Calculadora · Colesterol LDL
Calcular LDL: calculadora pela fórmula de Friedewald e o que muda com Martin-Hopkins
Com colesterol total, HDL e triglicerídeos do seu exame, a conta estima o LDL. Veja a fórmula, os limites e as metas da diretriz brasileira de 2025.

Para calcular o LDL pela fórmula de Friedewald, subtraia do colesterol total o HDL e um quinto dos triglicerídeos: LDL = CT − HDL − TG/5, em mg/dL. Com CT 200, HDL 50 e TG 150, o LDL é 120 mg/dL. A fórmula não vale com triglicerídeos de 400 mg/dL ou mais. O método Martin-Hopkins acertou a classificação em 91,7% dos casos, contra 85,4% de Friedewald.
Neste texto
- Como calcular o LDL: a fórmula de Friedewald
- Quando Friedewald falha e o que faz Martin-Hopkins
- Metas de LDL da diretriz brasileira de 2025
- Como a idade muda a leitura do LDL
- Preparo do exame e outros marcadores
- Como fazer e acompanhar os seus exames com a Piantare
- Perguntas frequentes
- Fontes
Como calcular o LDL: a fórmula de Friedewald
O colesterol LDL é a principal partícula que leva colesterol para as paredes das artérias. Estudos genéticos, epidemiológicos e clínicos convergem: o LDL é causa da aterosclerose, e quanto mais tempo e mais LDL a artéria recebe, maior o efeito EV A.
Medir o LDL diretamente exige técnicas mais caras. Por isso, desde 1972, a maioria dos laboratórios estima o LDL a partir de três exames simples do perfil lipídico, com a fórmula de Friedewald EV B:
LDL = colesterol total − HDL − (triglicerídeos ÷ 5)
A divisão dos triglicerídeos por 5 estima o colesterol que viaja nas partículas VLDL. A fórmula parte do princípio de que a proporção entre triglicerídeos e colesterol do VLDL é sempre de 5 para 1.
Exemplos
- CT 200, HDL 50, TG 150: 200 − 50 − 30 = 120 mg/dL.
- CT 180, HDL 45, TG 250: 180 − 45 − 50 = 85 mg/dL.
- CT 230, HDL 60, TG 100: 230 − 60 − 20 = 150 mg/dL.
Passo a passo com o seu laudo
- Localize no laudo o colesterol total, o HDL e os triglicerídeos, todos em mg/dL.
- Confira se os triglicerídeos estão abaixo de 400 mg/dL. Se estiverem acima, a fórmula não serve.
- Divida os triglicerídeos por 5.
- Subtraia do colesterol total o HDL e o resultado do passo anterior.
- Compare o valor com o LDL que o próprio laudo informa. Se forem diferentes, o laboratório provavelmente usou outro método.
Se o laudo estiver em mmol/L
Exames feitos fora do Brasil costumam trazer os lípides em mmol/L. Para converter para mg/dL, multiplique o colesterol total, o HDL e o LDL por 38,67, e os triglicerídeos por 88,57. Depois da conversão, a calculadora funciona normalmente. Se preferir fazer a conta direto em mmol/L, a fórmula de Friedewald divide os triglicerídeos por 2,2, e não por 5.
O colesterol não-HDL
Com os mesmos números, você calcula o colesterol não-HDL: colesterol total menos HDL. Ele soma todas as partículas que podem levar colesterol às artérias, incluindo o LDL e o VLDL. No primeiro exemplo, o não-HDL é 150 mg/dL. A diretriz brasileira de 2025 define metas para o LDL e para o não-HDL EV A.
Quando Friedewald falha e o que faz Martin-Hopkins
A proporção fixa de 5 para 1 é o ponto fraco da fórmula. Na vida real, essa proporção muda com o nível de triglicerídeos e de colesterol.
Em 2013, Martin e colegas analisaram perfis lipídicos de 1.350.908 pessoas nos Estados Unidos, com o LDL medido diretamente. A proporção entre triglicerídeos e colesterol do VLDL teve mediana de 5,2, mas variou bastante, com metade dos casos entre 4,5 e 6,0 EV B.
