Calculadora · HOMA-IR
Calcular HOMA-IR: calculadora, fórmula e como interpretar o resultado
Com a glicose e a insulina de jejum, a conta estima a resistência à insulina. Veja a fórmula, o ponto de corte brasileiro e os limites do índice.

O HOMA-IR estima a resistência à insulina a partir de dois exames de jejum: glicose (mg/dL) × insulina (µU/mL) ÷ 405. No Estudo Brasileiro de Síndrome Metabólica (BRAMS), com 1.203 adultos sem diabetes, o ponto de corte para resistência à insulina foi HOMA-IR acima de 2,7. Por exemplo, glicose de 92 mg/dL e insulina de 8 µU/mL dão HOMA-IR de 1,82.
Neste texto
- O que é o HOMA-IR
- A fórmula do HOMA-IR
- Valores de referência e pontos de corte
- HOMA1, HOMA2 e HOMA-beta
- Limites do HOMA-IR
- O que fazer se o HOMA-IR está alto
- Como fazer e acompanhar os seus exames com a Piantare
- Perguntas frequentes
- Fontes
O que é o HOMA-IR
O HOMA, sigla em inglês para modelo de avaliação da homeostase, foi descrito em 1985 por Matthews e colegas, em Oxford. A ideia é que, em jejum, a glicose e a insulina do sangue estão em equilíbrio, regulado pelo fígado e pelo pâncreas. Comparando os seus valores com as previsões de um modelo matemático, é possível estimar quanto de resistência à insulina e quanto de função das células beta do pâncreas explicam aquele equilíbrio EV B.
O HOMA-IR é a parte do índice que estima a resistência à insulina: a situação em que músculos, fígado e gordura respondem menos à insulina, e o pâncreas precisa produzir mais hormônio para manter a glicose no lugar. Por muito tempo, essa compensação mantém a glicemia normal. Por isso o HOMA-IR pode mostrar alterações antes de a glicose subir.
No estudo original, a estimativa do HOMA se correlacionou fortemente com o clamp euglicêmico, o exame de referência para medir sensibilidade à insulina, com coeficiente de 0,88 EV B. A grande vantagem é a simplicidade: basta uma coleta de sangue em jejum com glicose e insulina.
A fórmula do HOMA-IR
A fórmula simplificada, publicada junto com o modelo, é:
HOMA-IR = glicose de jejum (mg/dL) × insulina de jejum (µU/mL) ÷ 405
Se a glicose estiver em mmol/L, o divisor é 22,5. O 405 é o mesmo 22,5 multiplicado por 18, o fator de conversão da glicose entre as duas unidades.
Exemplos
- Glicose 92 mg/dL e insulina 8 µU/mL: 92 × 8 ÷ 405 = 1,82.
- Glicose 105 mg/dL e insulina 15 µU/mL: 105 × 15 ÷ 405 = 3,89.
- Glicose 88 mg/dL e insulina 12 µU/mL: 88 × 12 ÷ 405 = 2,61.
Repare no terceiro exemplo: a glicose está totalmente normal, mas a insulina mais alta leva o índice para perto do ponto de corte. É esse tipo de informação que o HOMA-IR acrescenta ao exame de glicemia de jejum.
Cuidados com a coleta
- Jejum de 8 a 12 horas, conforme a orientação do laboratório.
- Glicose e insulina da mesma amostra, no mesmo dia.
- Evite treino intenso, noite sem dormir ou doença aguda na véspera.
- Confira a unidade da insulina no laudo. A fórmula usa µU/mL, que alguns laudos escrevem como mUI/L, com o mesmo valor.
A calculadora logo abaixo faz a conta com os valores do seu laudo. Informe a glicose e a insulina, deixe seu nome e e-mail e veja o resultado na hora, comparado com os pontos de corte brasileiros.
