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Redação · Opinião · Pilar 2 · Infraestrutura de longevidade

O Brasil fez o Pix. Falta o Pix da saúde.

O brasileiro já vive 12,5 anos com doença. O problema não é falta de dado, é dado espalhado.

Foto de Nathan Candido Silva
PorNathan Candido Silva · Fundador e CEO
Publicado9 out 2026
Leitura5 min
Sete objetos que guardam dados de saúde, flutuando separados: tubo de exame, anel, relógio, tênis, estetoscópio, laudo e hélice de DNA
Exames, anel, relógio, treino, consultório, laudo e DNA: sete fontes que ainda não conversam.Imagem gerada por IA · Piantare
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Em novembro de 2020, o Brasil ligou um sistema que ninguém pediu e que hoje ninguém vive sem. Em 2025, o Pix fez cerca de 80 bilhões de transações e movimentou mais de R$ 35 trilhões. Em dezembro, 148 milhões de pessoas usaram, o que dá 86% dos adultos do país.

O Pix não inventou o dinheiro. Ele ligou o que já existia: bancos, contas e pessoas que não conversavam entre si. Criou um trilho comum, e o resto veio em cima dele.

Na saúde, ainda vivemos antes do Pix.

O dado existe. Ele só não se encontra.

Pense em quantos lugares guardam um pedaço da sua saúde. O laboratório tem seus exames de sangue. O relógio tem seu sono e sua frequência cardíaca. O app de corrida tem seu treino. O consultório tem a anamnese. A operadora tem o histórico de uso. E você tem a percepção de como se sente, que quase ninguém registra.

São sete, oito, dez fontes. Nenhuma conversa com a outra. Cada consulta começa do zero, e cada exame é lido sozinho, sem o contexto dos outros.

Sete fontes soltas viram um histórico

HOJE · 7 FONTES SOLTASLaboratórioRelógio ou anelApp de treinoConsultórioOperadoraGenéticaVocê, como se senteCOM OPEN HEALTH · UM HISTÓRICOSeu histórico, longitudinal e seupercepção · exames · dispositivos · profissionaislidos juntos, ao longo do tempo
Open Health junta as fontes num histórico só, que pertence à pessoa.

O brasileiro vive 2 anos a mais com doença do que em 1990

199010,4 anos202312,5 anosANOS VIVIDOS COM DOENÇA, MÉDIA BRASIL · ESCALA 0 A 14
Lacuna de morbidade no Brasil, Global Burden of Disease 2023. The Lancet Public Health, julho de 2026.

Estamos ganhando anos de vida, mas uma parte crescente deles vem doente.

Você só melhora o que mede

Prevenção depende de enxergar a tendência antes do sintoma. E tendência só aparece quando o dado de hoje é lido junto com o de ontem e com o de outras fontes.

Um sono pior por três semanas não diz muito sozinho. Junto com um marcador inflamatório subindo e uma queda no desempenho do treino, diz bastante. Hoje esses três sinais vivem em três lugares diferentes, e ninguém junta.

Quem já fez

A Estônia ligou seu prontuário eletrônico nacional em dezembro de 2008. Hoje cerca de 95% dos dados de saúde do país estão digitalizados e 97% das receitas são digitais. O cidadão vê o próprio histórico e decide quem pode acessá-lo.

O Brasil tem peças dessa engrenagem, como a Rede Nacional de Dados em Saúde e o Meu SUS Digital. O que ainda falta é o trilho que liga tudo isso ao que a pessoa produz no dia a dia: exames privados, wearables, genética e percepção.

Open Health é infraestrutura

Quando falamos em Open Health, falamos de infraestrutura de longevidade: um histórico único, longitudinal e do próprio usuário, que junta quatro camadas.

  1. Percepção: como você se sente, registrado de forma simples.
  2. Exames e laudos: sangue, genética e o que mais vier.
  3. Dispositivos: sono, atividade e sinais vitais, de qualquer marca.
  4. Profissionais: a leitura de quem cuida de você.
As mesmas sete fontes de dados de saúde, agora ligadas por linhas finas
As mesmas fontes, ligadas: é isso que um trilho comum faz.Imagem gerada por IA · Piantare

Com essas camadas juntas, o dado vira recomendação, a recomendação vira ação, e a ação gera um dado novo. É esse ciclo que transforma anos de vida em anos saudáveis.

O ciclo que um histórico único permite

DadoRecomendaçãoAçãoDado novocada volta transformaanos de vida em anos saudáveis
Cada volta do ciclo gera um dado novo, que melhora a próxima recomendação.

Por que agora

O Pix mostrou que o brasileiro adota rápido quando a infraestrutura é boa e o benefício aparece no primeiro uso. A saúde pode seguir o mesmo caminho, com uma regra inegociável: o dado é da pessoa. Genética e saúde são dados sensíveis pela LGPD, e qualquer infraestrutura séria começa por consentimento, transparência e controle.

Foi para construir esse trilho que criamos a Piantare. E o ponto é maior do que uma empresa. O Brasil já provou que sabe fazer infraestrutura digital de classe mundial. Falta aplicar isso ao que mais importa: o tempo que vivemos bem.

Próximo passo

Fontes

  1. Pix em 2025: transações, valor e usuários (dados do Banco Central). Movimento Econômico
  2. Lacuna de morbidade no Brasil, Global Burden of Disease 2023. The Lancet Public Health, jul/2026, via Estado de Minas
  3. Saúde digital na Estônia. Healthcare in Estonia