Os pesquisadores criaram então uma tabela com 180 fatores, escolhidos conforme os triglicerídeos e o colesterol não-HDL de cada pessoa. É o método Martin-Hopkins. Em pessoas com triglicerídeos abaixo de 400 mg/dL, ele classificou corretamente o LDL nas faixas das diretrizes em 91,7% dos casos, contra 85,4% da fórmula de Friedewald EV B.
| Característica | Friedewald | Martin-Hopkins |
|---|---|---|
| Fator para os triglicerídeos | Fixo: 5 | Variável: tabela com 180 fatores |
| Classificação correta (TG < 400) | 85,4% | 91,7% |
| Pode ser feito à mão | Sim | Precisa da tabela |
| Triglicerídeos de 400 ou mais | Não usar | Não usar |
Por que a calculadora usa Friedewald
A fórmula de Friedewald é simples, transparente e reproduzível em qualquer lugar. Ela funciona bem quando os triglicerídeos estão normais e o LDL não está muito baixo. Quando os triglicerídeos estão altos ou o LDL fica abaixo de 70 mg/dL, a diferença para o valor real tende a crescer, e o LDL do seu laudo, calculado por Martin-Hopkins ou medido diretamente, deve prevalecer.
Use a calculadora logo abaixo para estimar o seu LDL. Informe os três valores do exame, deixe seu nome e e-mail e veja o resultado na hora, com a comparação com as metas da diretriz brasileira.
Metas de LDL da diretriz brasileira de 2025
A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, define metas que ficam mais baixas conforme o risco cardiovascular aumenta. Os valores valem com ou sem jejum EV A.
| Categoria de risco | Meta de LDL | Meta de não-HDL |
|---|---|---|
| Baixo | menos de 115 mg/dL | menos de 145 mg/dL |
| Intermediário | menos de 100 mg/dL | menos de 130 mg/dL |
| Alto | menos de 70 mg/dL | menos de 100 mg/dL |
| Muito alto | menos de 50 mg/dL | menos de 80 mg/dL |
| Extremo | menos de 40 mg/dL | menos de 70 mg/dL |
A sua categoria depende de uma avaliação clínica: idade, pressão, glicemia, tabagismo, função dos rins, histórico familiar e doenças já diagnosticadas. Por isso, o mesmo LDL pode estar dentro da meta para uma pessoa e acima para outra. A calculadora mostra em relação a quais metas o seu valor está, e a leitura final é feita com o médico. O guia de colesterol LDL ideal detalha cada categoria.
Como a idade muda a leitura do LDL
As metas de LDL não são definidas pela idade, e sim pelo risco. Mas a idade pesa no risco e muda o que vale observar em cada fase:
- 30 anos: a maioria das pessoas está na categoria de baixo risco. Um LDL muito alto nessa idade, ou com casos de infarto precoce na família, levanta a hipótese de causa genética. O guia sobre hipercolesterolemia familiar explica os sinais.
- 40 anos: é quando muitas pessoas fazem o primeiro cálculo formal de risco. Pressão, glicemia, cintura e tabagismo começam a mover a categoria.
- 50 anos: a soma de fatores aumenta a chance de estar em risco intermediário ou alto, com metas mais baixas. Vale repetir o perfil lipídico com regularidade, conforme a orientação médica.
- 60 anos ou mais: o tempo de exposição ao LDL ao longo da vida já é longo. As metas costumam ser mais rígidas, e exames complementares ajudam a refinar a categoria.
A lógica por trás disso é a exposição acumulada: o efeito do LDL nas artérias depende da concentração e do tempo EV A. Manter o LDL baixo desde cedo protege mais do que corrigir tarde.
Preparo do exame e outros marcadores
Precisa de jejum?
Um consenso das sociedades europeias de aterosclerose e de medicina laboratorial concluiu que o jejum não é necessário de rotina para o perfil lipídico EV A. A diretriz brasileira de 2025 segue a mesma linha e mantém as metas válidas com ou sem jejum. Se os triglicerídeos vierem muito altos, o médico pode pedir nova coleta em jejum.