Valores de referência e pontos de corte
Não existe um ponto de corte universal para o HOMA-IR. Os valores variam entre populações e entre os métodos de dosagem de insulina usados pelos laboratórios. No Brasil, a referência mais usada vem do Estudo Brasileiro de Síndrome Metabólica, o BRAMS EV B.
| HOMA-IR | Leitura pelo estudo BRAMS |
|---|---|
| Até 2,3 | Abaixo dos pontos de corte do estudo |
| Acima de 2,3 | Ponto de corte associado à síndrome metabólica (sensibilidade de 76,8%, especificidade de 66,7%) |
| Acima de 2,7 | Ponto de corte para resistência à insulina |
O BRAMS avaliou 1.203 adultos brasileiros sem diabetes, de 18 a 78 anos. O ponto de corte para resistência à insulina, 2,7, foi definido como o percentil 90 de um grupo de 297 pessoas saudáveis. O de síndrome metabólica, 2,3, veio de uma análise de curva ROC na amostra total EV B. Os autores destacam que os valores servem para populações ocidentalizadas e miscigenadas, como a brasileira.
Uma análise posterior do mesmo estudo, com 1.061 participantes, comparou o HOMA-IR com um índice que inclui a adiponectina. Os dois tiveram desempenho semelhante para identificar resistência à insulina e síndrome metabólica, o que reforça o HOMA-IR como ferramenta prática EV B.
O laudo pode trazer outro valor
Alguns laboratórios informam faixas próprias para o HOMA-IR, porque o método de dosagem da insulina muda o resultado. Quando houver diferença, siga a referência do laudo e converse com o médico.
HOMA1, HOMA2 e HOMA-beta
Ao pesquisar o exame, você pode encontrar nomes diferentes. Eles fazem parte da mesma família:
- HOMA1-IR. É a fórmula simplificada de 1985, a que esta calculadora usa. Quando o laudo diz apenas HOMA-IR, quase sempre é ela.
- HOMA2-IR. É a versão calculada por um programa de computador, com um modelo fisiológico mais completo. A revisão dos criadores do método observa que o modelo computacional existe, mas é menos usado que as fórmulas aproximadas EV B. No estudo BRAMS, o ponto de corte do HOMA2-IR para resistência à insulina foi acima de 1,8, e para síndrome metabólica, acima de 1,4 EV B. Por isso, os números das duas versões não podem ser comparados diretamente.
- HOMA-beta. Estima a função das células do pâncreas que produzem insulina. A mesma revisão relata que o HOMA é usado cerca de 20 vezes mais para resistência à insulina do que para função beta, e desaconselha avaliar a função beta isoladamente, sem considerar a resistência EV B.
Na prática, confira qual versão aparece no seu laudo antes de comparar com qualquer tabela. Se o laudo não informar, pergunte ao laboratório.
Limites do HOMA-IR
O HOMA-IR é útil, mas tem limitações que precisam entrar na leitura:
- Precisão individual baixa. O próprio artigo original informou coeficientes de variação de 31% para a estimativa de resistência à insulina. Isso significa que um resultado isolado pode oscilar bastante EV B.
- Melhor para grupos do que para indivíduos. A revisão dos criadores do método aponta que o HOMA é mais apropriado em estudos de coorte e epidemiológicos, e que os dados de entrada precisam ser robustos e interpretados com cuidado EV B.
- Dosagem de insulina. Métodos diferentes dão valores diferentes de insulina, e o índice herda essa variação.
- Situações em que não se aplica bem. Em quem usa insulina ou tem diabetes avançado com pouca produção de insulina, o HOMA-IR perde sentido.
Como usar bem
Olhe o HOMA-IR como uma peça entre várias. Ele ganha valor quando lido junto com glicemia de jejum, hemoglobina glicada, triglicerídeos, HDL, pressão arterial e circunferência da cintura. Se dois ou três desses sinais apontam na mesma direção, a leitura fica mais confiável do que qualquer número sozinho. Repetir o exame depois de alguns meses também ajuda a separar tendência de oscilação.
A medida da cintura dividida pela altura é um bom complemento sem custo. A calculadora de relação cintura-altura mostra se a gordura central está na faixa saudável.
