Redação · Opinião · Pilar 2 · Infraestrutura de longevidade
O Brasil fez o Pix. Falta o Pix da saúde.
O brasileiro já vive 12,5 anos com doença. O problema não é falta de dado, é dado espalhado.

Em novembro de 2020, o Brasil ligou um sistema que ninguém pediu e que hoje ninguém vive sem. Em 2025, o Pix fez cerca de 80 bilhões de transações e movimentou mais de R$ 35 trilhões. Em dezembro, 148 milhões de pessoas usaram, o que dá 86% dos adultos do país.
O Pix não inventou o dinheiro. Ele ligou o que já existia: bancos, contas e pessoas que não conversavam entre si. Criou um trilho comum, e o resto veio em cima dele.
Na saúde, ainda vivemos antes do Pix.
O dado existe. Ele só não se encontra.
Pense em quantos lugares guardam um pedaço da sua saúde. O laboratório tem seus exames de sangue. O relógio tem seu sono e sua frequência cardíaca. O app de corrida tem seu treino. O consultório tem a anamnese. A operadora tem o histórico de uso. E você tem a percepção de como se sente, que quase ninguém registra.
São sete, oito, dez fontes. Nenhuma conversa com a outra. Cada consulta começa do zero, e cada exame é lido sozinho, sem o contexto dos outros.
Sete fontes soltas viram um histórico
O brasileiro vive 2 anos a mais com doença do que em 1990
Estamos ganhando anos de vida, mas uma parte crescente deles vem doente.
Você só melhora o que mede
Prevenção depende de enxergar a tendência antes do sintoma. E tendência só aparece quando o dado de hoje é lido junto com o de ontem e com o de outras fontes.
Um sono pior por três semanas não diz muito sozinho. Junto com um marcador inflamatório subindo e uma queda no desempenho do treino, diz bastante. Hoje esses três sinais vivem em três lugares diferentes, e ninguém junta.
Quem já fez
A Estônia ligou seu prontuário eletrônico nacional em dezembro de 2008. Hoje cerca de 95% dos dados de saúde do país estão digitalizados e 97% das receitas são digitais. O cidadão vê o próprio histórico e decide quem pode acessá-lo.
O Brasil tem peças dessa engrenagem, como a Rede Nacional de Dados em Saúde e o Meu SUS Digital. O que ainda falta é o trilho que liga tudo isso ao que a pessoa produz no dia a dia: exames privados, wearables, genética e percepção.
Open Health é infraestrutura
Quando falamos em Open Health, falamos de infraestrutura de longevidade: um histórico único, longitudinal e do próprio usuário, que junta quatro camadas.
- Percepção: como você se sente, registrado de forma simples.
- Exames e laudos: sangue, genética e o que mais vier.
- Dispositivos: sono, atividade e sinais vitais, de qualquer marca.
- Profissionais: a leitura de quem cuida de você.

Com essas camadas juntas, o dado vira recomendação, a recomendação vira ação, e a ação gera um dado novo. É esse ciclo que transforma anos de vida em anos saudáveis.
O ciclo que um histórico único permite
Por que agora
O Pix mostrou que o brasileiro adota rápido quando a infraestrutura é boa e o benefício aparece no primeiro uso. A saúde pode seguir o mesmo caminho, com uma regra inegociável: o dado é da pessoa. Genética e saúde são dados sensíveis pela LGPD, e qualquer infraestrutura séria começa por consentimento, transparência e controle.
Foi para construir esse trilho que criamos a Piantare. E o ponto é maior do que uma empresa. O Brasil já provou que sabe fazer infraestrutura digital de classe mundial. Falta aplicar isso ao que mais importa: o tempo que vivemos bem.
Próximo passo
Fontes
- Pix em 2025: transações, valor e usuários (dados do Banco Central). Movimento Econômico
- Lacuna de morbidade no Brasil, Global Burden of Disease 2023. The Lancet Public Health, jul/2026, via Estado de Minas
- Saúde digital na Estônia. Healthcare in Estonia