Quando os triglicerídeos atrapalham
Com triglicerídeos de 400 mg/dL ou mais, a fórmula de Friedewald não deve ser usada, e por isso a calculadora aceita valores até 399. Nesses casos, o LDL medido diretamente, o colesterol não-HDL ou a apolipoproteína B são mais confiáveis. O guia sobre triglicerídeos altos explica o que pode estar por trás.
Além do LDL
A ApoB conta o número de partículas que podem entrar na parede das artérias, e a lipoproteína(a) é um fator em grande parte herdado. Os dois ajudam a refinar o risco quando o LDL sozinho não conta a história toda.
Quando repetir o exame
O perfil lipídico varia um pouco de uma coleta para outra, por causa da alimentação dos dias anteriores, do álcool, de doenças agudas e do próprio método do laboratório. Por isso, uma mudança pequena entre dois exames pode ser só oscilação. Decisões importantes costumam se basear em mais de uma medida e na tendência ao longo do tempo. Guardar os laudos num só lugar facilita essa comparação.
Hábitos que ajudam
Alimentação com mais fibras, leguminosas, vegetais e gorduras insaturadas, e menos gordura saturada e ultraprocessados, além de atividade física regular, contribuem para o perfil lipídico. Quando a meta exige mais, o tratamento é decidido com o médico.
Como fazer e acompanhar os seus exames com a Piantare
A Piantare está estruturando a coleta de exames de sangue em casa e em pontos parceiros. O perfil lipídico completo, com colesterol total, HDL, triglicerídeos e LDL, é feito numa única coleta. Os resultados podem ser guardados no app Piantare, que mostra cada marcador ao longo do tempo e responde dúvidas pela PIÁ com base nos seus dados e em estudos. Para receber um orçamento, use o formulário desta página ou entre na lista do app.
Perguntas frequentes
Qual a fórmula para calcular o LDL?
A de Friedewald: LDL = colesterol total − HDL − triglicerídeos ÷ 5, com valores em mg/dL. Ela não deve ser usada com triglicerídeos de 400 mg/dL ou mais.
Qual a diferença entre Friedewald e Martin-Hopkins?
Friedewald divide os triglicerídeos sempre por 5. Martin-Hopkins usa um fator ajustado ao perfil de cada pessoa, o que melhorou a classificação de 85,4% para 91,7% num estudo com mais de 1,3 milhão de exames.
Qual é o LDL ideal?
Depende do risco cardiovascular. Pela diretriz brasileira de 2025, vai de menos de 115 mg/dL no risco baixo a menos de 40 mg/dL no risco extremo.
Por que o LDL do meu laudo é diferente do calculado aqui?
O laboratório pode usar Martin-Hopkins ou medir o LDL diretamente. Nesses casos, o valor do laudo é o mais preciso.
Preciso de jejum para o exame de colesterol?
Em geral, não. O jejum pode ser pedido quando os triglicerídeos vêm muito altos.
Fontes
- Friedewald WT, Levy RI, Fredrickson DS. Estimation of the concentration of low-density lipoprotein cholesterol in plasma, without use of the preparative ultracentrifuge. Clinical Chemistry, 1972. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/4337382/ · Evidência B
- Martin SS et al. Comparison of a novel method vs the Friedewald equation for estimating low-density lipoprotein cholesterol levels from the standard lipid profile. JAMA, 2013. doi.org/10.1001/jama.2013.280532 · Evidência B
- Rached FH et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2025. doi.org/10.36660/abc.20250640 · Evidência A
- Nordestgaard BG et al. Fasting is not routinely required for determination of a lipid profile: EAS/EFLM joint consensus statement. European Heart Journal, 2016. doi.org/10.1093/eurheartj/ehw152 · Evidência A
- Ference BA et al. Low-density lipoproteins cause atherosclerotic cardiovascular disease. 1. Evidence from genetic, epidemiologic, and clinical studies. European Heart Journal, 2017. doi.org/10.1093/eurheartj/ehx144 · Evidência A