O que fazer se o HOMA-IR está alto
Um HOMA-IR acima do ponto de corte não é diagnóstico de diabetes. É um sinal de que vale olhar com atenção para o metabolismo, junto com o médico. A resistência à insulina responde bem a mudanças de hábito, e as mais estudadas são gratuitas:
- Movimento regular. O músculo em atividade é um grande consumidor de glicose. Caminhadas e treino de força somam ao longo da semana.
- Perda de peso, quando há excesso. No estudo Look AHEAD, adultos com diabetes tipo 2 que perderam de 5% a menos de 10% do peso em um ano tiveram chance 3,5 vezes maior de reduzir a hemoglobina glicada em 0,5 ponto percentual, comparados a quem manteve o peso EV B.
- Comida de verdade. Mais fibras, vegetais, leguminosas e proteínas; menos açúcar e farinhas refinadas.
- Sono regular. Horários consistentes de dormir e acordar ajudam a sustentar as outras mudanças.
Se a glicemia de jejum também estiver entre 100 e 125 mg/dL, o guia sobre pré-diabetes explica os próximos passos. Qualquer tratamento com medicamento é decisão do médico, com base no quadro completo.
Quando repetir
Em geral, faz sentido repetir glicose e insulina de jejum depois de três a seis meses de mudanças consistentes, ou conforme o médico orientar. Use o mesmo laboratório sempre que possível, para reduzir a variação entre métodos.
Como fazer e acompanhar os seus exames com a Piantare
A Piantare está estruturando a coleta de exames de sangue em casa e em pontos parceiros. Glicose e insulina de jejum são exames simples, de uma única coleta. Os resultados podem ser guardados no app Piantare, que mostra cada marcador ao longo do tempo e responde dúvidas pela PIÁ com base nos seus dados e em estudos. Para receber um orçamento, use o formulário desta página ou entre na lista do app.
Perguntas frequentes
Qual é o valor normal de HOMA-IR?
No estudo brasileiro BRAMS, o ponto de corte para resistência à insulina foi acima de 2,7. Valores até 2,3 ficaram abaixo dos dois pontos de corte do estudo. O laudo pode trazer uma faixa própria do laboratório.
HOMA-IR alto é diabetes?
Não. O HOMA-IR estima resistência à insulina, que pode existir com glicose normal. O diagnóstico de diabetes usa glicemia de jejum, hemoglobina glicada ou curva glicêmica.
Preciso de jejum para o HOMA-IR?
Sim. A fórmula foi criada para glicose e insulina de jejum, colhidas na mesma amostra.
O HOMA-IR muda de um exame para outro?
Pode mudar bastante. O estudo original estimou coeficiente de variação de 31% para a resistência à insulina, por isso a tendência ao longo do tempo vale mais que um resultado isolado.
Dá para baixar o HOMA-IR?
Sim, em muitas pessoas. Movimento regular, perda de peso quando há excesso, alimentação com mais fibras e sono suficiente estão entre as mudanças com melhor evidência.
Fontes
- Matthews DR et al. Homeostasis model assessment: insulin resistance and beta-cell function from fasting plasma glucose and insulin concentrations in man. Diabetologia, 1985. doi.org/10.1007/BF00280883 · Evidência B
- Wallace TM, Levy JC, Matthews DR. Use and abuse of HOMA modeling. Diabetes Care, 2004. doi.org/10.2337/diacare.27.6.1487 · Evidência B
- Geloneze B et al. HOMA1-IR and HOMA2-IR indexes in identifying insulin resistance and metabolic syndrome: Brazilian Metabolic Syndrome Study (BRAMS). Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, 2009. doi.org/10.1590/s0004-27302009000200020 · Evidência B
- Vilela BS et al. The HOMA-Adiponectin (HOMA-AD) closely mirrors the HOMA-IR index in the screening of insulin resistance in the Brazilian Metabolic Syndrome Study (BRAMS). PLoS One, 2016. doi.org/10.1371/journal.pone.0158751 · Evidência B
- Wing RR et al. Benefits of modest weight loss in improving cardiovascular risk factors in overweight and obese individuals with type 2 diabetes. Diabetes Care, 2011. doi.org/10.2337/dc10-2415 · Evidência B