anos, e o acesso online depende de cada serviço. Baixe o PDF do laudo assim que ele sair e mantenha o seu próprio arquivo.
Como digitalizar?
Use o modo de digitalizar documentos do celular, com boa luz e fundo escuro. Gere um PDF por exame, nomeie com a data primeiro e organize por ano ou tipo. Confira se valores e faixas de referência ficaram legíveis e faça cópia de segurança.
Fontes
- Brasil. Lei nº 13.787, de 27 de dezembro de 2018. Dispõe sobre a digitalização e a utilização de sistemas informatizados para a guarda, o armazenamento e o manuseio de prontuário de paciente. www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2018/lei-13787-27-dezembro-
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 1.821/2007. Normas técnicas para digitalização e uso de sistemas informatizados para guarda e manuseio dos documentos dos prontuários. sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/resolucoes/BR/2007/1821_
- Anvisa. Resolução RDC nº 786, de 5 de maio de 2023. Requisitos técnico-sanitários para o funcionamento de serviços que executam atividades relacionadas aos Exames de Análises Clínicas. www.lex.com.br/resolucao-anvisa-no-786-de-5-de-maio-de-2023
- Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018), art. 88. Comentado em: Prazo para fornecer o prontuário, Migalhas. www.migalhas.com.br/depeso/465800/prazo-para-fornecer-o-pron
- Brasil. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), art. 5º, II, e art. 18. www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.