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Calculadora · HOMA-IR

Calcular HOMA-IR: calculadora, fórmula e como interpretar o resultado

Com a glicose e a insulina de jejum, a conta estima a resistência à insulina. Veja a fórmula, o ponto de corte brasileiro e os limites do índice.

Publicado27 out 2026
Leitura8 min
Calcular HOMA-IR: calculadora, fórmula e como interpretar o resultado
Resposta direta

O HOMA-IR estima a resistência à insulina a partir de dois exames de jejum: glicose (mg/dL) × insulina (µU/mL) ÷ 405. No Estudo Brasileiro de Síndrome Metabólica (BRAMS), com 1.203 adultos sem diabetes, o ponto de corte para resistência à insulina foi HOMA-IR acima de 2,7. Por exemplo, glicose de 92 mg/dL e insulina de 8 µU/mL dão HOMA-IR de 1,82.

Neste texto

  1. O que é o HOMA-IR
  2. A fórmula do HOMA-IR
  3. Valores de referência e pontos de corte
  4. HOMA1, HOMA2 e HOMA-beta
  5. Limites do HOMA-IR
  6. O que fazer se o HOMA-IR está alto
  7. Como fazer e acompanhar os seus exames com a Piantare
  8. Perguntas frequentes
  9. Fontes

O que é o HOMA-IR

O HOMA, sigla em inglês para modelo de avaliação da homeostase, foi descrito em 1985 por Matthews e colegas, em Oxford. A ideia é que, em jejum, a glicose e a insulina do sangue estão em equilíbrio, regulado pelo fígado e pelo pâncreas. Comparando os seus valores com as previsões de um modelo matemático, é possível estimar quanto de resistência à insulina e quanto de função das células beta do pâncreas explicam aquele equilíbrio EV B.

O HOMA-IR é a parte do índice que estima a resistência à insulina: a situação em que músculos, fígado e gordura respondem menos à insulina, e o pâncreas precisa produzir mais hormônio para manter a glicose no lugar. Por muito tempo, essa compensação mantém a glicemia normal. Por isso o HOMA-IR pode mostrar alterações antes de a glicose subir.

No estudo original, a estimativa do HOMA se correlacionou fortemente com o clamp euglicêmico, o exame de referência para medir sensibilidade à insulina, com coeficiente de 0,88 EV B. A grande vantagem é a simplicidade: basta uma coleta de sangue em jejum com glicose e insulina.

A fórmula do HOMA-IR

A fórmula simplificada, publicada junto com o modelo, é:

HOMA-IR = glicose de jejum (mg/dL) × insulina de jejum (µU/mL) ÷ 405

Se a glicose estiver em mmol/L, o divisor é 22,5. O 405 é o mesmo 22,5 multiplicado por 18, o fator de conversão da glicose entre as duas unidades.

Exemplos

Repare no terceiro exemplo: a glicose está totalmente normal, mas a insulina mais alta leva o índice para perto do ponto de corte. É esse tipo de informação que o HOMA-IR acrescenta ao exame de glicemia de jejum.

Cuidados com a coleta

A calculadora logo abaixo faz a conta com os valores do seu laudo. Informe a glicose e a insulina, deixe seu nome e e-mail e veja o resultado na hora, comparado com os pontos de corte brasileiros.

Valores de referência e pontos de corte

Não existe um ponto de corte universal para o HOMA-IR. Os valores variam entre populações e entre os métodos de dosagem de insulina usados pelos laboratórios. No Brasil, a referência mais usada vem do Estudo Brasileiro de Síndrome Metabólica, o BRAMS EV B.

HOMA-IRLeitura pelo estudo BRAMS
Até 2,3Abaixo dos pontos de corte do estudo
Acima de 2,3Ponto de corte associado à síndrome metabólica (sensibilidade de 76,8%, especificidade de 66,7%)
Acima de 2,7Ponto de corte para resistência à insulina

O BRAMS avaliou 1.203 adultos brasileiros sem diabetes, de 18 a 78 anos. O ponto de corte para resistência à insulina, 2,7, foi definido como o percentil 90 de um grupo de 297 pessoas saudáveis. O de síndrome metabólica, 2,3, veio de uma análise de curva ROC na amostra total EV B. Os autores destacam que os valores servem para populações ocidentalizadas e miscigenadas, como a brasileira.

Uma análise posterior do mesmo estudo, com 1.061 participantes, comparou o HOMA-IR com um índice que inclui a adiponectina. Os dois tiveram desempenho semelhante para identificar resistência à insulina e síndrome metabólica, o que reforça o HOMA-IR como ferramenta prática EV B.

O laudo pode trazer outro valor

Alguns laboratórios informam faixas próprias para o HOMA-IR, porque o método de dosagem da insulina muda o resultado. Quando houver diferença, siga a referência do laudo e converse com o médico.

HOMA1, HOMA2 e HOMA-beta

Ao pesquisar o exame, você pode encontrar nomes diferentes. Eles fazem parte da mesma família:

Na prática, confira qual versão aparece no seu laudo antes de comparar com qualquer tabela. Se o laudo não informar, pergunte ao laboratório.

Limites do HOMA-IR

O HOMA-IR é útil, mas tem limitações que precisam entrar na leitura:

Como usar bem

Olhe o HOMA-IR como uma peça entre várias. Ele ganha valor quando lido junto com glicemia de jejum, hemoglobina glicada, triglicerídeos, HDL, pressão arterial e circunferência da cintura. Se dois ou três desses sinais apontam na mesma direção, a leitura fica mais confiável do que qualquer número sozinho. Repetir o exame depois de alguns meses também ajuda a separar tendência de oscilação.

A medida da cintura dividida pela altura é um bom complemento sem custo. A calculadora de relação cintura-altura mostra se a gordura central está na faixa saudável.

O que fazer se o HOMA-IR está alto

Um HOMA-IR acima do ponto de corte não é diagnóstico de diabetes. É um sinal de que vale olhar com atenção para o metabolismo, junto com o médico. A resistência à insulina responde bem a mudanças de hábito, e as mais estudadas são gratuitas:

Se a glicemia de jejum também estiver entre 100 e 125 mg/dL, o guia sobre pré-diabetes explica os próximos passos. Qualquer tratamento com medicamento é decisão do médico, com base no quadro completo.

Quando repetir

Em geral, faz sentido repetir glicose e insulina de jejum depois de três a seis meses de mudanças consistentes, ou conforme o médico orientar. Use o mesmo laboratório sempre que possível, para reduzir a variação entre métodos.

Como fazer e acompanhar os seus exames com a Piantare

A Piantare está estruturando a coleta de exames de sangue em casa e em pontos parceiros. Glicose e insulina de jejum são exames simples, de uma única coleta. Os resultados podem ser guardados no app Piantare, que mostra cada marcador ao longo do tempo e responde dúvidas pela PIÁ com base nos seus dados e em estudos. Para receber um orçamento, use o formulário desta página ou entre na lista do app.

Perguntas frequentes

Qual é o valor normal de HOMA-IR?

No estudo brasileiro BRAMS, o ponto de corte para resistência à insulina foi acima de 2,7. Valores até 2,3 ficaram abaixo dos dois pontos de corte do estudo. O laudo pode trazer uma faixa própria do laboratório.

HOMA-IR alto é diabetes?

Não. O HOMA-IR estima resistência à insulina, que pode existir com glicose normal. O diagnóstico de diabetes usa glicemia de jejum, hemoglobina glicada ou curva glicêmica.

Preciso de jejum para o HOMA-IR?

Sim. A fórmula foi criada para glicose e insulina de jejum, colhidas na mesma amostra.

O HOMA-IR muda de um exame para outro?

Pode mudar bastante. O estudo original estimou coeficiente de variação de 31% para a resistência à insulina, por isso a tendência ao longo do tempo vale mais que um resultado isolado.

Dá para baixar o HOMA-IR?

Sim, em muitas pessoas. Movimento regular, perda de peso quando há excesso, alimentação com mais fibras e sono suficiente estão entre as mudanças com melhor evidência.

Fontes

  1. Matthews DR et al. Homeostasis model assessment: insulin resistance and beta-cell function from fasting plasma glucose and insulin concentrations in man. Diabetologia, 1985. doi.org/10.1007/BF00280883 · Evidência B
  2. Wallace TM, Levy JC, Matthews DR. Use and abuse of HOMA modeling. Diabetes Care, 2004. doi.org/10.2337/diacare.27.6.1487 · Evidência B
  3. Geloneze B et al. HOMA1-IR and HOMA2-IR indexes in identifying insulin resistance and metabolic syndrome: Brazilian Metabolic Syndrome Study (BRAMS). Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, 2009. doi.org/10.1590/s0004-27302009000200020 · Evidência B
  4. Vilela BS et al. The HOMA-Adiponectin (HOMA-AD) closely mirrors the HOMA-IR index in the screening of insulin resistance in the Brazilian Metabolic Syndrome Study (BRAMS). PLoS One, 2016. doi.org/10.1371/journal.pone.0158751 · Evidência B
  5. Wing RR et al. Benefits of modest weight loss in improving cardiovascular risk factors in overweight and obese individuals with type 2 diabetes. Diabetes Care, 2011. doi.org/10.2337/dc10-2415 · Evidência B

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